RIO — Desde a chamada crise do petróleo — verdadeiro "maná" para a Petrobrás que está faturando mais de 500 na comercialização — fontes autorizadas falam em reativar alguns dos ramais ferroviário, intempestivamente desativados pelo então Ministro da Viação general Juarez Távora que, no caso da nossa "State", segundo se propalou foi fechada em revide a derrota do ministro, nas suas suas pretensões de se eleger presidente da República, nos idos de 60.
A decisão deixou milhares de ferroviários em disponibilidade remunerada, determinando a transferência de uns poucos para regiões distantes de sua moradia, numa espécie de "desterro branco" a quem não tinha nada "com o peixe, ou seja a derrota do "vice-rei do norte em 3C”: Houve grita contra o ato que não alcançou a economia esperada e hoje está patenteado o grave erro da desativação.
No caso da Ilhéus a Conquista o ato do ministro Juarez Távora foi de uma infelicidade sem par, uma vez que a ferrovia dirigida por “Mister Hull”, vinha prestando inestimáveis serviços a uma das mais ricas regiões da América do Sul, como atestavam as estatísticas da "The State Of. Bahia South Wester Railway Company, fundada por iniciativa do cel. Bento Berilo de Oliveira e construída com capital inglês, na primeira década do século.
Conheci a State em 1.927 — alíás a primeira Estrada de Ferro que conhsci ao vivo —-quando me tornei assiduo frequentador de "gare" sob o comando de Paizinho. Zegato, Francisco ou Demola. Admirava o trabalho penosíssimo dos foguistss e a perícia dos guardas-freios e manooreiros.
Com íal vivência fiquei prsticsmsnte integrado na vida da nossa ferrovia onda havia uma espécie de ecumenismo ideológico surgido quando dos movimentes liderados por Luiz Carlos Prestes e Plínio Salgado, respsctivamente Aliança Libertadora e Acão Integraíista Brasileira, sendo que os "plinianos" eram muitas vezes rnais numerosos. No escritório, dentre outros, estavam os irmãos Pedro e Humbert Ribeiro, juntamente com João Batista de Souza e Crescenciano Santos. Espalhados na administração sa “State”, estavam José Cerqueira, Cândido Lobo, Cantídio, António de Aflitina, .Ernesto, Canso dos Batutas. Duca. Manoeliío, Esterrnito, Sodré. Nestor, Bode de Duca, Bitatis, Januncio o extraordinário rneia-esquerda da Seleção Ilheense e o "virtuose" do violão, popularmente conhecido como Major.
Certa vez estava com Adamstor Adamí — outro freguês da chegada do comboio — na plataforma quando urn rapaz modestamente vestido, nos pede para que o ajude a levar seu pai para o cemitério. Acompanhamos o rapaz e ao chegar onde estava o corpo verificamos que não tinha mais nlnguém para o enterro e o que era pior o cadáver ultrapassava a linha dos 150 quilos. Depois de alguns apelos apareceu um acompanhante.
Tivemos cus enfrentar a situação e "agarrar" o esquife que, ainda por cima, tinha as alças colocadas ao contrário, com os vincos para baixo
Esta ocorrência ficou bern marcada e, por muito tempo, quando encontrava Adamastor ou vice-versa, um leve sorriso nos fazia lembrar o- que passamos a chamar a "grance tragédia".
Voltando ao pessoa; da "Ilhéus a Conquista*', lembro de um personagem dos mais conhecidos da ferrovia dada e sua função que o obrigava a um permanente contato com os passageiros.
Estou faiando de "La Pernet':; o chefe de trem. De estatura média, parecia sernpre zangado. Fiel curnpndpr das suas obrigações e na conferência dos bilhetes, não deixava passar nada. Verdadeiro terror dos caronas.
Certa vez, piíhando" o colega Lelinho com o passe de Souza Pinto, o gerente de “Diário da Tarde” quis “prender” o documento dizendo que o passageiro estava errado, já que não era legal e certo Leiínho viajar com o "passe" do gerente do jorna!.
O saudoso co!egaT sob uma gargalhada dos passageiros apenss disse:
— Nada "Lapernet" se tudo aqui fosse direito esta Estrada há muito tempo já estaria em Conquista...
Rubens E Silva Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 07/12/1980
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Ilhéus na primeira década do “Diário da Tarde”
Está completando seu quadragésimo sexto aniversário o DIÁRIO DA TARDE, o "paladino dos eternos ideais de liberdade e defensor intransigente das causas ilheenses e dos interesses e aspirações da região cacaueira".
Fui seu primeiro funcionário que, com. o jornalista Carlos Monteiro um dos fundadores, saí de Belmonte para trabalhar no jornal, cujo primeiro número circulou no dia 10 de fevereiro de 1928, numa sexta-feira, com enorme expectativa e desusado interesse da parte da população.
Seus dirigentes e empresários desde o inicio daquele ano, desenvolveram intensa atividade e uma assistência intelectual e financeira das mais positivas, com uma certeza absoluta do êxito da iniciativa.
Efetivamente o DIÁRIO DA TARDE, que surgiu numa época de ouro da região cacaueira, vem atravessando os tempos com uma irrepreensível linha de independência e apoiado por todos .os setores, objetivo esperado e alcançado pelos seus iniciadores Carlos Monteiro, Eusínio Lavigne, Alcino Dórea e Francisco da Silveira Dórea que comandou a empresa por mais de- 45 anos, o que constitui um verdadeiro “record” na imprensa nordestina.
Na primeira década da existência do DIÁRIO, o jornal participou intensamente da vida da cidade, tanto no setor social, político como no esportivo. No setor político liderou a Revolução de 30 na região sul da Bahia, obrigando as autoridades de então lhes impor uma censura, motivando que diversas de suas edições saíssem com colunas em branco. Mas vitorioso o movimento um dos seus principais elementos, o Dr. Eusínio Lavigne foi escolhido Prefeito da Cidade, se constituindo um dos maiores dirigentes administrativos que Ilhéus já possuiu, responsável pela ampliação e desenvolvimento urbano.
Naquela época Ilhéus tinha uma vida. noturna intensa, com quatro cassinos funcionando. Os bares das praças do Vesúvio -e Firmino Amaral com um movimento enorme e os seus 3 cinemas funcionando diariamente com desusada assistência, o setor urbano era também muito movimentado.
As festividades que sempre, como ainda hoje, contavam com a colaboração do jornal, decorriam em plena animação, principalmente as religiosas, tais como as de Nª. Sª. das Vitórias, São Jorge e São Sebastião, que reuniam católicos de todos os setores da cidade.
O movimento esportivo com. a participação do Vitória, Satélite, Flamengo e Santa Cruz, era a paixão dos torcedores o que motivou a necessidade da construção do Estádio "Mário Pessoa", onde os campeonatos eram realizados em renhidas partidas.
Durante o Carnaval, os Pidões e Fiapos, sucessores dos Batutas e Bacuraus, além das escolas de Samba de Melé e Almir, faziam com que a população se concentrasse na Luiz Viana, com uma animação fora do comum.
As festas do Clube Social e da União Protetora e a participação do “Jazz Moraes", eram animadíssimas.
Noites de Reis com Aprígia e Domiense exibindo seus ternos bem organizados e as testas Antoninas nas casas de Mãe Tereza, Dª Clara e Rita, de Zé Luiz e Antonina Santana, terminavam com animados bailes que iam até altas madrugadas.
Também o São Cosme de Aflitina e São Crispim de Alzira de Aquilino reuniam destacados elementos dos mais variados setores sociais de Ilhéus que também não esqueciam de uma visita a Pai Pedro ou mesmo a Jubiabá quando aparecia na cidade.
O mais importante é que o DIÁRIO DA TARDE sempre foi distinguido por todos, da gente humilde aos destacados nomes da sociedade e da política que hoje, decerto, prestarão as mais sinceras e justas homenagens ao jornal que, passando pelas mais variadas fases econômicas da região, jamais deixou de cumprir o papel de "paladino dos eternos ideais de liberdade" a que se propôs.
Guanabara, Fevereiro de 1974.
Ilhéus, BA 06/02/1974
RUBENS E, SILVA
Fui seu primeiro funcionário que, com. o jornalista Carlos Monteiro um dos fundadores, saí de Belmonte para trabalhar no jornal, cujo primeiro número circulou no dia 10 de fevereiro de 1928, numa sexta-feira, com enorme expectativa e desusado interesse da parte da população.
Seus dirigentes e empresários desde o inicio daquele ano, desenvolveram intensa atividade e uma assistência intelectual e financeira das mais positivas, com uma certeza absoluta do êxito da iniciativa.
Efetivamente o DIÁRIO DA TARDE, que surgiu numa época de ouro da região cacaueira, vem atravessando os tempos com uma irrepreensível linha de independência e apoiado por todos .os setores, objetivo esperado e alcançado pelos seus iniciadores Carlos Monteiro, Eusínio Lavigne, Alcino Dórea e Francisco da Silveira Dórea que comandou a empresa por mais de- 45 anos, o que constitui um verdadeiro “record” na imprensa nordestina.
Na primeira década da existência do DIÁRIO, o jornal participou intensamente da vida da cidade, tanto no setor social, político como no esportivo. No setor político liderou a Revolução de 30 na região sul da Bahia, obrigando as autoridades de então lhes impor uma censura, motivando que diversas de suas edições saíssem com colunas em branco. Mas vitorioso o movimento um dos seus principais elementos, o Dr. Eusínio Lavigne foi escolhido Prefeito da Cidade, se constituindo um dos maiores dirigentes administrativos que Ilhéus já possuiu, responsável pela ampliação e desenvolvimento urbano.
Naquela época Ilhéus tinha uma vida. noturna intensa, com quatro cassinos funcionando. Os bares das praças do Vesúvio -e Firmino Amaral com um movimento enorme e os seus 3 cinemas funcionando diariamente com desusada assistência, o setor urbano era também muito movimentado.
As festividades que sempre, como ainda hoje, contavam com a colaboração do jornal, decorriam em plena animação, principalmente as religiosas, tais como as de Nª. Sª. das Vitórias, São Jorge e São Sebastião, que reuniam católicos de todos os setores da cidade.
O movimento esportivo com. a participação do Vitória, Satélite, Flamengo e Santa Cruz, era a paixão dos torcedores o que motivou a necessidade da construção do Estádio "Mário Pessoa", onde os campeonatos eram realizados em renhidas partidas.
Durante o Carnaval, os Pidões e Fiapos, sucessores dos Batutas e Bacuraus, além das escolas de Samba de Melé e Almir, faziam com que a população se concentrasse na Luiz Viana, com uma animação fora do comum.
As festas do Clube Social e da União Protetora e a participação do “Jazz Moraes", eram animadíssimas.
Noites de Reis com Aprígia e Domiense exibindo seus ternos bem organizados e as testas Antoninas nas casas de Mãe Tereza, Dª Clara e Rita, de Zé Luiz e Antonina Santana, terminavam com animados bailes que iam até altas madrugadas.
Também o São Cosme de Aflitina e São Crispim de Alzira de Aquilino reuniam destacados elementos dos mais variados setores sociais de Ilhéus que também não esqueciam de uma visita a Pai Pedro ou mesmo a Jubiabá quando aparecia na cidade.
O mais importante é que o DIÁRIO DA TARDE sempre foi distinguido por todos, da gente humilde aos destacados nomes da sociedade e da política que hoje, decerto, prestarão as mais sinceras e justas homenagens ao jornal que, passando pelas mais variadas fases econômicas da região, jamais deixou de cumprir o papel de "paladino dos eternos ideais de liberdade" a que se propôs.
Guanabara, Fevereiro de 1974.
Ilhéus, BA 06/02/1974
RUBENS E, SILVA
“Boca Rica” e as coisas da Central do Brasil.
RIO — Lá vem o trem da Centra. Chega na Estação intermediária praticamente lotado. Os passageiros que estão na plataforma não tomam conhecimento e ''forçam a barra", aumentando o número da usuários, parecendo ser impossível entrar mais gente. Pura ilusão, pois, na próxima Estação um trem avariado ocasiona nova invasão e um ex-bem acomodado viajante .amparado por um daqueles ferros de sustentação do teto. exclama: "trem da Central é igual a coração de mãe. sempre cabe mais um..."
Esta cena é uma constante nos transportes suburbanos da hoje Rede Ferroviária Federal (ex-Central do Brasil) principalmente nas primeiras horas do dia, ooasião em que os trabalhadores, vindos dos mais longínquos recantos do Grande Rio, se dirigem ao "batente"
Em dias de calor intenso a viagem fica insuportável e altera sobremodo o sistema nervoso dos passageiros e resulta nos tradicionais "Quebra-Quebra" de funestas .consequências, que poderia ser evitadas, se as intempestivas paradas das viagens, fossem devidamente explicadas. Hoje a direção da ferrovia apresenta um bom serviço de divulgação nas estações.
Em trânsito normal a viagem torna-se até divertida, fazendo até que os eternos mal-humorados consiga, algumas vezes, dar sinais de sua graça. quando das respostas (Intempestivas a qualquer intervenção jocosa .de um companheiro.
Há anos, conseguimos que daqui de Realengo, todas as manhãs, saísse uma composição com destino à cidade. Imediatamente o trem foi cognominado de "Boca Rica", o que era realmente para os moradores do populoso subúrbio. O "Boca Rica” se tornou conhecido por todo o Rio de Janeiro, pelas festas natalinas promovidas pelos seus usuários ,darante as quais o maquinista responsável — Bahiano — era homenageado .recebendo presentes dos viajantes que enfeitavam a composição. O verdadeiro "Trem da Alegria” durou' cerca de cinco anos e, apesar dos apelos .não mais voltou a circular. O interessante era que Bahiano, o maquinista nem conhecia a "Boa
A viagem em qualquer comboio ferroviário à qualquer coisa de divertida principalmente devido o convívio entre as mais variadas classes sociais que resultam em sólidas amizades, através de jogos de "sueca", debates políticos e discussões sobre futebol, corrida de cavalos e até palpites para o tradicional jogo-do-biclïo, o passa-tempo preferido pelos cariocas, ou melhor, pelos brasileiros.
Costumo ficar atento aos acontecimentos ocorridos nas viagens de coletivos, das quais colho assuntos para esta coluna que, em breve comemora cinco ancs (aí está incluído "Coisas do Passado") e hoje passo a relatar algumas cenas.
Estávamos em Junho, no rigor do inverno. O trem relativamente lotado e, a um canto, uma senhora "tiritava" de frio a ponto de estar encolhidíssima. Entra um senhor forte, amparado por um bom número de camisas escondidas por um aconchegante casaco de couro. Vendo a senhora pargunta. em tom de deboche se a mesma está com frio. Com a resposta afirmativa ele radiante se declara amante daquela temperatura. Gosto deste tempinho que a senhora não imagina, não sei como tem gente que reclama de frio.
A temperatura está amena. O trem estava cheio. Em um banco que cabiam uns sete estavam onze, quando em Cascadura, entra uma senhora "tamanho família". Um passageïro ïncomodamente sentado, oferece seu lugar a nova passageira que aceitando "aboleta" seus quase um metro no espaço de 20 centímetros que lhes foí oferecido.
Os pingentes são desabusados. Só viajam na porta do comboio. Dizem piadas a torto e a direito atingjndo aos transeuntes quando a composição passa perto de qualquer rua. Naquela dia de calor intenso uma turma de trabalhadores da via permanente, num trabalho ingrato de ajusta os dormentes com pedras britadas que fazia sair suor por todos os poros, Passando por perto, um pingente, grita:
—-Ei meu chapa, está encoatondo ouro aí?
Ninguém ouviu a resposta-reação dos trabalhadores. Foi bom assim.
Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 07/07/1980
Esta cena é uma constante nos transportes suburbanos da hoje Rede Ferroviária Federal (ex-Central do Brasil) principalmente nas primeiras horas do dia, ooasião em que os trabalhadores, vindos dos mais longínquos recantos do Grande Rio, se dirigem ao "batente"
Em dias de calor intenso a viagem fica insuportável e altera sobremodo o sistema nervoso dos passageiros e resulta nos tradicionais "Quebra-Quebra" de funestas .consequências, que poderia ser evitadas, se as intempestivas paradas das viagens, fossem devidamente explicadas. Hoje a direção da ferrovia apresenta um bom serviço de divulgação nas estações.
Em trânsito normal a viagem torna-se até divertida, fazendo até que os eternos mal-humorados consiga, algumas vezes, dar sinais de sua graça. quando das respostas (Intempestivas a qualquer intervenção jocosa .de um companheiro.
Há anos, conseguimos que daqui de Realengo, todas as manhãs, saísse uma composição com destino à cidade. Imediatamente o trem foi cognominado de "Boca Rica", o que era realmente para os moradores do populoso subúrbio. O "Boca Rica” se tornou conhecido por todo o Rio de Janeiro, pelas festas natalinas promovidas pelos seus usuários ,darante as quais o maquinista responsável — Bahiano — era homenageado .recebendo presentes dos viajantes que enfeitavam a composição. O verdadeiro "Trem da Alegria” durou' cerca de cinco anos e, apesar dos apelos .não mais voltou a circular. O interessante era que Bahiano, o maquinista nem conhecia a "Boa
A viagem em qualquer comboio ferroviário à qualquer coisa de divertida principalmente devido o convívio entre as mais variadas classes sociais que resultam em sólidas amizades, através de jogos de "sueca", debates políticos e discussões sobre futebol, corrida de cavalos e até palpites para o tradicional jogo-do-biclïo, o passa-tempo preferido pelos cariocas, ou melhor, pelos brasileiros.
Costumo ficar atento aos acontecimentos ocorridos nas viagens de coletivos, das quais colho assuntos para esta coluna que, em breve comemora cinco ancs (aí está incluído "Coisas do Passado") e hoje passo a relatar algumas cenas.
Estávamos em Junho, no rigor do inverno. O trem relativamente lotado e, a um canto, uma senhora "tiritava" de frio a ponto de estar encolhidíssima. Entra um senhor forte, amparado por um bom número de camisas escondidas por um aconchegante casaco de couro. Vendo a senhora pargunta. em tom de deboche se a mesma está com frio. Com a resposta afirmativa ele radiante se declara amante daquela temperatura. Gosto deste tempinho que a senhora não imagina, não sei como tem gente que reclama de frio.
A temperatura está amena. O trem estava cheio. Em um banco que cabiam uns sete estavam onze, quando em Cascadura, entra uma senhora "tamanho família". Um passageïro ïncomodamente sentado, oferece seu lugar a nova passageira que aceitando "aboleta" seus quase um metro no espaço de 20 centímetros que lhes foí oferecido.
Os pingentes são desabusados. Só viajam na porta do comboio. Dizem piadas a torto e a direito atingjndo aos transeuntes quando a composição passa perto de qualquer rua. Naquela dia de calor intenso uma turma de trabalhadores da via permanente, num trabalho ingrato de ajusta os dormentes com pedras britadas que fazia sair suor por todos os poros, Passando por perto, um pingente, grita:
—-Ei meu chapa, está encoatondo ouro aí?
Ninguém ouviu a resposta-reação dos trabalhadores. Foi bom assim.
Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 07/07/1980
As festas de Cosme e Damião
RIO — Rubens Correia, ou melhor Rubens da Associação, o veterano estatístico da Associação Comercial de Ilhéus, que deve estar se aposentando, pelo tempo que exerce, na tradicional entidade da Praça J.J. Seabra, de vez em quando, através de "Coisas e Fatos de Ilhéus", tece considerações acerca de macumba e candomblé, demonstrando ser um assíduo freqüentador da casa do Pai Pedro, lá no Alto do Basílio, além de conhecedor profundo da história dos "Terreiros" da região cacaueira.
O velho amigo das noitadas de Ilhéus, para minha surpresa, nos escritos confessa que desde os idos de 30 "está por dentro" das coisas de Oxossi e Ogum, acompanhando a saudosa "Mãe Percília", do Pontal, substituída por "Mãe Conceição", sendo agora um "fam" incondicional de "Pai Pedro” no seu terreiro no Basilio, onde naturalmente recebe os fluidos do tradicional "bruxo", considerado atração turística da cidade.
Naquele tempo o candomblé era considerado contravenção e sua prática era perseguida pela polícia, que não dava tréguas aos "cambonos", muitas vezes presos com os seus seguidores e seus apetrechos.
Hoje a coisa mudou. As macumbas estão em todos os lugares. Os "pegys", que funcionavam nos longínquos recantos, estão funcionando nos centos urbanos e, muitas vezes, como acontece aqui no Rio, não respeita a Lei do Silencio, amparados que estão por diplomas gerais.
O pior é que a profissão está sendo exercida, em muitos casos, por impostores que apenas visam a exploração dos incautos, pondo "para trás" àqueles que praticam Umbanda com fins puramente humanitários, não visando lucros.
Numa última crônica o Rubens da Associação se refere a "Festa de Cosme e Damião" e depois de fazer um histórico dos dois "mabaços", popularmente conhecidos e festejados, noticia a festa que o, também companheiro das festinhas de aniversários, Chico Caraneba, ia proporcionar aos seus amigos, quando o tradicional caruru e o apimentado vatapá, iam "rolar" durante à noite.
A notícia me fez recordar festas dos “dois dois” nas décadas de 20 e 30, nas casas de Pai Pedro, Jorgina, e especialmente, a promovida por Aflitina, esposa do "Flamengo doente" ' António da “State”, no início da Avenida 2 de Julho, perto da subida do Alto de São Sebastião.
Apesar da preferência dos anfitriãos .pelos 'amarelinhos", no dia 27 de setembro não havia discriminação.
Todos eram recebidíssimos. Desde as primeiras horas da tarde, começava a romaria e a distribuição de bebidas com certa reserva. Sim, a coisa começava calmamente até a chegada do Dr. Lopes e do chefe político tradicional Álvaro Vieira, além de uns outros destacados elementos da cidade. Eles davam uma espécie de sinal verde para as comemorações, uma vez que a primeira mesa dos "comes e bebes" só era servida quando eles chegavam, não adiantando a indocilidade da rapaziada, tão natural em ocasiões desta natureza.
Anos depois soube porque o privilégio, que era quase exclusivo do Dr. Lopes. Respondendo a uma indagação que fiz, Dona Aflitina, uma excepcional mãe de seis filhos, declarou:
— O compadre Lopes é a única pessoa que pode "batizar" a toalha dos "meninos", em primeiro lugar.
Efetivamente, nas casas onde festejavam Cosme e Damião, os participantes limpavam as mãos numa toalha que a dona da casa trazia pendurada no cós da saia.
Nunca soube o porquê dessa tradição, respeitada por todos participantes das festas espalhadas por toda a cidade.
Aqui no Rio as comemorações, de modo geral, se resume na distribuição de "balas" e doces para a. criançada. São raras as casas —naturalmente . de baianos — que oferecem caruru, acarajé e vatapá, dentre outras comidas cosidas com azeite de dendê.
Jornal da Manhã Ilhéus/BA 18/10/1978
O velho amigo das noitadas de Ilhéus, para minha surpresa, nos escritos confessa que desde os idos de 30 "está por dentro" das coisas de Oxossi e Ogum, acompanhando a saudosa "Mãe Percília", do Pontal, substituída por "Mãe Conceição", sendo agora um "fam" incondicional de "Pai Pedro” no seu terreiro no Basilio, onde naturalmente recebe os fluidos do tradicional "bruxo", considerado atração turística da cidade.
Naquele tempo o candomblé era considerado contravenção e sua prática era perseguida pela polícia, que não dava tréguas aos "cambonos", muitas vezes presos com os seus seguidores e seus apetrechos.
Hoje a coisa mudou. As macumbas estão em todos os lugares. Os "pegys", que funcionavam nos longínquos recantos, estão funcionando nos centos urbanos e, muitas vezes, como acontece aqui no Rio, não respeita a Lei do Silencio, amparados que estão por diplomas gerais.
O pior é que a profissão está sendo exercida, em muitos casos, por impostores que apenas visam a exploração dos incautos, pondo "para trás" àqueles que praticam Umbanda com fins puramente humanitários, não visando lucros.
Numa última crônica o Rubens da Associação se refere a "Festa de Cosme e Damião" e depois de fazer um histórico dos dois "mabaços", popularmente conhecidos e festejados, noticia a festa que o, também companheiro das festinhas de aniversários, Chico Caraneba, ia proporcionar aos seus amigos, quando o tradicional caruru e o apimentado vatapá, iam "rolar" durante à noite.
A notícia me fez recordar festas dos “dois dois” nas décadas de 20 e 30, nas casas de Pai Pedro, Jorgina, e especialmente, a promovida por Aflitina, esposa do "Flamengo doente" ' António da “State”, no início da Avenida 2 de Julho, perto da subida do Alto de São Sebastião.
Apesar da preferência dos anfitriãos .pelos 'amarelinhos", no dia 27 de setembro não havia discriminação.
Todos eram recebidíssimos. Desde as primeiras horas da tarde, começava a romaria e a distribuição de bebidas com certa reserva. Sim, a coisa começava calmamente até a chegada do Dr. Lopes e do chefe político tradicional Álvaro Vieira, além de uns outros destacados elementos da cidade. Eles davam uma espécie de sinal verde para as comemorações, uma vez que a primeira mesa dos "comes e bebes" só era servida quando eles chegavam, não adiantando a indocilidade da rapaziada, tão natural em ocasiões desta natureza.
Anos depois soube porque o privilégio, que era quase exclusivo do Dr. Lopes. Respondendo a uma indagação que fiz, Dona Aflitina, uma excepcional mãe de seis filhos, declarou:
— O compadre Lopes é a única pessoa que pode "batizar" a toalha dos "meninos", em primeiro lugar.
Efetivamente, nas casas onde festejavam Cosme e Damião, os participantes limpavam as mãos numa toalha que a dona da casa trazia pendurada no cós da saia.
Nunca soube o porquê dessa tradição, respeitada por todos participantes das festas espalhadas por toda a cidade.
Aqui no Rio as comemorações, de modo geral, se resume na distribuição de "balas" e doces para a. criançada. São raras as casas —naturalmente . de baianos — que oferecem caruru, acarajé e vatapá, dentre outras comidas cosidas com azeite de dendê.
Jornal da Manhã Ilhéus/BA 18/10/1978
O curió e os discursos de Ruy
RIO — Sem dúvida, um dos chefes de estado mais criticado pela imprensa é o irrequieto Idi-Amin, de Uganda.. Creio até, num 'teste' de comparação, ele ultrapassou Adopho Hitler. Os termos mais pejorativos são aplicados ao governante africano que já foi, inclusive'taxado de antropófago.
Francamente temos que dar um desconto nestas assertivas pois, ao que .sabemos, o homem foi educado nas mais importantes universidade de Londres, freqüentando os mais destacados meios universitários, obrigado, portanto a, pelo menos, se portar como cavalheiro, dando exemplo aos seus milhares de súditos, que o fizeram seu líder, com os quais se mistura em dias festivos.
Agora mesmo, leio uma notícia que Idi Amin está bastante preocupado com a existência de um cágado recolhido no Jardim Zoológico da sua cidade. E que o animal deu para falar e ,segundo a imprensa. isto o apavora. Supersticioso, que é, pensa o chefe-africano, tratar-se de um prenuncio "de coisas desagradáveis prestes a acontecer ao seu povo. Não acredito que a notícia seja verdadeira.
Mas, este negócio de bicho falar não é novidade. Desde o principio do mundo casos idênticos são registrados. Certo ou errado, muita gente acredita á. em tais fenômenos e até ouve e interpreta a fala dos irracionais. Em contra-partida, muita gente não acredita. Porém, no que todos concordam ó que só os papagaios são capazes de falar.
A notícia do cágado falante de Uganda, me fez lembrar de dois. casos ocorridos ,há muito tempo, que confirmam a crendice popular e a incredulidade de outra parte ,em tais cases. Certa vez, nos idos de 30, surgiu a notícia de que nas imediações de Banco da Vitória, todas as noites, esvoaçava, uma gigantesca ave que mandava os moradores da região trabalharem. (Tratava-se de um JAPU) A insistência da notícia, foi o bastante para muita gente, residente em Ilhéus, organizar caravanas para verificar o fenômeno. A maioria se dirigia ao local a pé. Muita gente voltava confirmando a notícia, porém, outros declaravam nada ter assistido nem ouvido. O desfile se prolongou por algum tempo. Da mesma forma que surgiu, a ave desapareceu e com ela os romeiros de Banco da Vitória. O importante foi que na época não houve aumento de produção, fazendo crer que ninguém seguiu o conselho da misteriosa ave.
Em Belmonte, um senhor chamado Coutinho, pequeno negociante, estabelecido junto à cadeia pública, na Rua Sete, possuía um Sabiá-Laranjeira que falava. Repetia constantemente o nome da companheira do negociante. Ela. se chamava "Deja”. Fato verdadeiro e que até hoje é lembrado pela «velha-guarda» da cidade.
Certa vez, o saudoso jornalista Carlos Monteiro, numa de suas viagens a Salvador, a bordo de um navio da "Bahiana», participou de um grupe de viajantes que contava coisas excêntricas c casos raros. A certa altura o jornalista resolveu contar o caso do Sabiá-Laranjeira de Coutinho, com detalhes para confirmar a veracidade do fenômeno, ratificado por um belmontense presente. Mesmo assim a maioria demonstrou dúvida na existência da ave, através da frieza sentida pelo jornalista .
Mas, como sempre acontece, um dos viajantes quebrando a frieza de ambiente declarou o indefectível "isto não é nada” e atacou:
— Na minha cidade conheci um Curió que sabia de cor e recitava todos os discursos de Ruy Barbosa...
Nunca mais Carlos Monteiro contou o caso do Sabiá do Coutinho..
Jornal da Manhã Ilhéus/BA 14/09/1978
Francamente temos que dar um desconto nestas assertivas pois, ao que .sabemos, o homem foi educado nas mais importantes universidade de Londres, freqüentando os mais destacados meios universitários, obrigado, portanto a, pelo menos, se portar como cavalheiro, dando exemplo aos seus milhares de súditos, que o fizeram seu líder, com os quais se mistura em dias festivos.
Agora mesmo, leio uma notícia que Idi Amin está bastante preocupado com a existência de um cágado recolhido no Jardim Zoológico da sua cidade. E que o animal deu para falar e ,segundo a imprensa. isto o apavora. Supersticioso, que é, pensa o chefe-africano, tratar-se de um prenuncio "de coisas desagradáveis prestes a acontecer ao seu povo. Não acredito que a notícia seja verdadeira.
Mas, este negócio de bicho falar não é novidade. Desde o principio do mundo casos idênticos são registrados. Certo ou errado, muita gente acredita á. em tais fenômenos e até ouve e interpreta a fala dos irracionais. Em contra-partida, muita gente não acredita. Porém, no que todos concordam ó que só os papagaios são capazes de falar.
A notícia do cágado falante de Uganda, me fez lembrar de dois. casos ocorridos ,há muito tempo, que confirmam a crendice popular e a incredulidade de outra parte ,em tais cases. Certa vez, nos idos de 30, surgiu a notícia de que nas imediações de Banco da Vitória, todas as noites, esvoaçava, uma gigantesca ave que mandava os moradores da região trabalharem. (Tratava-se de um JAPU) A insistência da notícia, foi o bastante para muita gente, residente em Ilhéus, organizar caravanas para verificar o fenômeno. A maioria se dirigia ao local a pé. Muita gente voltava confirmando a notícia, porém, outros declaravam nada ter assistido nem ouvido. O desfile se prolongou por algum tempo. Da mesma forma que surgiu, a ave desapareceu e com ela os romeiros de Banco da Vitória. O importante foi que na época não houve aumento de produção, fazendo crer que ninguém seguiu o conselho da misteriosa ave.
Em Belmonte, um senhor chamado Coutinho, pequeno negociante, estabelecido junto à cadeia pública, na Rua Sete, possuía um Sabiá-Laranjeira que falava. Repetia constantemente o nome da companheira do negociante. Ela. se chamava "Deja”. Fato verdadeiro e que até hoje é lembrado pela «velha-guarda» da cidade.
Certa vez, o saudoso jornalista Carlos Monteiro, numa de suas viagens a Salvador, a bordo de um navio da "Bahiana», participou de um grupe de viajantes que contava coisas excêntricas c casos raros. A certa altura o jornalista resolveu contar o caso do Sabiá-Laranjeira de Coutinho, com detalhes para confirmar a veracidade do fenômeno, ratificado por um belmontense presente. Mesmo assim a maioria demonstrou dúvida na existência da ave, através da frieza sentida pelo jornalista .
Mas, como sempre acontece, um dos viajantes quebrando a frieza de ambiente declarou o indefectível "isto não é nada” e atacou:
— Na minha cidade conheci um Curió que sabia de cor e recitava todos os discursos de Ruy Barbosa...
Nunca mais Carlos Monteiro contou o caso do Sabiá do Coutinho..
Jornal da Manhã Ilhéus/BA 14/09/1978
Um “record” difícil de ser superado
RIO — “Eis aqui uma figura simpática e insinuante, além de boníssima. É uma das pessoas mais prestigiosas desta região..."
A figura simpática que o Teixeira saudava, naquele dia de festa em Pirangí, não passava de um personagem parecido com o lendário Quasimodo, do sensacional filme "Corcunda de Notre Dame". Mas o objetivo da efusiva e despropositada saudação foi alcançado. A despesa que fizemos – eu, Lelinho e o orador, foi paga, acrescida de mais uma "rodada".
Esta cena se passou na Pïrangi, por ocasião de um passeio; ferroviário, cuja principal atração era uma partida de futebol.
Era assim o saudoso companheiro e amigo Teixeira, o António Benvindo Teixeira, um dos fundadores do-"Diário da Tarde", que, há cinco anos, falecia aí na Capital do Cacau, onde viveu cerca.de 45 anos.
Estava ."eu em Salvador, justamente para assistir a tradicional Festa do Bonfim, quando, naquele Janeiro de 1973 ,o companheiro de longas datas, Juvenal Silva, num encontro ocasional, me deu a notícia do recente falecimento do colega, cujos laços de amizade datavam de 1928, justamente em Janeiro, na sua chegada de Salvador.
Meses antes, em Ilhéus, havia me encontrado com o colega e amigo notei a sua decadência física, minada, conforme suas palavras, por motivos familiares, mas, na verdade a situação chegara naquele ponto, pela teimosia do amigo em esquecer as agruras, ingerindo pequenas mas continuadas doses de "traçados". Sabia que os conselhos de nada iam valer, mesmo assim, confiado na amizade, os dei, naquele encontro lembrado.
Teixeira Já não era aquele dos idos de 20. 30 e 40 que conheci, cheio de entusiasmo, sempre pronto para um discurso ou um recitativo, Aquele que "nas festividades encontrava jeito de por falação. Era diferente do Teixeira"; que, nas chegadas do interior, de onde sempre trazia algum" para a folha do sábado, fazia "suspense", surgindo, pela Cel. Paiva ou Eustáquio Bastos, quando a turma não tirava os olhos da Paranaguá, finalmente naquele encontro me deixou a certeza que seus dias estavam chegando ao fim.
Mesmo assim a notícia do seu desaparecimento, transmitida pelo funcionário da Coletona Federal em Ilhéus, Juvenal Silva, ali na Praça da Sé, em Salvador, me deixou desolado. era mais um velho companheiro que deixava este mundo, indo para onde já estavam Lelinho, Roques Sousa Pinto, Aristotelino e, para onde iriam Francisco Dórea, Eusinio Lavigne, Edmundo Araújo e Moura, todos da primeira arrancada do tradicional jornal da Rua Paranaguá.
Mas hoje, esta coluna presta uma homenagem póstuma ao Teixeira pela passagem do quinto aniversário do seu falecimento.
O velho amigo, certa vez realizou. uma façanha, creio, difícil, se não impossível de ser igualada. O fato ocorreu em Banco do Pedro, por ocasião do "aniversário do seu chefe, Ciriaco Marinho de Sá, um verdadeiro "gentleman" sempre disposto a dispensar um tratamento distinto ao seu próximo e. por este motivo, bastante relacionado em toda a região..
Festejava o destacado chefe político seu cinquentenário e o acontecimento era motivo de manifestações das mais variadas classes da área servida pela State.
Como não podia deixar de ser. lá estava nosso amigo Teixeira, que fez a primeira saudação ao aniversariante, logo respondida. Em seguida, antes dü almoço, foram chegando as embaixadas para felicitar o chefe de Banco do Pedro.
A certa altura, Teixeira foi escolhido para agradecer as homenagens, mas também era convidado para representar algumas dslegaçôes, animado com as sucessivas doses, o nosso amigo realizou uma façanha inédita. Saudava o homenageado ao mesmo tempo em que agradecia a manifestação dos convidados.
Naquele dia o saudoso companhciro fez nada menos do que 16 discursos. Um. verdadeiro "recorde"' e um caso inédito em festas natalícias.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 26/01/1979
A figura simpática que o Teixeira saudava, naquele dia de festa em Pirangí, não passava de um personagem parecido com o lendário Quasimodo, do sensacional filme "Corcunda de Notre Dame". Mas o objetivo da efusiva e despropositada saudação foi alcançado. A despesa que fizemos – eu, Lelinho e o orador, foi paga, acrescida de mais uma "rodada".
Esta cena se passou na Pïrangi, por ocasião de um passeio; ferroviário, cuja principal atração era uma partida de futebol.
Era assim o saudoso companheiro e amigo Teixeira, o António Benvindo Teixeira, um dos fundadores do-"Diário da Tarde", que, há cinco anos, falecia aí na Capital do Cacau, onde viveu cerca.de 45 anos.
Estava ."eu em Salvador, justamente para assistir a tradicional Festa do Bonfim, quando, naquele Janeiro de 1973 ,o companheiro de longas datas, Juvenal Silva, num encontro ocasional, me deu a notícia do recente falecimento do colega, cujos laços de amizade datavam de 1928, justamente em Janeiro, na sua chegada de Salvador.
Meses antes, em Ilhéus, havia me encontrado com o colega e amigo notei a sua decadência física, minada, conforme suas palavras, por motivos familiares, mas, na verdade a situação chegara naquele ponto, pela teimosia do amigo em esquecer as agruras, ingerindo pequenas mas continuadas doses de "traçados". Sabia que os conselhos de nada iam valer, mesmo assim, confiado na amizade, os dei, naquele encontro lembrado.
Teixeira Já não era aquele dos idos de 20. 30 e 40 que conheci, cheio de entusiasmo, sempre pronto para um discurso ou um recitativo, Aquele que "nas festividades encontrava jeito de por falação. Era diferente do Teixeira"; que, nas chegadas do interior, de onde sempre trazia algum" para a folha do sábado, fazia "suspense", surgindo, pela Cel. Paiva ou Eustáquio Bastos, quando a turma não tirava os olhos da Paranaguá, finalmente naquele encontro me deixou a certeza que seus dias estavam chegando ao fim.
Mesmo assim a notícia do seu desaparecimento, transmitida pelo funcionário da Coletona Federal em Ilhéus, Juvenal Silva, ali na Praça da Sé, em Salvador, me deixou desolado. era mais um velho companheiro que deixava este mundo, indo para onde já estavam Lelinho, Roques Sousa Pinto, Aristotelino e, para onde iriam Francisco Dórea, Eusinio Lavigne, Edmundo Araújo e Moura, todos da primeira arrancada do tradicional jornal da Rua Paranaguá.
Mas hoje, esta coluna presta uma homenagem póstuma ao Teixeira pela passagem do quinto aniversário do seu falecimento.
O velho amigo, certa vez realizou. uma façanha, creio, difícil, se não impossível de ser igualada. O fato ocorreu em Banco do Pedro, por ocasião do "aniversário do seu chefe, Ciriaco Marinho de Sá, um verdadeiro "gentleman" sempre disposto a dispensar um tratamento distinto ao seu próximo e. por este motivo, bastante relacionado em toda a região..
Festejava o destacado chefe político seu cinquentenário e o acontecimento era motivo de manifestações das mais variadas classes da área servida pela State.
Como não podia deixar de ser. lá estava nosso amigo Teixeira, que fez a primeira saudação ao aniversariante, logo respondida. Em seguida, antes dü almoço, foram chegando as embaixadas para felicitar o chefe de Banco do Pedro.
A certa altura, Teixeira foi escolhido para agradecer as homenagens, mas também era convidado para representar algumas dslegaçôes, animado com as sucessivas doses, o nosso amigo realizou uma façanha inédita. Saudava o homenageado ao mesmo tempo em que agradecia a manifestação dos convidados.
Naquele dia o saudoso companhciro fez nada menos do que 16 discursos. Um. verdadeiro "recorde"' e um caso inédito em festas natalícias.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 26/01/1979
Verdadeiros acertadores dos treze pontos
RíO — ''Uma francesa hospede do Üthon Hotel, provavelmente deslumbrada com seus dotes vocais nas interpretações de marchinhas carnavalescas, exagerou e pegou uma infecção na garganta, sendo obrigada a recorrer aos serviços de um médico. Com a ajuda de uma amiga cadoca descobrindo um médico que falasse francês, que a visitou e examinou, no hotel, a garganta, e receitou meia dúzia de antibióticos, cobrando 100 mil cuzeiros". Esta neta acabo de ler no Jornal rïo Brasil, na Colune Zózímo, de Zozimo do Amaral, uma das mais lidas e que reflete o movimento social da elite, segundo as más línguas, plenamente confirmadas pelas boas, o "papa" do colunismo, Ibrain Sued conseguiu ficar milionário.
O registro me fez lembrar o acontecido, há muitos anos, na minha Belmonte, na época bastante comentado nas altas rodas.
A cidade sulina na ocasião, era assistida clinico e praticamente, por doís médicos. Dr. Zanine Caldas, pai do famoso engenheiro e conhecido em todo o país José Zanine, introdutor, no Brasil, do sistema pratico de exibir, juntamente com a planta baixa, uma "Maquete", mostrando a miniatura do prédio a ser construído. O outro facultativo era o Dr. José Teixeira de Freitas, conhecido por Dr. Zczé. Este mais inclinado no atendimento das pessoas carentes, moradoras nos subúrbios, o que representava verdadeira "mão de , obra". já que as longas distâncias eram cobertas a pé. E a distancia que separava Ponta de Pedra Areia e a Preguiça, em termos de comparação era a mesma, em Ilhéus, entre a Ponta da Pedra e o Malhado.
Posteriormente os facultativos transferiram suas residências. Dr. Zanine veio para São Pauio e o Dr. Zezé para Salvador, onde segundo notícias faleceu vítima de insidiosa doença.
Certo dia desembarcou em Belmonte um novo médico, creio vindo da Capital baiana. Imediatamente se "entrosou" com os filhos da terra, acostumados a abraçar "gregos e troianos" que aparecessem, sem procurar da procedência, quanto mais exigir antecedentes. E quanta dor de cabeça motivou tal desinteresse...
Entrementes... No mesmo período adoece um velho fazendeiro conhecidíssimo pelo seu amor ao "vil metal", para ele não tanto vil assim, pois todo que conseguia chegar às suas .mãos, dificilmente voltava a circulação. No início a desculpa de tanto achego ao dinheiro era o de ter uma velhice mais tranqüila o que não estava acontecendo, pois continuava a "amealhar", ou melhor 'acolchoar' — o dinheiro era guardardo dentro do colchão —-tudo que ia arrecadando.
Estou falando do velho Eustáquio que residia na Praça João, onde hoje está instalada a filarmônica "15 de Setembro". Sua paixão.
Doente, insistia, na cura através de chás ou rezas por ser muito mais barato. Nem falasse com ele da necessidade de assistência médica. Aí o homem ficava mais doente. Naturalmente a coisa foi piorando com o enfraquecimento físico do velho avaro. Sentindo que estava na "ultima curva" Eustáquio resolveu atender seu confidente, Ceciliano Marques e receber a visita, de um médico. A urgência e o estado de saúde do doente fez com que se chamasse qualquer clinico. E o "qualquer" encontrado foi justamente o recém-chegado, cujo nome, se não me falha a memória era Dr. Berenguer, que chegado a casa do seu novo cliente teve urna impressão das piores.
O homem estava moribundo. Não havia mais nada a fazer. Para não perder a 'Viagem", um remédio paliativo enquanto aguardava o momento de assinar o óbito, que foi feito logo depois.
Ao apresentar a conta, alguém “soprou" o médico que podia se 'servir' já que o extinto era largamente abonado. Desconfiado com a informação o facultativo procurou se inteirar da situação daquele que, ao seu ver um pobretão. As informações eram sempre a mesma. O homem é riquíssimo.
O doutor então suspirou e, mesmo se diz hoje, “mandou brasa". A assistência clínica custou 5 contes de réis. Uma verdadeira fortuna.
Corno o médico que atendeu a francesa no Othon, acertou em cheio nos 13 pontos e desapareceu da cidade.
Rubens E Silva JORNAL -DA MANHÃ. - Ilhéus/BA 23/03/1981
O registro me fez lembrar o acontecido, há muitos anos, na minha Belmonte, na época bastante comentado nas altas rodas.
A cidade sulina na ocasião, era assistida clinico e praticamente, por doís médicos. Dr. Zanine Caldas, pai do famoso engenheiro e conhecido em todo o país José Zanine, introdutor, no Brasil, do sistema pratico de exibir, juntamente com a planta baixa, uma "Maquete", mostrando a miniatura do prédio a ser construído. O outro facultativo era o Dr. José Teixeira de Freitas, conhecido por Dr. Zczé. Este mais inclinado no atendimento das pessoas carentes, moradoras nos subúrbios, o que representava verdadeira "mão de , obra". já que as longas distâncias eram cobertas a pé. E a distancia que separava Ponta de Pedra Areia e a Preguiça, em termos de comparação era a mesma, em Ilhéus, entre a Ponta da Pedra e o Malhado.
Posteriormente os facultativos transferiram suas residências. Dr. Zanine veio para São Pauio e o Dr. Zezé para Salvador, onde segundo notícias faleceu vítima de insidiosa doença.
Certo dia desembarcou em Belmonte um novo médico, creio vindo da Capital baiana. Imediatamente se "entrosou" com os filhos da terra, acostumados a abraçar "gregos e troianos" que aparecessem, sem procurar da procedência, quanto mais exigir antecedentes. E quanta dor de cabeça motivou tal desinteresse...
Entrementes... No mesmo período adoece um velho fazendeiro conhecidíssimo pelo seu amor ao "vil metal", para ele não tanto vil assim, pois todo que conseguia chegar às suas .mãos, dificilmente voltava a circulação. No início a desculpa de tanto achego ao dinheiro era o de ter uma velhice mais tranqüila o que não estava acontecendo, pois continuava a "amealhar", ou melhor 'acolchoar' — o dinheiro era guardardo dentro do colchão —-tudo que ia arrecadando.
Estou falando do velho Eustáquio que residia na Praça João, onde hoje está instalada a filarmônica "15 de Setembro". Sua paixão.
Doente, insistia, na cura através de chás ou rezas por ser muito mais barato. Nem falasse com ele da necessidade de assistência médica. Aí o homem ficava mais doente. Naturalmente a coisa foi piorando com o enfraquecimento físico do velho avaro. Sentindo que estava na "ultima curva" Eustáquio resolveu atender seu confidente, Ceciliano Marques e receber a visita, de um médico. A urgência e o estado de saúde do doente fez com que se chamasse qualquer clinico. E o "qualquer" encontrado foi justamente o recém-chegado, cujo nome, se não me falha a memória era Dr. Berenguer, que chegado a casa do seu novo cliente teve urna impressão das piores.
O homem estava moribundo. Não havia mais nada a fazer. Para não perder a 'Viagem", um remédio paliativo enquanto aguardava o momento de assinar o óbito, que foi feito logo depois.
Ao apresentar a conta, alguém “soprou" o médico que podia se 'servir' já que o extinto era largamente abonado. Desconfiado com a informação o facultativo procurou se inteirar da situação daquele que, ao seu ver um pobretão. As informações eram sempre a mesma. O homem é riquíssimo.
O doutor então suspirou e, mesmo se diz hoje, “mandou brasa". A assistência clínica custou 5 contes de réis. Uma verdadeira fortuna.
Corno o médico que atendeu a francesa no Othon, acertou em cheio nos 13 pontos e desapareceu da cidade.
Rubens E Silva JORNAL -DA MANHÃ. - Ilhéus/BA 23/03/1981
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