RIO — São passados 51 anos, mas ainda me lembro daquela Sexta-feira da primeira quinzena de Fevereiro quando, às 3,30 da tarde, Sousa Pinto começou a distribuição para a venda avulsa do primeiro numero, do DIÁRIO DA TARDE.
O tumulto em frente ao número da Marquês de Paranaguá era enorme. Os jornaleiros -— chamados biribanos — faziam uma algazarra infernal que abafava o barulho da rotação cadenciada da impressora dirigida pelo saudoso Aristotelino que, como sempre, de cara amarrada e fumando o indefectível charuto, parecia não prestar atenção ao que se passava em seu redor.
Alcino Dórea, o mais entusiasta componente do quarteto proprietário da Editora não continha a sua satisfação, ao passar a vista nas folhas impressas. Francisco Dórea, que com Carlos Monteiro completava o quarteto proprietário da empresa, não sabia se ficava na sua loja de variedades ou na redação, apreciando a calma do jornalista e diretor do DIÁRIO, tornando as últimas providências que antecediam o momento culminante, esperado desde os meados de Dezembro. No tablado onde estavam localizadas as oficinas, os gráficos já tratavam de compor os originais do segundo número sem tempo de apreciar o movimento da rua e o assédio e ansiedade dos futuros leitores que tomavam parte da rua e adjacências.
Naquela hora, quando no primeiro grito dos gazeteiros, estava representada a fase inaugural de um jornal, nascido sob os melhores auspícios, mas que pouca gente esperava atingir meio século.
Para mim e para Carlos Monteiro, a experiência começara em Belmonte com a publicação do "Pequeno Diário", um tablóide de 8 páginas, editado em l927 na cidade sulina. O jornal belmontense que, infelizmente não possuo nenhum exemplar, me deu a experiência necessária para assumir a chefia das oficinas do jornal ilheense, além do aprimoramento para exercer a responsabilidade da paginação do futuro diário na "Capital do Cacau".
Corno primeiro gráfico do DIÁRIQ e por ter sido chamado a Ilhéus na segunda quinzena de Dezembro, assisti inclusive a instalação de sua oficina e a chegada da equipe arregimentada em Salvador, em janeiro quando começou a chegar o material tipográfico sendo que a impressora, vindo da Alemanha, ainda prestando serviço no jornal, chegou quase na mesma ocasião da chegada do gráfico, tendo a frente o saudoso Octavio Moura.
A impressora foi montada por um mecânico especializado também da capital bahiana, já que não incluíram a sua planta, por ocasião da embalagem e o mecânico mais capacitado para montá-la, na cidade, Juvenal "Nascimento não conseguiu resolver a situação.
Como se nota não havia dificuldade que não fosse superada para a instalação e posterior publicação do tradicional DIÁRIO DA TARDE, cujo primeiro número apareceu no dia 10 de fevereiro de 1928 numa sexta-feira; precisamente às 15,30.
Creio que da primeira equipe do cinqüentão jornal apenas ainda permaneço no mundo dos vivos. De fato, um privilégio.
Rubens E da Silva. Diário da Tarde. Ilhéus/BA 10 e 11/02/1978
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Senador Wenceslau Guimarães.
RIO — Não quero dizer que os políticos de antes de 1930, eram santinhos, mesmo porque, desde que me entendo, política representa esperteza, sagacidade, astúcia, artificio, etc, porém, os velhos políticos, pelo menos de modo geral, procuravam se apresentar como verdadeiros líderes, valorizando a sua palavra e sempre respeitado por todos, em qualquer situação em que se encontrassem.
Muitos desses respeitáveis políticos perderam seus haveres durante as lutas eleitorais, gastando fortunas pará arrebanhar eleitores por ocasião dos pleitos, lhe fornecendo roupas, transportes e alimentação, por conta própria. Tudo a troco do seu prestígío, que ficava intacto, mesmo quando estava "de baixo". Eram os clamados “corenéis”, donos dos "currais eleitorais, em fase de extinção.
Antes da Revolução da 1930, existiam, senadores estaduais e na região cacaueira, «uns três chefes políticos participaram da Camará Alta do Estado da Bahia.
Em Ilhéus, tínhamos o senador Antônio Pessoa da Costa e Silva, que por muitos anos comandou a política de todo o município, nomeando e demitindo autoridades policiais, elegendo intendentes (prefeitos1) e designando juízes do paz, na época cargo eminentemente político.
Em 1930, quando era prefeito o "pessoista" Durval Olivieri, vitorioso o movímento da Aliança Libertadora, houve, naturalmente a queda dos comandado; do Senador Pessoa e a ascenção dos Lavigne, sob a chefia ao dr. Artur Lavigne, eleito deputado federal.
Outro senador da zona cacaueira foi o dr. Wenceslsu Guimarães, que chegou a governar o Estado da Bahia, por algumas horas, naquele 30 de outubro de 1930, devido a uma desorientação que se apossou nas lides governamentais.
Na ocasião, governava Belmonte o dr. Hamilton Gomes de Oliveira, que perdeu o posto para o dr. Achiles Seabra de Oliveíra, nomeado interventor da cidade.
O Senador Wenceslau Guimarães, era um político, podemos dizer, satírico e, quando nos recessos parlamentares costumava descansar no seu palacete em Belmonte, na Rua Marechal Deodoro, hoje cais da porto.
Em Belmonte participava das rodas, que os mais destacados elementos da cídade realizavam, fossem elas no "Grande Ponto", nas casas comerciais, ou mesmo na venda do Pedro Serra, onde todas as tardes, eram disputados Jogos de gamão .
Numa destas '"rodïnhas" o senador belmontense, com sua verve, começou a faiar dos defeitos e virtudes dos seus maunícipes e, tendo incluído 'determinada pessoa, foi advertido:
Mas Senador, esta pessoa é de bem e não sabemos que cia tttiha "rabo".
E o senador, sem perder tempo, retruca:
— Melhor -airda. Aí podemos botar "rabo” do tamanho que quisermos...
Com esta sentença, o grupo se desfez.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 24/07/1978
Muitos desses respeitáveis políticos perderam seus haveres durante as lutas eleitorais, gastando fortunas pará arrebanhar eleitores por ocasião dos pleitos, lhe fornecendo roupas, transportes e alimentação, por conta própria. Tudo a troco do seu prestígío, que ficava intacto, mesmo quando estava "de baixo". Eram os clamados “corenéis”, donos dos "currais eleitorais, em fase de extinção.
Antes da Revolução da 1930, existiam, senadores estaduais e na região cacaueira, «uns três chefes políticos participaram da Camará Alta do Estado da Bahia.
Em Ilhéus, tínhamos o senador Antônio Pessoa da Costa e Silva, que por muitos anos comandou a política de todo o município, nomeando e demitindo autoridades policiais, elegendo intendentes (prefeitos1) e designando juízes do paz, na época cargo eminentemente político.
Em 1930, quando era prefeito o "pessoista" Durval Olivieri, vitorioso o movímento da Aliança Libertadora, houve, naturalmente a queda dos comandado; do Senador Pessoa e a ascenção dos Lavigne, sob a chefia ao dr. Artur Lavigne, eleito deputado federal.
Outro senador da zona cacaueira foi o dr. Wenceslsu Guimarães, que chegou a governar o Estado da Bahia, por algumas horas, naquele 30 de outubro de 1930, devido a uma desorientação que se apossou nas lides governamentais.
Na ocasião, governava Belmonte o dr. Hamilton Gomes de Oliveira, que perdeu o posto para o dr. Achiles Seabra de Oliveíra, nomeado interventor da cidade.
O Senador Wenceslau Guimarães, era um político, podemos dizer, satírico e, quando nos recessos parlamentares costumava descansar no seu palacete em Belmonte, na Rua Marechal Deodoro, hoje cais da porto.
Em Belmonte participava das rodas, que os mais destacados elementos da cídade realizavam, fossem elas no "Grande Ponto", nas casas comerciais, ou mesmo na venda do Pedro Serra, onde todas as tardes, eram disputados Jogos de gamão .
Numa destas '"rodïnhas" o senador belmontense, com sua verve, começou a faiar dos defeitos e virtudes dos seus maunícipes e, tendo incluído 'determinada pessoa, foi advertido:
Mas Senador, esta pessoa é de bem e não sabemos que cia tttiha "rabo".
E o senador, sem perder tempo, retruca:
— Melhor -airda. Aí podemos botar "rabo” do tamanho que quisermos...
Com esta sentença, o grupo se desfez.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 24/07/1978
Sargento Hermâncio, o imprevisível.
RIO — Em 1943, quando foi inaugurado o pioneiro Conjunto Residencial do IAPI, do Realengo, este subúrbio era um dos que possuía mais soociedades recreativas, no antigo Distrito Federal. Na maioria com departamento de futebol, exceto as mútuas Progressista e Vila Neva, cuja finalidade era prestar assistência funerária aos seus associados. Muitas desapareceram devido as constantes reformulações das leis que dificultavam a sua existência ou mesmo a criação de novos núcleos sociais.
Como não podia deixar de ser, os locatários do novo Conjunto resolveram também, fundar a sua agremiação, que recebeu o nome de Centro Recreativo Industriários de Realengo, mais conhecido pela sigla CRIR, inaugurado oficialmente no dia 1° de janeiro de 1944, com uma solenidade em que participaram, além do presidente do IAPI, dr. Plínio Catanhede, a saudosa Assistente Social Zenith Miranda, incentivadora da nova entidade que desta maneira preenchia um dos pontos do programa do centro habitacional.
Dentre as organizações de Realengo, estavam o Cruzeiro, Jaú, Ipiranga, Realengo, Coqueiros e o Rarum, este formado de sargentos dos quartéis sediados na área militar compreendida entre Deodoro e Realengo, incluindo Magalhães Bastos e Vila Militar.
O intercâmbio entre as entidades era intenso e dele passou a participarem o Grêmio Estudantil e Liberdade Clube Atlético, este de funcionrios do Instituto. Os dirigentes tinham transito livre durante as festidades das coirmãs e nas grandes festas, como aniversario e coroação da Rainha da Primavera. O trânsito é estendido aos associados, em pleno gozo de seus direitos. Até hoje é censervada muito amizade nascida naquela época.
Foi como diretor do CRIR que visitando o Rarum, conheci o velho sargento Hermâncio, mais precisamete Hermâncio da Silva Neto. Bom camarada. Alegre e o que nós lá no Norte chamamos "sem bondade". De atitudes imprevisíveis hoje Hermâncio um pacato capitão do Exército, reformado, arredio das atividades sociais que a juventude modificou, podem dizer, radicalmente.
No primeiro encontro, o convidei para a festa de aniversário de uma sua filha, na Vila Militar. No dia da festa o tempo se apresentava normal mas depois do meio dia o aparecimento de nuvens densas, anunciava uma noite chuvosa, o que realmente aconteceu, a maioria dos convidados deixou de comparecer ao "parabéns pra você" c garota do nosso velho amigo. O mau tempo e o reduzido número de participantes, contrariaram os pais da aniversáriante, pois a despesa com salgados, refrigerantes e chopp foi enorme. Para "afogar" a contrariedade, Hermancio começou a bebericar e a certa altura, aparece no centro da sala e num patético apelo, exclama:
— Por favor bebam e comam a vontade. Tudo está pago. Por amor de Deus bebam mesmo... »
De outra feita recebi um bem elaborado cartão-convite para outro aniversário na casa do Hermâncio. Não era convite. Era uma intimação. No dia aprasado, os convidados, em grande número, apareceram e na hora de apagar as "velinhas"' surge a aniversariante. Surpresa geral. Quem completava tempo era uma cachorrinha.
Como qualquer mortal, Hermâncio tinha um inimigo gratuito. Seu vizinho que não se conformava com as alegrias do sargento, parecendo até ter ogeriza aos ótimos conjuntos musicais que abrilhantavam as festas. Inclusive, proibia que sua filha, uma jovem mocinha, frequentasse a casa do sargento.
Certa noite o "inimigo" é atacado de mal súbito. A primeira pessoa que lhe assistiu foi justamente o velho Hermâncio que tentou transportá-lo para o hospital. Não foi possível. O vizinho morreu nos seus braços.
E' assim o imprevisível Hermâncio da Silva Neto. Para mim o capitão reformado é o mesmo sargento do Rarum.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 01/11/1978
Como não podia deixar de ser, os locatários do novo Conjunto resolveram também, fundar a sua agremiação, que recebeu o nome de Centro Recreativo Industriários de Realengo, mais conhecido pela sigla CRIR, inaugurado oficialmente no dia 1° de janeiro de 1944, com uma solenidade em que participaram, além do presidente do IAPI, dr. Plínio Catanhede, a saudosa Assistente Social Zenith Miranda, incentivadora da nova entidade que desta maneira preenchia um dos pontos do programa do centro habitacional.
Dentre as organizações de Realengo, estavam o Cruzeiro, Jaú, Ipiranga, Realengo, Coqueiros e o Rarum, este formado de sargentos dos quartéis sediados na área militar compreendida entre Deodoro e Realengo, incluindo Magalhães Bastos e Vila Militar.
O intercâmbio entre as entidades era intenso e dele passou a participarem o Grêmio Estudantil e Liberdade Clube Atlético, este de funcionrios do Instituto. Os dirigentes tinham transito livre durante as festidades das coirmãs e nas grandes festas, como aniversario e coroação da Rainha da Primavera. O trânsito é estendido aos associados, em pleno gozo de seus direitos. Até hoje é censervada muito amizade nascida naquela época.
Foi como diretor do CRIR que visitando o Rarum, conheci o velho sargento Hermâncio, mais precisamete Hermâncio da Silva Neto. Bom camarada. Alegre e o que nós lá no Norte chamamos "sem bondade". De atitudes imprevisíveis hoje Hermâncio um pacato capitão do Exército, reformado, arredio das atividades sociais que a juventude modificou, podem dizer, radicalmente.
No primeiro encontro, o convidei para a festa de aniversário de uma sua filha, na Vila Militar. No dia da festa o tempo se apresentava normal mas depois do meio dia o aparecimento de nuvens densas, anunciava uma noite chuvosa, o que realmente aconteceu, a maioria dos convidados deixou de comparecer ao "parabéns pra você" c garota do nosso velho amigo. O mau tempo e o reduzido número de participantes, contrariaram os pais da aniversáriante, pois a despesa com salgados, refrigerantes e chopp foi enorme. Para "afogar" a contrariedade, Hermancio começou a bebericar e a certa altura, aparece no centro da sala e num patético apelo, exclama:
— Por favor bebam e comam a vontade. Tudo está pago. Por amor de Deus bebam mesmo... »
De outra feita recebi um bem elaborado cartão-convite para outro aniversário na casa do Hermâncio. Não era convite. Era uma intimação. No dia aprasado, os convidados, em grande número, apareceram e na hora de apagar as "velinhas"' surge a aniversariante. Surpresa geral. Quem completava tempo era uma cachorrinha.
Como qualquer mortal, Hermâncio tinha um inimigo gratuito. Seu vizinho que não se conformava com as alegrias do sargento, parecendo até ter ogeriza aos ótimos conjuntos musicais que abrilhantavam as festas. Inclusive, proibia que sua filha, uma jovem mocinha, frequentasse a casa do sargento.
Certa noite o "inimigo" é atacado de mal súbito. A primeira pessoa que lhe assistiu foi justamente o velho Hermâncio que tentou transportá-lo para o hospital. Não foi possível. O vizinho morreu nos seus braços.
E' assim o imprevisível Hermâncio da Silva Neto. Para mim o capitão reformado é o mesmo sargento do Rarum.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 01/11/1978
Sagacidade ─ fator de prosperidade.
RIO — Dificilmente uma pessoa que «do nada» e, por força do seu trabalho laborioso e, naturalmente com um pouco de sagacidade, vence na vida, recebe de parte da população, os elogios a que faz jus. Mesmo que a ascensão seja resultado da eliminação de qualquer lazer ou mesmo de um período, por pequeno que seja de descanso para a recuperação das forças perdidas durante suas atividades.
De modo geral, se cria em torno de tais elementos, histórias e anedotas que, repetidas, tomam forma de fatos verdadeiros, na base de que "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura"'.
Tratados como «canginha», «unha de fome», «munheca de porco», «avarento», «papagaio no arame», «sumítico» e de “mão fechada", tais elementos passam a ser vítimas da sociedade, mesmo depois, devido a sua nova posição nela ingresse. Aí as insinuações tornam novas roupagens e os criticados de ontem recebem os mais arraigados elogios, destacando a sua inclinação para a arte de negociar. Porém, no meio da "gentinha"', a fama permanece.
Efetivamente não se pode vencer na vida se o trabalho, por mais laborioso que seja a pessoa, seja isenta de sagacidade.
Agora mesmo acaba de falecer Paes Mendonça, dono de poderosa rede de Supermercados, iniciada em Salvador, mas avançando por toda região cacaueira. Sergipano de origem humilde, com trabalho e perseverança construiu um verdadeiro império, alcançando sólida fortuna. Um comerciante sagaz, sempre fazia imperar a sua vontade no acerto de qualquer transação.
Certa vez Paes Mendonça foi procurado por um "caixeiro viajante" que ia lhe propor a venda de uma grande partida de arame farpado. Entrou em negociação e já tinha feito o máximo de redução no preço sem, entretanto, chegar a um acordo pois o negociante ainda relutava no sentido de efetuar a compra. A certa altura, Paes Mendonça pergunta qual o espaço entre um grampo a outro do arame. Oito centímetros, respondeu o vendedor.
Você não poderia sugerir a fábrica aumentar o espaço para dez centímetros ?
E o negócio foi fechado, naturalmente com a sugestão do Mendonça.
Outro injustiçado foi o coronel Misasel Tavares. Muitas histórias em torno daquele que, de simples tropeiro, se tornou no homem mais rico da Bahia. A mais corriqueira era de que as anotações das compras a crédito feitas pelos seus empregados eram feiras em duplicata.
Mas o sergipano de Ilhéus a par de sua propalada falta de instrução, tinha um tino administrativo excepcional, além de ótimo estrategista. Muitas vezes, guando trocava idéias com seu genro e famoso advogado Gileno Amado acerca de ações Judiciárias, após ouvir os planos que seriam executados pelo causídico, dava a sua sugestão que, invariavelmente era adotada pelo causídico. A tese do Rei do Cacau sempre saía .vencedora.
“Em Itapebí, Sul da Bahia, tenho um primo, chamado Petrônio, tido e havido como ‘‘sovina”. Nada disso. Ele é apenas um trabalhador dinâmico que, depois de ficar com as finanças arrazadas, devido a uma frustrada tentativa de suicídio, mesmo antes de se recuperar, se embrenhou pelas matas e após trabalho laborioso reconquistou a sua independência. Deu a "volta por cima” e é hoje um médio fazendeiro que não compra nem vende fiado. Também não "fecha" a sua produção de cacau.
Antes, Petrônio era balconista que, depois de ser despedido pelo patrão, por insinuações de terceiros e rejeitar um convite para voltar, se estabeleceu. Como os dois citados, o primo tinha uma sagacidade e presença de espírito dignas de nota.
Certa vez uma freguesa lhes perguntara quanto custava um litro de querosene (gás no interior). Um mil réis responde o negociante.
— Seu Petrônio, o senhor. não deixa por mil e quinhentos?
Pois não, minha tia. É só para a senhora que é uma boa freguesa.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 25/10/1978
De modo geral, se cria em torno de tais elementos, histórias e anedotas que, repetidas, tomam forma de fatos verdadeiros, na base de que "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura"'.
Tratados como «canginha», «unha de fome», «munheca de porco», «avarento», «papagaio no arame», «sumítico» e de “mão fechada", tais elementos passam a ser vítimas da sociedade, mesmo depois, devido a sua nova posição nela ingresse. Aí as insinuações tornam novas roupagens e os criticados de ontem recebem os mais arraigados elogios, destacando a sua inclinação para a arte de negociar. Porém, no meio da "gentinha"', a fama permanece.
Efetivamente não se pode vencer na vida se o trabalho, por mais laborioso que seja a pessoa, seja isenta de sagacidade.
Agora mesmo acaba de falecer Paes Mendonça, dono de poderosa rede de Supermercados, iniciada em Salvador, mas avançando por toda região cacaueira. Sergipano de origem humilde, com trabalho e perseverança construiu um verdadeiro império, alcançando sólida fortuna. Um comerciante sagaz, sempre fazia imperar a sua vontade no acerto de qualquer transação.
Certa vez Paes Mendonça foi procurado por um "caixeiro viajante" que ia lhe propor a venda de uma grande partida de arame farpado. Entrou em negociação e já tinha feito o máximo de redução no preço sem, entretanto, chegar a um acordo pois o negociante ainda relutava no sentido de efetuar a compra. A certa altura, Paes Mendonça pergunta qual o espaço entre um grampo a outro do arame. Oito centímetros, respondeu o vendedor.
Você não poderia sugerir a fábrica aumentar o espaço para dez centímetros ?
E o negócio foi fechado, naturalmente com a sugestão do Mendonça.
Outro injustiçado foi o coronel Misasel Tavares. Muitas histórias em torno daquele que, de simples tropeiro, se tornou no homem mais rico da Bahia. A mais corriqueira era de que as anotações das compras a crédito feitas pelos seus empregados eram feiras em duplicata.
Mas o sergipano de Ilhéus a par de sua propalada falta de instrução, tinha um tino administrativo excepcional, além de ótimo estrategista. Muitas vezes, guando trocava idéias com seu genro e famoso advogado Gileno Amado acerca de ações Judiciárias, após ouvir os planos que seriam executados pelo causídico, dava a sua sugestão que, invariavelmente era adotada pelo causídico. A tese do Rei do Cacau sempre saía .vencedora.
“Em Itapebí, Sul da Bahia, tenho um primo, chamado Petrônio, tido e havido como ‘‘sovina”. Nada disso. Ele é apenas um trabalhador dinâmico que, depois de ficar com as finanças arrazadas, devido a uma frustrada tentativa de suicídio, mesmo antes de se recuperar, se embrenhou pelas matas e após trabalho laborioso reconquistou a sua independência. Deu a "volta por cima” e é hoje um médio fazendeiro que não compra nem vende fiado. Também não "fecha" a sua produção de cacau.
Antes, Petrônio era balconista que, depois de ser despedido pelo patrão, por insinuações de terceiros e rejeitar um convite para voltar, se estabeleceu. Como os dois citados, o primo tinha uma sagacidade e presença de espírito dignas de nota.
Certa vez uma freguesa lhes perguntara quanto custava um litro de querosene (gás no interior). Um mil réis responde o negociante.
— Seu Petrônio, o senhor. não deixa por mil e quinhentos?
Pois não, minha tia. É só para a senhora que é uma boa freguesa.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 25/10/1978
Rio─Ilhéus, antes das BR-116 e BR-101.
— Foi um encontro fortuito, lá em frente ao desaparecido Hotel Avenida -— o preferido dos ilheenses — com Elísio Nunes, pioneiro dos transportes coletivos na Capital do Cacau. Foi em julho de 1943, justamente quando estava em dificuldades devido a guerra procurando resolver como chegar a Princeza do Sul, afim de transportar a família para o Rio onde acabara de fixar residência.
Naquele encontro com o saudoso homem de negócios, ficava praticamente solucionada minha situação, pois Elisio Nunes me ofereceu uma passagem no ônibus que acabara de adquirir em São Paulo, para aumentar a sua frota que fazia ligação rodoviária na zona Cacaueira. Apenas um detalhe: A viagem seria iniciada na cidade mineira de Montes Claros, para onde deveria me dirigir e estar em determinado dia. A cidade distava do Rio cerca de 1116 quilômetros por via ferroviária.
No dia aprazado iniciei a viagem, na "gare" D. Pedro II com destino a Minas Gerais, ou melhor para Belo Horizonte, onde cheguei depois de 16 horas, durante as quais em quase todas as paradas era obrigado a exibir documentos de identificação à policiais. Depois de pernoitar na capital mineira, prossegui viagem, ainda de trem, por mais de 10 horas, até Montes Claros. Mesmo incômoda, devido ao entra e sai de passageiros com as mais variadas bagagens, a viagem de trem pelo interior é bastante divertida.
Agradável surpresa me aguardava em Montes Claros, Lá estavam, entre os 13 passageiros, componentes da comitiva, Henrique Lucas e família além da esposa do Nunes e os comerciantes Tagarela, e Moisés. Todos conhecidos que serviram para amenizar os percalços da viagem feita em estradas intransitáveis, na sua maior parte e que exigia muito da perícia do motorista Antônio, verdadeiro "az" do volante; O motorista ia imune às reclamações dos passageiros que não se cançavam de criticar o governo pelo. estado das estradas-Em compensação, parecia estar confiante nas orações de d. Graziela Lucas, que desde o embarque não abandonou seu rosário, fazendo prece pela integridade dos seus companheiros.
Foi, de fato, uma viagem interessante e cheia de surpresas, tais como a existência na cidade de Francisco de Sá, de uma rua calçada a cristal de rocha, mantida. iniatacta apesar de na época o mineral- se constituir de matéria prima de alta utilidade nos preparativos bélicos para a segunda grande guerra. Também surpreendeu a comitiva a temperatura negativa de um lugarejo chamado Itamarati, que, para a "gozação" da maioria, obrigou Henrique Lucas lavar o rosto usando luvas. O preço da cachaça, mais barato que um cafezinho também nos chamou atenção.
Finalmente, depois de três dias chegamos a Vitória da Conquista e depois de uma noite de descanço seguimos para Ilhéus. A viagem que era animada com as piadas de Tagarela, ficou animadíssima com a adesão de mais um companheiro, Hamilton Almeida e as 13 últimas horas foram efetivamente maravilhosas e descontraídas. Ao atingir o ápice da Serra do Marcal, a delegação foi obrigada a descer e seus componentes a deixar seus autógrafos, numa homenagem ao seu construtor, o conterrâneo Raymundo Costa. A rodovia ligando as três serras é, de fato, uma obra monumental da engenharia brasileira. Ao chegar a Ilhéus a comitiva havia percorrido, além dos: 1110 quilômetros ferroviários, mais 889 rodoviários, levando cerca de 4 dias. Hoje, apenas 21 horas, pela litorânea e 29 pela antiga Rio-Bahia, se faz esta ligação, isto porque o DNER limitou a velocidade dos veículos.
E por falar em estradas é bom se fazer um apelo ao Departamento de Estradas de Rodagem no sentido de uma eficiente conservação nas rodovias, pois nas duas
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 12/07/1978
Naquele encontro com o saudoso homem de negócios, ficava praticamente solucionada minha situação, pois Elisio Nunes me ofereceu uma passagem no ônibus que acabara de adquirir em São Paulo, para aumentar a sua frota que fazia ligação rodoviária na zona Cacaueira. Apenas um detalhe: A viagem seria iniciada na cidade mineira de Montes Claros, para onde deveria me dirigir e estar em determinado dia. A cidade distava do Rio cerca de 1116 quilômetros por via ferroviária.
No dia aprazado iniciei a viagem, na "gare" D. Pedro II com destino a Minas Gerais, ou melhor para Belo Horizonte, onde cheguei depois de 16 horas, durante as quais em quase todas as paradas era obrigado a exibir documentos de identificação à policiais. Depois de pernoitar na capital mineira, prossegui viagem, ainda de trem, por mais de 10 horas, até Montes Claros. Mesmo incômoda, devido ao entra e sai de passageiros com as mais variadas bagagens, a viagem de trem pelo interior é bastante divertida.
Agradável surpresa me aguardava em Montes Claros, Lá estavam, entre os 13 passageiros, componentes da comitiva, Henrique Lucas e família além da esposa do Nunes e os comerciantes Tagarela, e Moisés. Todos conhecidos que serviram para amenizar os percalços da viagem feita em estradas intransitáveis, na sua maior parte e que exigia muito da perícia do motorista Antônio, verdadeiro "az" do volante; O motorista ia imune às reclamações dos passageiros que não se cançavam de criticar o governo pelo. estado das estradas-Em compensação, parecia estar confiante nas orações de d. Graziela Lucas, que desde o embarque não abandonou seu rosário, fazendo prece pela integridade dos seus companheiros.
Foi, de fato, uma viagem interessante e cheia de surpresas, tais como a existência na cidade de Francisco de Sá, de uma rua calçada a cristal de rocha, mantida. iniatacta apesar de na época o mineral- se constituir de matéria prima de alta utilidade nos preparativos bélicos para a segunda grande guerra. Também surpreendeu a comitiva a temperatura negativa de um lugarejo chamado Itamarati, que, para a "gozação" da maioria, obrigou Henrique Lucas lavar o rosto usando luvas. O preço da cachaça, mais barato que um cafezinho também nos chamou atenção.
Finalmente, depois de três dias chegamos a Vitória da Conquista e depois de uma noite de descanço seguimos para Ilhéus. A viagem que era animada com as piadas de Tagarela, ficou animadíssima com a adesão de mais um companheiro, Hamilton Almeida e as 13 últimas horas foram efetivamente maravilhosas e descontraídas. Ao atingir o ápice da Serra do Marcal, a delegação foi obrigada a descer e seus componentes a deixar seus autógrafos, numa homenagem ao seu construtor, o conterrâneo Raymundo Costa. A rodovia ligando as três serras é, de fato, uma obra monumental da engenharia brasileira. Ao chegar a Ilhéus a comitiva havia percorrido, além dos: 1110 quilômetros ferroviários, mais 889 rodoviários, levando cerca de 4 dias. Hoje, apenas 21 horas, pela litorânea e 29 pela antiga Rio-Bahia, se faz esta ligação, isto porque o DNER limitou a velocidade dos veículos.
E por falar em estradas é bom se fazer um apelo ao Departamento de Estradas de Rodagem no sentido de uma eficiente conservação nas rodovias, pois nas duas
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 12/07/1978
Reminiscências de Belmonte (II).
Voltemos ao encontro com o Da Costa e as lembranças dos bons tempos de Belmonte, que já naquela época o Dr. Péricles a chamava de um País e hoje muitos dos seus filhos dizem que ele é a terra do "Já Teve".
Estou com os dois apelidos e comigo está o velho Symaco. Justificando, lembro que na minha terra "já teve" corpo cênico, “já teve" clube literário, “já teve"', corrida de cavalos, "já. teve"' jornal diário, antes circulavam dois jornais (semanários), "já teve" Tiro de Guerra, "já teve” teatro e cinema, "já teve" campeonato regular de futebol, "já teve" livraria, de Cursino Leite.
Passamos em revista as reuniões sociais-dançantes nas casas de dcsta-cadat figuras cia sociedade ,ao som de conjuntos musicais ou mesmo anima das por pianistas. Chegamos a conclusão de que, naquele tempo, existiam cerca de 20 pianos nas residências dos prósperos fazendeiros e dos que hoje chamamos "granfinos", onde se destacava a pianista Palmira Brasão.
Não esquecemos do "bate-barriga" do Liodorio lá nos Sifans, à luz de fifós. As festas de Cabo-Verde e das Anãs. Os cantores preferidos como Irenio e Manoel Rosa. O Santo António de Cirilo e a canjica com genipapo durante as festas juninas. As bodas de prata do noivado de Zimbú Chapadeiro. A façanha inacreditável de João Panã, roubando a filha de Senhorinha, da "15", sendo ele um Lira. As façanhas do “42” e a batalha entre os garotos da Preguiça o da Ponta de Areia. O incêndio do coreto da '15' na véspcra de Natal e a sua imdiata restauração. As barcaças Jacira -e Luzitana. As lanchas de ligação entre Canaveiras e Belmonte. O encalhe do Porto Seguro, na barra. A morte de Vicente Santana, assassinado no Grande Ponto, As serenatas nas noites de luar nas águas do Jequitionha. As cheganças. As batalhas entre Mouros e Portugueses. Os cordões carnavalescos. A Associação dos Escoteiros de Belmonte e sua vitoriosa visita a Ilhéus. O primeiro automóvel chegado a Belmonte, adaptado para Alexandre Coxo. O caminhão de Morenito que ocasionou o primeiro desastre fatal, matando uma criança na Praça da Matriz. O mingau de Tia Chica. A quitanda de Porfíria, onde ocorreu o incidente que encerrou as atividades do Tiro de Guerra 595. A tenacidade de Aristóteles Duarte, enfrentando os correligionários do então intendente Alfredo Matos. A primeira visita da Lira à Porto Seguro. O circo Hermosa e o palhaço Brandão cantando uma "embolada" feita por Carlos Monteiro. A estreia do Belmonte e o mais rápido gol "engolido" pelo Orlando Paternostro. As brigas depois dos jogos, na Praça da Matriz.
Além destes fatos anotamos os nomes das principais figuras que fizeram a história da cidade, pela projeção e atos que merecem a consideração dos belmontenses. Começamos pelos huanitários médicos drs. Zezé (José Teixeira de Freitas), Zezinho (José Matos), Zanie Caldas e, por fim Pinto Dantas, que percorriam toda a cidade atendendo aos que precisassem da sua ajuda, não levando em consideração o resultado econômico do paciente.
E num ping-pong nostálgico, fomos assinalando os seguites nomes: António de Astério, Teófilo Barros, Perminio Santos, Jersulino Lopes, Leonel Santos; João Bonfim, Saturnino Santos, Melquíades Nascimento, Vicente Marseli, João Vicente, Mestre Arcelino — todos operários e exímios profissionais — Vitorino Anastácio, Pascoal Camalier, Felismino Melo, Tiago Valverde, Francisco Batsta, Trajano Reis, Inocêncio Costa, os Conceições, os Ramos, os Monteiros, os Paivas (Januário e Frotelmo). os Andrades (Benjamin, Mário e José), Heitor Camacho, os Patemostros, os Magnavitas, Orlando e Carlos Cruz, os Salumes, os Brasões os Cecilianos (Marques e Siqueira), os Poassus, os Mates (Olegário e Alfredo), os Megas, os Gifonis, Antero Pitanga, os Bandeiras, os Costas (Alfredo e Saturnino), Frei Belém, Tirmênio Prisco, os Silva (Cândido, Joaquim e João), Lafaiete Ataíde, os Rezendes, Baduca Faísca, Gerônimo Gama, os Daielos, os Storinos, os Lemos, os Duartes (José e Aristides), Leocádio Ramos, os Gomes, Jacob Schineider, os Rapoldes, os Quaresmas, Demerval Viana, Adelino Ribeiro da Costa, os Seixas, Artur Vieira, Francisco Batista, os Reuters, os padres Altino, Evaristo, Barreto e Granja, Teodoro Guimarães, os Ludgeros, Pedro Serra, os Chapadciros e os Baficas, dentre outros.
Muitos fatos foram relembrados, alguns até pitorescos que pretendo passar para esta coluna, oportunamente.
De fato, foi um dia maravilhoso aquela lá em Queimados.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 29/09/1978
Estou com os dois apelidos e comigo está o velho Symaco. Justificando, lembro que na minha terra "já teve" corpo cênico, “já teve" clube literário, “já teve"', corrida de cavalos, "já. teve"' jornal diário, antes circulavam dois jornais (semanários), "já teve" Tiro de Guerra, "já teve” teatro e cinema, "já teve" campeonato regular de futebol, "já teve" livraria, de Cursino Leite.
Passamos em revista as reuniões sociais-dançantes nas casas de dcsta-cadat figuras cia sociedade ,ao som de conjuntos musicais ou mesmo anima das por pianistas. Chegamos a conclusão de que, naquele tempo, existiam cerca de 20 pianos nas residências dos prósperos fazendeiros e dos que hoje chamamos "granfinos", onde se destacava a pianista Palmira Brasão.
Não esquecemos do "bate-barriga" do Liodorio lá nos Sifans, à luz de fifós. As festas de Cabo-Verde e das Anãs. Os cantores preferidos como Irenio e Manoel Rosa. O Santo António de Cirilo e a canjica com genipapo durante as festas juninas. As bodas de prata do noivado de Zimbú Chapadeiro. A façanha inacreditável de João Panã, roubando a filha de Senhorinha, da "15", sendo ele um Lira. As façanhas do “42” e a batalha entre os garotos da Preguiça o da Ponta de Areia. O incêndio do coreto da '15' na véspcra de Natal e a sua imdiata restauração. As barcaças Jacira -e Luzitana. As lanchas de ligação entre Canaveiras e Belmonte. O encalhe do Porto Seguro, na barra. A morte de Vicente Santana, assassinado no Grande Ponto, As serenatas nas noites de luar nas águas do Jequitionha. As cheganças. As batalhas entre Mouros e Portugueses. Os cordões carnavalescos. A Associação dos Escoteiros de Belmonte e sua vitoriosa visita a Ilhéus. O primeiro automóvel chegado a Belmonte, adaptado para Alexandre Coxo. O caminhão de Morenito que ocasionou o primeiro desastre fatal, matando uma criança na Praça da Matriz. O mingau de Tia Chica. A quitanda de Porfíria, onde ocorreu o incidente que encerrou as atividades do Tiro de Guerra 595. A tenacidade de Aristóteles Duarte, enfrentando os correligionários do então intendente Alfredo Matos. A primeira visita da Lira à Porto Seguro. O circo Hermosa e o palhaço Brandão cantando uma "embolada" feita por Carlos Monteiro. A estreia do Belmonte e o mais rápido gol "engolido" pelo Orlando Paternostro. As brigas depois dos jogos, na Praça da Matriz.
Além destes fatos anotamos os nomes das principais figuras que fizeram a história da cidade, pela projeção e atos que merecem a consideração dos belmontenses. Começamos pelos huanitários médicos drs. Zezé (José Teixeira de Freitas), Zezinho (José Matos), Zanie Caldas e, por fim Pinto Dantas, que percorriam toda a cidade atendendo aos que precisassem da sua ajuda, não levando em consideração o resultado econômico do paciente.
E num ping-pong nostálgico, fomos assinalando os seguites nomes: António de Astério, Teófilo Barros, Perminio Santos, Jersulino Lopes, Leonel Santos; João Bonfim, Saturnino Santos, Melquíades Nascimento, Vicente Marseli, João Vicente, Mestre Arcelino — todos operários e exímios profissionais — Vitorino Anastácio, Pascoal Camalier, Felismino Melo, Tiago Valverde, Francisco Batsta, Trajano Reis, Inocêncio Costa, os Conceições, os Ramos, os Monteiros, os Paivas (Januário e Frotelmo). os Andrades (Benjamin, Mário e José), Heitor Camacho, os Patemostros, os Magnavitas, Orlando e Carlos Cruz, os Salumes, os Brasões os Cecilianos (Marques e Siqueira), os Poassus, os Mates (Olegário e Alfredo), os Megas, os Gifonis, Antero Pitanga, os Bandeiras, os Costas (Alfredo e Saturnino), Frei Belém, Tirmênio Prisco, os Silva (Cândido, Joaquim e João), Lafaiete Ataíde, os Rezendes, Baduca Faísca, Gerônimo Gama, os Daielos, os Storinos, os Lemos, os Duartes (José e Aristides), Leocádio Ramos, os Gomes, Jacob Schineider, os Rapoldes, os Quaresmas, Demerval Viana, Adelino Ribeiro da Costa, os Seixas, Artur Vieira, Francisco Batista, os Reuters, os padres Altino, Evaristo, Barreto e Granja, Teodoro Guimarães, os Ludgeros, Pedro Serra, os Chapadciros e os Baficas, dentre outros.
Muitos fatos foram relembrados, alguns até pitorescos que pretendo passar para esta coluna, oportunamente.
De fato, foi um dia maravilhoso aquela lá em Queimados.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 29/09/1978
Reminiscências de Belmonte (I).
RIO — Foi um dia maravilhoso aquele, em Queimados, na Baixada Fluminense, cujo principal assunto foi Belmonte .
Pela manhã, acompanhado do genro Fiorisvaldo, resolvi visitar o amigo-irmão Symaco Américo da Costa, jornalista e membro da Academia Brasileira de Trovas, hoje gozando de tranquila aposentadoria, após mais da 35 anos nas "Associadas".
Da Costa, na intimidade, filho de saudoso mestre de bandas Messias Américo da Costa é também um apaixonado pela sublime arte das 7 notas. Canavicirense de nascimento, tornou-se de coração, pois foi nesta cidade banhada pelo Jequitinhonha, onde passou a melhor fase da sua vida ou seja, da juventude, .participando das atividades da Lira Popular e do Tiro de Guerra 595 duas escolas oue realmente preparavam seus componentes paia a realidade da vida. O convívio com pessoas das mais diferentes índoles, nos ensina muito, mesmo porque ;a muioria na prática, é diferente.
Mal cheguei fui cercado pelo Symaco, Izabel e Sá Chica, to dos demonstrando contentamento com a inesperada visita. Da Costa queria notícias do Belmonte atual, tais como, o calçamento de ruas e a contenção do Rio Jequitionha, como o cais construído pelo intendente Godofredo Bandeira, no período 1938/1939 evitando o desaparecimento da cidade devido a um ato impensado do Horácio Farias, seu antecessor, mandando destruir um espigão, na curva do Freire, que defendia a cidade das periódicas enchentes do caudaloso rio. Das indagações sobre a atualidade, passando a recordar coisas da nossa juventude nos idos de 1915 a 1920. pri, meiro das personalidades, muitas das quais serviram de exemplo a nossa geração a começar pelos professores que nos tratavam como verdadeiros filhos de acordo com os rigorosos processos da época.
Em primeiro plano, o professor Lúcio Coelho Júnior, que exerceu o magistério por mais de 30 anos, ainda lembrado com respeito, podemos dizer, por todos os belmontenses. De uma retidão impressionante. Desfilaram depois os professores Geraldo Baltazar da Silveira, Panfilo de Carvalho, Sebastião Campos, Heroína Gonçalves, Damiana Ramos e Maezinha Guimarães, todos intelectualizados e, com a excessão de Damiana, adotavam Felisberto de Carvalho, Trajano e Ribeiro, livros didáticos que eram adotados nos colégios públicos pela sua eficiência e facilidade de assimilação e sobretudo pela estabilidade, o que não acontece hoje, quando todos os anos, surgem novos livros para o aprendizado.
A Lira Popular e a 15 de Setembro foram lembradas pelas suas festas e pela rivalidade entre si, alem de representarem, de modo geral, duas entidades políticas. Na ''15" o pessoal do Cel. Alfredo Matos. Na Lira, os correligionários de Hermelino de Assis, ou simplesmente o Cel. Mili. Em tempo de festas, os encontros durante as passeatas resultavam numa verdadeira guerra e as retretas em frente a igreja, durante as festividades religiosas, os debates, quando não terminavam em brigas entre os adeptos, tornava-se necessária a intervenção das autoridades para por fim a contenda musical.
No Futcbol, os partidários políticos também se acomodavam nas duas “bandas”, ou seja, na "15" ou na Lira, com excessão do Pirajá e Associação Atlética, cujos torcedores, na sua maioria, pertenciam as facções políticas e incentivavam os clubes para um resultado que favorecesse o seu clube, de fato.
A nossaa conversa de reminiscências, intcrrompida por Isabel, para uns cafezinhos, passou a se referir a música, com a lembrança dos companheiros; de estante, regidos pelos mestres Gifoni. e António Andrade, sob a severa fiscalização do arquivista Alfredo Costa e o olhar penetrante do Julião São Pedro, ambos censurando as nossas estrepolias, das quais nunca participou o impenetrável Dário dos Santos,
Continuarei a relatar o "papo" na próxima crônica.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 28/09/1978
Pela manhã, acompanhado do genro Fiorisvaldo, resolvi visitar o amigo-irmão Symaco Américo da Costa, jornalista e membro da Academia Brasileira de Trovas, hoje gozando de tranquila aposentadoria, após mais da 35 anos nas "Associadas".
Da Costa, na intimidade, filho de saudoso mestre de bandas Messias Américo da Costa é também um apaixonado pela sublime arte das 7 notas. Canavicirense de nascimento, tornou-se de coração, pois foi nesta cidade banhada pelo Jequitinhonha, onde passou a melhor fase da sua vida ou seja, da juventude, .participando das atividades da Lira Popular e do Tiro de Guerra 595 duas escolas oue realmente preparavam seus componentes paia a realidade da vida. O convívio com pessoas das mais diferentes índoles, nos ensina muito, mesmo porque ;a muioria na prática, é diferente.
Mal cheguei fui cercado pelo Symaco, Izabel e Sá Chica, to dos demonstrando contentamento com a inesperada visita. Da Costa queria notícias do Belmonte atual, tais como, o calçamento de ruas e a contenção do Rio Jequitionha, como o cais construído pelo intendente Godofredo Bandeira, no período 1938/1939 evitando o desaparecimento da cidade devido a um ato impensado do Horácio Farias, seu antecessor, mandando destruir um espigão, na curva do Freire, que defendia a cidade das periódicas enchentes do caudaloso rio. Das indagações sobre a atualidade, passando a recordar coisas da nossa juventude nos idos de 1915 a 1920. pri, meiro das personalidades, muitas das quais serviram de exemplo a nossa geração a começar pelos professores que nos tratavam como verdadeiros filhos de acordo com os rigorosos processos da época.
Em primeiro plano, o professor Lúcio Coelho Júnior, que exerceu o magistério por mais de 30 anos, ainda lembrado com respeito, podemos dizer, por todos os belmontenses. De uma retidão impressionante. Desfilaram depois os professores Geraldo Baltazar da Silveira, Panfilo de Carvalho, Sebastião Campos, Heroína Gonçalves, Damiana Ramos e Maezinha Guimarães, todos intelectualizados e, com a excessão de Damiana, adotavam Felisberto de Carvalho, Trajano e Ribeiro, livros didáticos que eram adotados nos colégios públicos pela sua eficiência e facilidade de assimilação e sobretudo pela estabilidade, o que não acontece hoje, quando todos os anos, surgem novos livros para o aprendizado.
A Lira Popular e a 15 de Setembro foram lembradas pelas suas festas e pela rivalidade entre si, alem de representarem, de modo geral, duas entidades políticas. Na ''15" o pessoal do Cel. Alfredo Matos. Na Lira, os correligionários de Hermelino de Assis, ou simplesmente o Cel. Mili. Em tempo de festas, os encontros durante as passeatas resultavam numa verdadeira guerra e as retretas em frente a igreja, durante as festividades religiosas, os debates, quando não terminavam em brigas entre os adeptos, tornava-se necessária a intervenção das autoridades para por fim a contenda musical.
No Futcbol, os partidários políticos também se acomodavam nas duas “bandas”, ou seja, na "15" ou na Lira, com excessão do Pirajá e Associação Atlética, cujos torcedores, na sua maioria, pertenciam as facções políticas e incentivavam os clubes para um resultado que favorecesse o seu clube, de fato.
A nossaa conversa de reminiscências, intcrrompida por Isabel, para uns cafezinhos, passou a se referir a música, com a lembrança dos companheiros; de estante, regidos pelos mestres Gifoni. e António Andrade, sob a severa fiscalização do arquivista Alfredo Costa e o olhar penetrante do Julião São Pedro, ambos censurando as nossas estrepolias, das quais nunca participou o impenetrável Dário dos Santos,
Continuarei a relatar o "papo" na próxima crônica.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 28/09/1978
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