RIO — Sou eleitor incondicional do senador Nelson Carneiro; Inicialmente ncs idos de 1950, quando da sua candidatura ao Legislativo carioca pela União Democrática Nacional, pelo srimples e convincente fato de se tratar de um conterrâneo e depois, devido a sua campanha em favor da implantação do divórcio no Brasil. E olhe que sou bem casado há cerca de 45 anos .
O senador depois de uma oposição árdua, dirigida pelos católicos, con seguiu seu intento e, com isto, uma, podemos dizer, cadeira cativa na alta Câmara, contrariando um grupo de adversários poderosos, como se verificou na última eleição.
Mas será que o divórcio solucionou o problema dos maus casados?
De modo geral, creio que não. De iato uma boa parte dos casais aeísu-justaáos, mas de situação financeira previlegiada, conseguiu solucionar seu problema que, através de uma viagem ao México, já estava resolvido, porém a maioria, por motivos burocráticos e financeiros, continua no mesmo.
De modo geral a instituição do divórcio no Brasil foi um avanço, pois não era possível que, por motivos plenamente injustificáveis .nosso país continuasse na retaguarda da marcha vitoriosa, em quase todo o mundo, da legalização do distrato do casamento. Finalmente até na Itália o divorcio foi instituído, sem afetar a dignidade dos católicos.
Mas, apesar do divórcio, os problemas conjugais continuam. As brigas, os desentendimentos ,os atritos entre casais vão se repetindo e as separações em muitos casos, não serão legalizadas ,como era de se esperar.
Casos como o acontecido em Pontal, há muitos anos, quando um esposo enfurecido esfaqueou os órgãos genitais de sua companheira e dias depois estavam unidos outra vez, vão se repetir.
Raro de acontecer será o ocorrido na minha Belmonte-Bahia, onde um macumbeiro chamado «Pitoso», depois de separado muitos anos, da esposa e desta se entregar a "vida fácil", reiniciaram a vida como simples amantes. E o importante foi que, corno amantes, nunca mais brigaram.
Aqui, no Rio, tenho visto muitos casos de casais que vivem maritalmente se recusarem a casar, sob alegação de que após confirmarem o "até que a morte nos separe, o sossego do lar se transformará.
Diariamente os jornais publicam crimes ocorridos devido a ciúmes e infidelidades conjugais o que confirma o meu ponto de vista de que a luta pelo divórcio, encetada por Nelson Carneiro, em absoluto atingiu o objetivo do senador fluminense.
Há meses, um velho companheiro, morador em Realengo, quase meu vizinho, alegando incompatibilidade de gênios, só verificada após longos anos de união civil e religiosa, abandonou o lar e foi morar no interior.
Encontrando um conhecido, mesmo lamentando o ocorrido, se mostrou satisfeito com a separação. Durante a conversa confessou que, da separação, apenas sentia saudades do jardim da antiga casa, que ele cuidava com carinho,
O conhecido que era intimo do casal, imediatamente procurou a esposa-abandonada e, depois de um longo "pápó», informou sobre o encontro com o outrora companheiro e confidenciou o que ouvira acerca da separação e da saudosa lembrança do jardim.
A mulher ouviu pacientemente o «recados», sem demonstrar reação.
Mas no outro dia, pela manhã, mandou destruir o jardim.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã Ilhéus/BA 07/02/1979
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O divórcio e as eternas desavenças.
RIO — Sou eleitor incondicional do senador Nelson Carneiro; Inicialmente ncs idos de 1950, quando da sua candidatura ao Legislativo carioca pela União Democrática Nacional, pelo srimples e convincente fato de se tratar de um conterrâneo e depois, devido a sua campanha em favor da implantação do divórcio no Brasil. E olhe que sou bem casado há cerca de 45 anos .
O senador depois de uma oposição árdua, dirigida pelos católicos, con seguiu seu intento e, com isto, uma, podemos dizer, cadeira cativa na alta Câmara, contrariando um grupo de adversários poderosos, como se verificou na última eleição.
Mas será que o divórcio solucionou o problema dos maus casados?
De modo geral, creio que não. De iato uma boa parte dos casais aeísu-justaáos, mas de situação financeira previlegiada, conseguiu solucionar seu problema que, através de uma viagem ao México, já estava resolvido, porém a maioria, por motivos burocráticos e financeiros, continua no mesmo.
De modo geral a instituição do divórcio no Brasil foi um avanço, pois não era possível que, por motivos plenamente injustificáveis .nosso país continuasse na retaguarda da marcha vitoriosa, em quase todo o mundo, da legalização do distrato do casamento. Finalmente até na Itália o divorcio foi instituído, sem afetar a dignidade dos católicos.
Mas, apesar do divórcio, os problemas conjugais continuam. As brigas, os desentendimentos ,os atritos entre casais vão se repetindo e as separações em muitos casos, não serão legalizadas ,como era de se esperar.
Casos como o acontecido em Pontal, há muitos anos, quando um esposo enfurecido esfaqueou os órgãos genitais de sua companheira e dias depois estavam unidos outra vez, vão se repetir.
Raro de acontecer será o ocorrido na minha Belmonte-Bahia, onde um macumbeiro chamado «Pitoso», depois de separado muitos anos, da esposa e desta se entregar a "vida fácil", reiniciaram a vida como simples amantes. E o importante foi que, corno amantes, nunca mais brigaram.
Aqui, no Rio, tenho visto muitos casos de casais que vivem maritalmente se recusarem a casar, sob alegação de que após confirmarem o "até que a morte nos separe, o sossego do lar se transformará.
Diariamente os jornais publicam crimes ocorridos devido a ciúmes e infidelidades conjugais o que confirma o meu ponto de vista de que a luta pelo divórcio, encetada por Nelson Carneiro, em absoluto atingiu o objetivo do senador fluminense.
Há meses, um velho companheiro, morador em Realengo, quase meu vizinho, alegando incompatibilidade de gênios, só verificada após longos anos de união civil e religiosa, abandonou o lar e foi morar no interior.
Encontrando um conhecido, mesmo lamentando o ocorrido, se mostrou satisfeito com a separação. Durante a conversa confessou que, da separação, apenas sentia saudades do jardim da antiga casa, que ele cuidava com carinho,
O conhecido que era intimo do casal, imediatamente procurou a esposa-abandonada e, depois de um longo "pápó», informou sobre o encontro com o outrora companheiro e confidenciou o que ouvira acerca da separação e da saudosa lembrança do jardim.
A mulher ouviu pacientemente o «recados», sem demonstrar reação.
Mas no outro dia, pela manhã, mandou destruir o jardim.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã Ilhéus/BA 07/02/1979
O senador depois de uma oposição árdua, dirigida pelos católicos, con seguiu seu intento e, com isto, uma, podemos dizer, cadeira cativa na alta Câmara, contrariando um grupo de adversários poderosos, como se verificou na última eleição.
Mas será que o divórcio solucionou o problema dos maus casados?
De modo geral, creio que não. De iato uma boa parte dos casais aeísu-justaáos, mas de situação financeira previlegiada, conseguiu solucionar seu problema que, através de uma viagem ao México, já estava resolvido, porém a maioria, por motivos burocráticos e financeiros, continua no mesmo.
De modo geral a instituição do divórcio no Brasil foi um avanço, pois não era possível que, por motivos plenamente injustificáveis .nosso país continuasse na retaguarda da marcha vitoriosa, em quase todo o mundo, da legalização do distrato do casamento. Finalmente até na Itália o divorcio foi instituído, sem afetar a dignidade dos católicos.
Mas, apesar do divórcio, os problemas conjugais continuam. As brigas, os desentendimentos ,os atritos entre casais vão se repetindo e as separações em muitos casos, não serão legalizadas ,como era de se esperar.
Casos como o acontecido em Pontal, há muitos anos, quando um esposo enfurecido esfaqueou os órgãos genitais de sua companheira e dias depois estavam unidos outra vez, vão se repetir.
Raro de acontecer será o ocorrido na minha Belmonte-Bahia, onde um macumbeiro chamado «Pitoso», depois de separado muitos anos, da esposa e desta se entregar a "vida fácil", reiniciaram a vida como simples amantes. E o importante foi que, corno amantes, nunca mais brigaram.
Aqui, no Rio, tenho visto muitos casos de casais que vivem maritalmente se recusarem a casar, sob alegação de que após confirmarem o "até que a morte nos separe, o sossego do lar se transformará.
Diariamente os jornais publicam crimes ocorridos devido a ciúmes e infidelidades conjugais o que confirma o meu ponto de vista de que a luta pelo divórcio, encetada por Nelson Carneiro, em absoluto atingiu o objetivo do senador fluminense.
Há meses, um velho companheiro, morador em Realengo, quase meu vizinho, alegando incompatibilidade de gênios, só verificada após longos anos de união civil e religiosa, abandonou o lar e foi morar no interior.
Encontrando um conhecido, mesmo lamentando o ocorrido, se mostrou satisfeito com a separação. Durante a conversa confessou que, da separação, apenas sentia saudades do jardim da antiga casa, que ele cuidava com carinho,
O conhecido que era intimo do casal, imediatamente procurou a esposa-abandonada e, depois de um longo "pápó», informou sobre o encontro com o outrora companheiro e confidenciou o que ouvira acerca da separação e da saudosa lembrança do jardim.
A mulher ouviu pacientemente o «recados», sem demonstrar reação.
Mas no outro dia, pela manhã, mandou destruir o jardim.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã Ilhéus/BA 07/02/1979
O enterro do Capacidade elevada.
RIO — Há meses, os jornais desta Capital, noticiaram elogíosamente, a homenagem póstuma.do Bairro de Fátima — um recanto de moradores da classe média que está lentamente desaparecendo na voragem da inflação — na popularíssima e tradicional Lapa, prestada a um dos seus personagens populares, componente de uma destas turmas que vivem perambulando pelas ruas vivendo de pequenas contribuições para satisfazerem seus vícios, o maior dos quais uma cachacinha, que para muitos, apenas “um trago”, serve para “resolver” seu caso.
O boa vida" homenageado, moço de recados e "pombo correio” dos bicheiros da área e que, por estes motivos, se tornou popular havia falecido o a comunidade do Bairro de Fátima se reuniu para prestar-lhe a «última homenagem», fiancindo seu funeral, evitando que fosse sepultado como indigente. Uma espécie de recompcnsa pelos «serviços prestados» à coletividade. Finalmente o morto, para eles, era «pau pra toda obra».
A homenagem me fez lembrar um popularlssinio personagem que vivia vagando pelo Gameleiro, conhecidissímo que era na «zona» e toda a área compreendida entre a Rua do Filtro até u Plano inclinado. Como o morto de Fátima, vivia de gorgeta, por pequenos serviços inclusive transportando água para as residências já que o serviço ainda era precaríssimo, apesar da assiduidade com que Darin fazia a cobrança nas casas pelo abastecimento do precioso líquido.
O homem do Gameleiro se chamava «Capacidade Elevada». Um verdadeiro folgazão que espalhava alegris na Ilha das Cobras pronunciando discursos e conversando fiado com os transeuntes. Tinha seu lado bom. Nunca se apresentava contrariado e nem gostava de pronunciar palavrões, nem quando «acossado» pela molecagem, hoje o “modismo” que atinge a todas as camadas e idades.
Numa quarta-feira de cinzas “Capacidade elevada” faleceu num pardieiro situado na Praça Cairu, perto do barracão onde Manoel Goiana bancava um víspora, mesmo em frente da Estação da State. A notícia ocorreu célere em todo Gameleiro e como o filósofo não tinha família foi sugerido que o sepultamento fosse feito às expensas dos moradores da área. Mesmo porque “Capacidarde” não tinha família e já era muito ter onde «cair morto». Foi muito fácil fazer o levantamento do numerário para as despesas e mais fácil ainda, consegui a cobertura para financiar o «lubrificante» pura manter a «desolação» daqueles que iam participar da sentinela, todos "amigos da opa”.
O velório foi qualquer coisa de sensacional, com Deusdedite das Carroças, comandando o time das anedotas. Se o velório foi animado, o enterro nem se fala. Parecia um préstito carnavalesco, com os acompanhantes, na maioria, ainda fantasiados, fazendo o «préstito» parar constantemente para a devida lubrificação que, em momento algum, faltou .O sepultamento foi no arenoso cemitério do Pontal, onde os menos afortunados encontravam mais fácil sua última morada.
Ali, no “campo santo” pontalense, dias antes havia sido enterrado um amigo de «Capacidade», cujo acompanhamento seguiu o mesmo ritual do «Boa. Vida» mas sem a mesma concorrência do recém-falecido.
Lá estava “Capacidade” levando o companheiro do peito que, quando o corpo ia baixar a sepultura, resolveu pronunciar uu discurso de despedida. No auge da falação, «Capacidade elevada» perdeu o equilíbrio e caiu na cova e se viu em dificuldades para “se safar” da embaraçosa situação, o que fez, graças a ajuda dos “irmãos” presentes, todos em estado ds «instabilidade».b
Depois do difícil salvamento "Capacidade” se dirigindo ao colega morto' .como que contrariado gritou:
•— Esta não meu chapa, me deixe em paz. Vá sozinho. Por favor não me apareça mais.
Ainda um pouco apavorado, saiu se benzendo com um “eu, heim?”.
Os companheiros como que, traumatizados, se dirigiram à primeira quitanda para tomarem «um trago» a título de esquecimento da «tragédia».
Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 17/01/1980
O boa vida" homenageado, moço de recados e "pombo correio” dos bicheiros da área e que, por estes motivos, se tornou popular havia falecido o a comunidade do Bairro de Fátima se reuniu para prestar-lhe a «última homenagem», fiancindo seu funeral, evitando que fosse sepultado como indigente. Uma espécie de recompcnsa pelos «serviços prestados» à coletividade. Finalmente o morto, para eles, era «pau pra toda obra».
A homenagem me fez lembrar um popularlssinio personagem que vivia vagando pelo Gameleiro, conhecidissímo que era na «zona» e toda a área compreendida entre a Rua do Filtro até u Plano inclinado. Como o morto de Fátima, vivia de gorgeta, por pequenos serviços inclusive transportando água para as residências já que o serviço ainda era precaríssimo, apesar da assiduidade com que Darin fazia a cobrança nas casas pelo abastecimento do precioso líquido.
O homem do Gameleiro se chamava «Capacidade Elevada». Um verdadeiro folgazão que espalhava alegris na Ilha das Cobras pronunciando discursos e conversando fiado com os transeuntes. Tinha seu lado bom. Nunca se apresentava contrariado e nem gostava de pronunciar palavrões, nem quando «acossado» pela molecagem, hoje o “modismo” que atinge a todas as camadas e idades.
Numa quarta-feira de cinzas “Capacidade elevada” faleceu num pardieiro situado na Praça Cairu, perto do barracão onde Manoel Goiana bancava um víspora, mesmo em frente da Estação da State. A notícia ocorreu célere em todo Gameleiro e como o filósofo não tinha família foi sugerido que o sepultamento fosse feito às expensas dos moradores da área. Mesmo porque “Capacidarde” não tinha família e já era muito ter onde «cair morto». Foi muito fácil fazer o levantamento do numerário para as despesas e mais fácil ainda, consegui a cobertura para financiar o «lubrificante» pura manter a «desolação» daqueles que iam participar da sentinela, todos "amigos da opa”.
O velório foi qualquer coisa de sensacional, com Deusdedite das Carroças, comandando o time das anedotas. Se o velório foi animado, o enterro nem se fala. Parecia um préstito carnavalesco, com os acompanhantes, na maioria, ainda fantasiados, fazendo o «préstito» parar constantemente para a devida lubrificação que, em momento algum, faltou .O sepultamento foi no arenoso cemitério do Pontal, onde os menos afortunados encontravam mais fácil sua última morada.
Ali, no “campo santo” pontalense, dias antes havia sido enterrado um amigo de «Capacidade», cujo acompanhamento seguiu o mesmo ritual do «Boa. Vida» mas sem a mesma concorrência do recém-falecido.
Lá estava “Capacidade” levando o companheiro do peito que, quando o corpo ia baixar a sepultura, resolveu pronunciar uu discurso de despedida. No auge da falação, «Capacidade elevada» perdeu o equilíbrio e caiu na cova e se viu em dificuldades para “se safar” da embaraçosa situação, o que fez, graças a ajuda dos “irmãos” presentes, todos em estado ds «instabilidade».b
Depois do difícil salvamento "Capacidade” se dirigindo ao colega morto' .como que contrariado gritou:
•— Esta não meu chapa, me deixe em paz. Vá sozinho. Por favor não me apareça mais.
Ainda um pouco apavorado, saiu se benzendo com um “eu, heim?”.
Os companheiros como que, traumatizados, se dirigiram à primeira quitanda para tomarem «um trago» a título de esquecimento da «tragédia».
Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 17/01/1980
O preço do batizado era 5 mil réis.
RIO — Seguindo a tradição da minha família, estou alistado entre os católicos do apostolado romano, mais ou menos praticante. Assisto, sem regularidade, atos da igreja, mas nos ofícios em intenção aos que partiram para o além, faço questão de estar presente.
Sou do tempo em que «a oração que Cristo nos ensinou», começava com «Padre Nosso» e, no texto: «perdoai as nossas dívidas», assim como nós perdoamos aos nosso.devedorés», substituídas por «Pai Nosso…» e «perdoai as nossas ofensas..... »
Em Belmonte conheci vários padres, dentre eles Altino ( o político), Barreto, Granja ( o matador de andorinhas), Emílio (o que efetuou meu casamento), João Clímaco e, sobretudo, Evaristo Bitencourt. Este transferido de Ilhéus, depois da demolição da igreja de São .Sebastião, no Largo do Vesúvio, onde está erigido o magestoso templo, graças a Iniciativa de dom Eduardo Herberold, venerado, pela população ilheense.
Ainda me. lembro da visita a Belmonte do Bispo de Ilhéus, D. Manoel de Paiva, chefe espiritual de vasta região sul-bahiana promovida pelo padre Evaristo. Do que foi a estadia do santo padre à cidade tenho grata recordação, inclusive por ser "participante das festividades, como músico da Lira Popular. O saudoso bispo foi o celebrante da missa solene em louvor à N.S. do Carmo, padroeira local. Naquele tempo as festas religiosas eram brilhantes e arregimentavam católicos de toda a região do Jequitionha.
Foram três dias de homenagens a D. Manoel de Paiva, que se hospedou na residência da Professora Maezinha Guimarães, na Rua Mal. Deodoro, hoje parcialmente destruiria pelo rio. Nas saídas e nos regressos de sua Eminência a Lira e a 15 de Setembro se revezavam, acompanhando o visitante, tendo à frente suas comissões de diretorias. Os ofícios religiosos eram assistidos por centenas de fiéis, que se preparavam para o acontecimento religioso.
De uns tempos para cá o 16 de Julho perdeu àquele esplendor. Apenas reduzido número de religiosos mantém a tradição, comparecendo aos ofícios devidamente preparados. Pará nós, os belniontenses, que residimos «fora da terra», a festa, além do aspecto religioso, proporciona encontro com velhos conterrâneos para os «papos» recordativos, o que compensa enfrentar os 112 quilômetros de uma péssima estrada que separa a BH-101 da nossa cidade.
Padre Evàristo era conhecido pelo seu «grande amor» ao dinheiro. Era intransigente no cumprimento de sua tabela de preços para celebrar Santos Ofícios de encomenda. Missas festivas, fúnebres ou de corpo presente, acompanhamentos de enterros, alem de casamentos, batizados, crismas, novenários ou consagração, eram tabelados sem direito a redução.
Anualmente havia visita pastoral ao interior do município, começando por Boca do Córrego e findando em Pedra Branca, (hoje Itapebi). De permeio, paradas em vilas e fazendas, onde os fiéis se reuniam para batismos e casamentos além das tradicionais missas.
Numa dessas visitas pastorais, padre Evaristo, depois da peregrinação, passou dois dias em Pedra'Branca, ficando creio, na casa dos Stolzes, já que não aceitou o convite para ficar na Fazenda Estrela do Norte, de Cel. Juca de Vicente, chefe político da região.
O movimento foi intenso. Muitos batizados, casamentos, crismas, etc...
Othon Souza, filho, de Juca de Vicente, estudante em Salvador, escolhido para batizar um filho do tropeiro da sua fazenda, resolveu pegar urna peça em padre Jüvarïsto, procurando-o para «acertar o preço da cerimônia».
Chegou «desconversando», «enrolando" até que o pároco entendeu onde queria chegar o futuro padrinho e antes que Othon «abrisse o jogo», foi logo .dizendo: «Não filho. O batizado é 5 mil réis».
De pronto o filho de Jucá de Vicente como que surpreso retrucou: É só 5 mil réis padre? Pensei que fosse mais».
Abriu o envclope e retirou 3 notas de 5 e só deixou uma.
A reação do padre foi notada peia transformarão da sua fisionomia.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 26/09/1979
Sou do tempo em que «a oração que Cristo nos ensinou», começava com «Padre Nosso» e, no texto: «perdoai as nossas dívidas», assim como nós perdoamos aos nosso.devedorés», substituídas por «Pai Nosso…» e «perdoai as nossas ofensas..... »
Em Belmonte conheci vários padres, dentre eles Altino ( o político), Barreto, Granja ( o matador de andorinhas), Emílio (o que efetuou meu casamento), João Clímaco e, sobretudo, Evaristo Bitencourt. Este transferido de Ilhéus, depois da demolição da igreja de São .Sebastião, no Largo do Vesúvio, onde está erigido o magestoso templo, graças a Iniciativa de dom Eduardo Herberold, venerado, pela população ilheense.
Ainda me. lembro da visita a Belmonte do Bispo de Ilhéus, D. Manoel de Paiva, chefe espiritual de vasta região sul-bahiana promovida pelo padre Evaristo. Do que foi a estadia do santo padre à cidade tenho grata recordação, inclusive por ser "participante das festividades, como músico da Lira Popular. O saudoso bispo foi o celebrante da missa solene em louvor à N.S. do Carmo, padroeira local. Naquele tempo as festas religiosas eram brilhantes e arregimentavam católicos de toda a região do Jequitionha.
Foram três dias de homenagens a D. Manoel de Paiva, que se hospedou na residência da Professora Maezinha Guimarães, na Rua Mal. Deodoro, hoje parcialmente destruiria pelo rio. Nas saídas e nos regressos de sua Eminência a Lira e a 15 de Setembro se revezavam, acompanhando o visitante, tendo à frente suas comissões de diretorias. Os ofícios religiosos eram assistidos por centenas de fiéis, que se preparavam para o acontecimento religioso.
De uns tempos para cá o 16 de Julho perdeu àquele esplendor. Apenas reduzido número de religiosos mantém a tradição, comparecendo aos ofícios devidamente preparados. Pará nós, os belniontenses, que residimos «fora da terra», a festa, além do aspecto religioso, proporciona encontro com velhos conterrâneos para os «papos» recordativos, o que compensa enfrentar os 112 quilômetros de uma péssima estrada que separa a BH-101 da nossa cidade.
Padre Evàristo era conhecido pelo seu «grande amor» ao dinheiro. Era intransigente no cumprimento de sua tabela de preços para celebrar Santos Ofícios de encomenda. Missas festivas, fúnebres ou de corpo presente, acompanhamentos de enterros, alem de casamentos, batizados, crismas, novenários ou consagração, eram tabelados sem direito a redução.
Anualmente havia visita pastoral ao interior do município, começando por Boca do Córrego e findando em Pedra Branca, (hoje Itapebi). De permeio, paradas em vilas e fazendas, onde os fiéis se reuniam para batismos e casamentos além das tradicionais missas.
Numa dessas visitas pastorais, padre Evaristo, depois da peregrinação, passou dois dias em Pedra'Branca, ficando creio, na casa dos Stolzes, já que não aceitou o convite para ficar na Fazenda Estrela do Norte, de Cel. Juca de Vicente, chefe político da região.
O movimento foi intenso. Muitos batizados, casamentos, crismas, etc...
Othon Souza, filho, de Juca de Vicente, estudante em Salvador, escolhido para batizar um filho do tropeiro da sua fazenda, resolveu pegar urna peça em padre Jüvarïsto, procurando-o para «acertar o preço da cerimônia».
Chegou «desconversando», «enrolando" até que o pároco entendeu onde queria chegar o futuro padrinho e antes que Othon «abrisse o jogo», foi logo .dizendo: «Não filho. O batizado é 5 mil réis».
De pronto o filho de Jucá de Vicente como que surpreso retrucou: É só 5 mil réis padre? Pensei que fosse mais».
Abriu o envclope e retirou 3 notas de 5 e só deixou uma.
A reação do padre foi notada peia transformarão da sua fisionomia.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 26/09/1979
O primeiro cacaueiro da Bahia
RIO — Quando das comemorações dos 88 anos da emancipação de Itabuna, repetiu-se a omissão, já verificada por ocasião do aniversário da fundação de Ilhéus; Nenhum registro sobre onde e quando foi plantado o primeiro cacaueiro no Estado da Bahia.
Nos "Informes Especiais", publicados nos jornais aqui do Rio, sobre os -mais diversos assuntos mesclados de anúncios e dados das mais importantes organizações existentes naqueles dois importantíssimos municípios bahianos, nada sobre quando e onde foi plantado o primeiro cacaueiro na Bahia, o principal fator de desenvolvimento da região e a maior fonte de divisas do Estado .
Num dos ditos "Informes", quando do aniversário de Itabuna, Foi publicado que ''se em meados do século passado, Felix Severino do Amor Divino, Manoel Constantino ou cel. Firmino Alves, decidissem não fixar i:a faixa litorânea e seguirem rio aclmr.., derrubando matas e plantando as pri- -meíras mudas de cacau, Itabuna certamente não seria hoje, ao completar 68 anos de emancipação política, a principal cidade da região-cacaueira".
Por este tópico, fica a impressão de que, as primeiras mudas de cacau, na Bahia, foram plantadas, por aqueles pioneiros, na região de Itabuna, o que não é absolutamente certo, como seria declarar que Ilhéus era possuidor de tal privilégio
O primeiro cacaueiro, do Estado da Bahia, foi efetivamente plantado no município de Canavieiras e, precisamente, numa fazenda de nome "Cubículo", às margens do Rio Pardo, sendo que a sua semente foi trazida do estado do Pará, há mais de duzentos anos, ou seja em 1746,
O proprietário da Fazenda ora o sr. António Dias Bibeiro e a pessoa que lhe presenteou a preciosíssima planta foi um francês chamado Luis Frederico Warneaux.
Plantado, por sagurança, perto da casa do fazendeiro, o cacaueiro logo que começou a dar os primeiros frutos, suas sementes foram espalhadas pelas margens dos rios Pardo e Jequinha para depois atingir as áreas ribeirinhas do Almada, Cachoeira. Una Mirim e Rio de Contas.
Em 1928, por sugestão do dr. Francisco Borges de Barros, na época diretor do Arquivo Público do Estado da Bahia, o então prefeito de Canavieiras, sr. Francisco Mangiein, assentou ummarco comemorativo junto ao velho cacaueiro, que ainda deve existir .
Estes dados sobre o primeiroa cacaueiro plantado no Estado da Bahia, foram extraídos de um velho recorte do "Diário da Tarde", datado de 1938.
A industrialização da casca"do cacau tem como pioneiro, no início deste século o fazendeiro Macedônio Cardoso, no município de Belmonte e que residia na localidade de Boca do Córrego, da qual fabricava vinagre, vinho, licor e da sua polpa, a saborosa geléia, conhecidissima depois que os Barachos, de Água Preta, começaram a fabricar em larga escala. Hoje existem vários fabricantes de geléias mas que suprem apenas o comércio da região cacaueira.
A primeira fábrica instalada na região para o aproveitamento integral da fruta do cacau e com capacidade de suprir larga íaisca do mercado internacional foi a Vitória, que teve como seu primeiro diretor o saudoso industrial Hugo Kauffman.
Infelizmente, sob a alegação de que não pôde enfrentar o poder econômico das multinacionais, a Fábrica Vitoria está anunciando o encerramento das suas atividadss, justamente ao ultrapassar a barreira dos seus 50 anos.
É mais um capítulo do esvaziamento de Ilhéus.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 06/09/1978
Nos "Informes Especiais", publicados nos jornais aqui do Rio, sobre os -mais diversos assuntos mesclados de anúncios e dados das mais importantes organizações existentes naqueles dois importantíssimos municípios bahianos, nada sobre quando e onde foi plantado o primeiro cacaueiro na Bahia, o principal fator de desenvolvimento da região e a maior fonte de divisas do Estado .
Num dos ditos "Informes", quando do aniversário de Itabuna, Foi publicado que ''se em meados do século passado, Felix Severino do Amor Divino, Manoel Constantino ou cel. Firmino Alves, decidissem não fixar i:a faixa litorânea e seguirem rio aclmr.., derrubando matas e plantando as pri- -meíras mudas de cacau, Itabuna certamente não seria hoje, ao completar 68 anos de emancipação política, a principal cidade da região-cacaueira".
Por este tópico, fica a impressão de que, as primeiras mudas de cacau, na Bahia, foram plantadas, por aqueles pioneiros, na região de Itabuna, o que não é absolutamente certo, como seria declarar que Ilhéus era possuidor de tal privilégio
O primeiro cacaueiro, do Estado da Bahia, foi efetivamente plantado no município de Canavieiras e, precisamente, numa fazenda de nome "Cubículo", às margens do Rio Pardo, sendo que a sua semente foi trazida do estado do Pará, há mais de duzentos anos, ou seja em 1746,
O proprietário da Fazenda ora o sr. António Dias Bibeiro e a pessoa que lhe presenteou a preciosíssima planta foi um francês chamado Luis Frederico Warneaux.
Plantado, por sagurança, perto da casa do fazendeiro, o cacaueiro logo que começou a dar os primeiros frutos, suas sementes foram espalhadas pelas margens dos rios Pardo e Jequinha para depois atingir as áreas ribeirinhas do Almada, Cachoeira. Una Mirim e Rio de Contas.
Em 1928, por sugestão do dr. Francisco Borges de Barros, na época diretor do Arquivo Público do Estado da Bahia, o então prefeito de Canavieiras, sr. Francisco Mangiein, assentou ummarco comemorativo junto ao velho cacaueiro, que ainda deve existir .
Estes dados sobre o primeiroa cacaueiro plantado no Estado da Bahia, foram extraídos de um velho recorte do "Diário da Tarde", datado de 1938.
A industrialização da casca"do cacau tem como pioneiro, no início deste século o fazendeiro Macedônio Cardoso, no município de Belmonte e que residia na localidade de Boca do Córrego, da qual fabricava vinagre, vinho, licor e da sua polpa, a saborosa geléia, conhecidissima depois que os Barachos, de Água Preta, começaram a fabricar em larga escala. Hoje existem vários fabricantes de geléias mas que suprem apenas o comércio da região cacaueira.
A primeira fábrica instalada na região para o aproveitamento integral da fruta do cacau e com capacidade de suprir larga íaisca do mercado internacional foi a Vitória, que teve como seu primeiro diretor o saudoso industrial Hugo Kauffman.
Infelizmente, sob a alegação de que não pôde enfrentar o poder econômico das multinacionais, a Fábrica Vitoria está anunciando o encerramento das suas atividadss, justamente ao ultrapassar a barreira dos seus 50 anos.
É mais um capítulo do esvaziamento de Ilhéus.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 06/09/1978
O talismã da cigana do Abaeté
RIO — Lá se vão alguns anos. Estava eu em Salvador para assitir as tradicionais festividades em louvor ao maior e incontestável líder dos bahianos que é Nosso Senhor do Bonfim. Comigo a patroa e o neto mais velho. Estávamos gozando uma mordomia digna dos mais destacados buro-técnocratas do atual Brasil, hóspedes que éramos dos afilhados Sidney e Márcia dos Santos, um casal ajustado por uma compreensão hoje desaparecida sob a capa de uma sociedade moderna, principal fator da degradação e violência registradas nos últimos tempos.
Foram dias inesquecíveis passados no bairro Vasco da Gama, enfeitados pela graviciosidade da dupla Venese — Neuma, do casal, criados dentro do estilo mesclado com um ameno rigorismo adotado nos velhos tempos, limitando ao excesso naturais de uma criança.
Na época assistimos o belo espetáculo foclórico da Lavagem do Adro da Igreja do padroeiro dos bahianos, cujo ato nos fez esquecer as peripécias para chegar a colina, só possível graças a habilidade de um motorista acostumado a tais situações. A lavagem é uma festa pagã já que as bahianas encarregadas da ação, com suas ânforas floridas e perfumadas, entoam cânticos evocativos às entidades dos seus terreiros de candomblés. A lavagem como a procissão marítima em louvor ao Senhor dos Navegantes são festas inesquecíveis.
Depois da maravilhosa Festa da Colina fiquei como possuído de grandg astral como dizia o saudoso jurado TV, José Fernandes, ao dar Nota a um caouro razoável. Naquele dia era capaz de dar Nota DEZ ao Rubens Antônio, meu filho que, submetido a um "teste para participar de coral da Escola Técnica Nacional, foi desaprovado em todos os níveis do registro vocal, não passando inclusive como ouvinte.
Possuído de tamanha euforia fui dar uma "olhada" na encantada e encantadora Lagoa, mundialmente conhecida através das canções do bahianíssimo Dorival Caíme. Já conhecia o local antes da invasão indiscriminada das empresas imobiliárias que acabaram se , “apossando" dos melhores pontos da vasta orla marítima que circula a cidade, edificando hotéis sofisticados.
Ao sair do ónibus ''Praça Sete-Itapoã" como que fomos assaltados por um bando de ciganas, das mais variadas idades. "Vacinado" para estas emergências consegui ir desviando das zíngaras. Estas iam reduzindo seus preços pelo trabalho de desvendar os segredos do futuro alheio. O "desvio" foi verdadeiro de super-homem, no dizer do chefe dos "trapalhões". Terminada a luta com as quiromantes voltei a atenção para o Lagoa. Fui logo sentindo seu abandono, imune que estava de fiscalização. Lá estavam à vontade, lavando seu carro e um burrio, dois elementos em substituição as tradicionais lavadeiras que davam um florido à paisagem pontilhada da alvas dunas, quase todas desaparecidas pela voragem das empresas imobiliárias. A Lagoa como que "encolheu" e a água escura de que falava Dorival já atinge a borda do lago, tal a sujeira deixada impunemente pelos motoristas e carroceiros. Como a situação foi objeto de reclamações da imprensa não sei se persiste o abandono.
Regressando ao ponto de ónibus recomeçou a "ação" das ciganas. Resolvi então atender aos chorosos apelos das "advinhas, me dirigindo a cigana mais velha do grupo dando-lhe uns trocados matéria principal para a leitura das mãos, A velhota coprichou começando pelo passado com algumas "'revelações" do trivial de cada um de nós, o mesmo acontecendo quanto ao futuro quando só via coisas boas pra meu lado. Terminando, com ares de mistério, a quíromente tira qualquer coisa do bolso e enrolando num pedaço de papel amarrotado e velho, quase sussurrando pede cuidado para não perder o “Talismã" que ia me dar sorte.
No outro dia desembrulhei o ”pé de coelho". Era uma semente de Flamboião que me acompanha até hoje jogado na minha "007".
Não sou superticioso mas que aquela semente da Lagoa do Abaeté tem me dado sorte? Isto tem e como tem dado sorte.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã Ilhéus/BA 15/01/1981
Foram dias inesquecíveis passados no bairro Vasco da Gama, enfeitados pela graviciosidade da dupla Venese — Neuma, do casal, criados dentro do estilo mesclado com um ameno rigorismo adotado nos velhos tempos, limitando ao excesso naturais de uma criança.
Na época assistimos o belo espetáculo foclórico da Lavagem do Adro da Igreja do padroeiro dos bahianos, cujo ato nos fez esquecer as peripécias para chegar a colina, só possível graças a habilidade de um motorista acostumado a tais situações. A lavagem é uma festa pagã já que as bahianas encarregadas da ação, com suas ânforas floridas e perfumadas, entoam cânticos evocativos às entidades dos seus terreiros de candomblés. A lavagem como a procissão marítima em louvor ao Senhor dos Navegantes são festas inesquecíveis.
Depois da maravilhosa Festa da Colina fiquei como possuído de grandg astral como dizia o saudoso jurado TV, José Fernandes, ao dar Nota a um caouro razoável. Naquele dia era capaz de dar Nota DEZ ao Rubens Antônio, meu filho que, submetido a um "teste para participar de coral da Escola Técnica Nacional, foi desaprovado em todos os níveis do registro vocal, não passando inclusive como ouvinte.
Possuído de tamanha euforia fui dar uma "olhada" na encantada e encantadora Lagoa, mundialmente conhecida através das canções do bahianíssimo Dorival Caíme. Já conhecia o local antes da invasão indiscriminada das empresas imobiliárias que acabaram se , “apossando" dos melhores pontos da vasta orla marítima que circula a cidade, edificando hotéis sofisticados.
Ao sair do ónibus ''Praça Sete-Itapoã" como que fomos assaltados por um bando de ciganas, das mais variadas idades. "Vacinado" para estas emergências consegui ir desviando das zíngaras. Estas iam reduzindo seus preços pelo trabalho de desvendar os segredos do futuro alheio. O "desvio" foi verdadeiro de super-homem, no dizer do chefe dos "trapalhões". Terminada a luta com as quiromantes voltei a atenção para o Lagoa. Fui logo sentindo seu abandono, imune que estava de fiscalização. Lá estavam à vontade, lavando seu carro e um burrio, dois elementos em substituição as tradicionais lavadeiras que davam um florido à paisagem pontilhada da alvas dunas, quase todas desaparecidas pela voragem das empresas imobiliárias. A Lagoa como que "encolheu" e a água escura de que falava Dorival já atinge a borda do lago, tal a sujeira deixada impunemente pelos motoristas e carroceiros. Como a situação foi objeto de reclamações da imprensa não sei se persiste o abandono.
Regressando ao ponto de ónibus recomeçou a "ação" das ciganas. Resolvi então atender aos chorosos apelos das "advinhas, me dirigindo a cigana mais velha do grupo dando-lhe uns trocados matéria principal para a leitura das mãos, A velhota coprichou começando pelo passado com algumas "'revelações" do trivial de cada um de nós, o mesmo acontecendo quanto ao futuro quando só via coisas boas pra meu lado. Terminando, com ares de mistério, a quíromente tira qualquer coisa do bolso e enrolando num pedaço de papel amarrotado e velho, quase sussurrando pede cuidado para não perder o “Talismã" que ia me dar sorte.
No outro dia desembrulhei o ”pé de coelho". Era uma semente de Flamboião que me acompanha até hoje jogado na minha "007".
Não sou superticioso mas que aquela semente da Lagoa do Abaeté tem me dado sorte? Isto tem e como tem dado sorte.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã Ilhéus/BA 15/01/1981
O mais bairrista dos belmontenses
RIO — Não é pequena a "colônia" Belmontense aqui na bela Cidade Maravilhosa, onde, em quase todos os setores de atividades, está presente um componente nascido na cidade sulina da região cacaueira baiana. Na magistratura, no comércio em geral, em empresas privadas ou estatais, nas forças armadas, enfim os baiano, de Belmonte, como se diz na giria "estão em todas” e, o que é importante, desempenhando as suas atividades com destaque.
Consíantemente, em reuniões comemorativas de algum evento, em qurlquer ambiente, um "conterra"', invariavelmente "puxa" assuntos referentes a cidade que fica encravada entre o Atlântico e o.seu eterrno "algoz"' o Rio Jequitinhonha. Nestes "colóquios" é que sentimos quão felizes e realistas foram os poetas que cantaram em prosa e versos, os bons tempos da "minha infância querida que os anos não trazem mais" ou afirmando que "as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá e, ainda quando se dirigindo espcificamente a cidade sulina revela que "Belmonte e jóia baiana, cidade cheirando a flor”
Tais contatos, principalmente: entre conterrâneos afastados há longos anos de sua cidade, em busca de uma melhor condição de sobrevivência já que o mercado de trabalho da terra é pequeno, se transforma em verdadeira higïene mental, Os componentes da reunião, na sua maioria estão realizados, com bons empregos, aposentadorias satisfatórias, inclusive com seus dependentes já encaminhados.
Quantas reminiscências nestes encontros, pois a juventude ,de modo geral, proporciona momentos inesquecíveis e as façanhas realizadas no tempo da irresponsabilidade ficam gravadas para sempre.
Eu, por exemplo, saudosamente, me lembro da beata Saiú, cuja vida era praticamente, na igreja que, certa vez me deixou surpreso, com os palavrões e impropérios, quando me "flagrou", em seu quintal"afanando'' goiabas. Como é que vou esquecer das saborosas mangas da Mariquinha Tabaco Doido. As surras que minha avó Maria Amélia me deu devido a queixas dos "mais velhos” jamais esquecerei. Os bailes da Ponta de Areia e da Preguiça e o "Bate Barriga" de Liodoro a luz de "fífós”, não me saem da lembrança. Coisas como estas são sempre lembradas quando> nos reunimos.
Mas, dentre nós, porém, se destaca o hoje avô Aloísio Ludgero, para mim e, talvez para todos os belmonsens aqui domiciliados, é o mais bairrista. Um ótimo companheiro e melhor "papo"'. É daqueles que conseguem facilmente entabular conversação com qualquer estranho, principalmente nos coletivos, começando, quase sempre, falando de futebol para exaltar o seu clube do peito. O Fluminense.
Aloísio, em fins da década de 1940, resolveu se transferir de Belmonte para fixar residência no Rio de Janeiro. Depois de se desfazer dos pertences e deixar o emprego, contra a vontade do empregador "se mandou" para esta bela Metrópole. Aqui chegando, talvez pela saudade, ccmeçou a fazer as mais absurdas comparações entre as coisas do Rio e da nossa pequenina Belmonte. Não atinava sobre o ridículo a que estava exposto, tal a convicção com que falava. Efetivamente estava convicto de que tudo de bem e do melhor estava mesmo na nossa terrinha. Tanto assim, que não se sossegou enquanto não voltou para Belmonte.
Chegando a Belmonte onde, para ele, estavam os melhores jogadores de futebol do mundo, as melhores festas, os melhores músicos, em pouco tempo caiu na realidade Primeiro, não encontrou emprego. Depois, a ausência de alguns amigos e, por fim, o elevado custo das utilidades. Não teve outro jeito senão realizar a viagem de volta.
Hoje aposentado, Aloísio não pensa em voltar para a cidade natal, porém todos os anos, juntamente com esposa, sua conterrânea, faz uma visita a nossa terra que continua ser a melhor do mundo, mas...
Ela lá e ele aqui, corno aquela canção popular.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã Ilhéus/BA 26/04/1979
Consíantemente, em reuniões comemorativas de algum evento, em qurlquer ambiente, um "conterra"', invariavelmente "puxa" assuntos referentes a cidade que fica encravada entre o Atlântico e o.seu eterrno "algoz"' o Rio Jequitinhonha. Nestes "colóquios" é que sentimos quão felizes e realistas foram os poetas que cantaram em prosa e versos, os bons tempos da "minha infância querida que os anos não trazem mais" ou afirmando que "as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá e, ainda quando se dirigindo espcificamente a cidade sulina revela que "Belmonte e jóia baiana, cidade cheirando a flor”
Tais contatos, principalmente: entre conterrâneos afastados há longos anos de sua cidade, em busca de uma melhor condição de sobrevivência já que o mercado de trabalho da terra é pequeno, se transforma em verdadeira higïene mental, Os componentes da reunião, na sua maioria estão realizados, com bons empregos, aposentadorias satisfatórias, inclusive com seus dependentes já encaminhados.
Quantas reminiscências nestes encontros, pois a juventude ,de modo geral, proporciona momentos inesquecíveis e as façanhas realizadas no tempo da irresponsabilidade ficam gravadas para sempre.
Eu, por exemplo, saudosamente, me lembro da beata Saiú, cuja vida era praticamente, na igreja que, certa vez me deixou surpreso, com os palavrões e impropérios, quando me "flagrou", em seu quintal"afanando'' goiabas. Como é que vou esquecer das saborosas mangas da Mariquinha Tabaco Doido. As surras que minha avó Maria Amélia me deu devido a queixas dos "mais velhos” jamais esquecerei. Os bailes da Ponta de Areia e da Preguiça e o "Bate Barriga" de Liodoro a luz de "fífós”, não me saem da lembrança. Coisas como estas são sempre lembradas quando> nos reunimos.
Mas, dentre nós, porém, se destaca o hoje avô Aloísio Ludgero, para mim e, talvez para todos os belmonsens aqui domiciliados, é o mais bairrista. Um ótimo companheiro e melhor "papo"'. É daqueles que conseguem facilmente entabular conversação com qualquer estranho, principalmente nos coletivos, começando, quase sempre, falando de futebol para exaltar o seu clube do peito. O Fluminense.
Aloísio, em fins da década de 1940, resolveu se transferir de Belmonte para fixar residência no Rio de Janeiro. Depois de se desfazer dos pertences e deixar o emprego, contra a vontade do empregador "se mandou" para esta bela Metrópole. Aqui chegando, talvez pela saudade, ccmeçou a fazer as mais absurdas comparações entre as coisas do Rio e da nossa pequenina Belmonte. Não atinava sobre o ridículo a que estava exposto, tal a convicção com que falava. Efetivamente estava convicto de que tudo de bem e do melhor estava mesmo na nossa terrinha. Tanto assim, que não se sossegou enquanto não voltou para Belmonte.
Chegando a Belmonte onde, para ele, estavam os melhores jogadores de futebol do mundo, as melhores festas, os melhores músicos, em pouco tempo caiu na realidade Primeiro, não encontrou emprego. Depois, a ausência de alguns amigos e, por fim, o elevado custo das utilidades. Não teve outro jeito senão realizar a viagem de volta.
Hoje aposentado, Aloísio não pensa em voltar para a cidade natal, porém todos os anos, juntamente com esposa, sua conterrânea, faz uma visita a nossa terra que continua ser a melhor do mundo, mas...
Ela lá e ele aqui, corno aquela canção popular.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã Ilhéus/BA 26/04/1979
Assinar:
Postagens (Atom)
