RIO — Sem dúvida, um dos chefes de estado mais criticado pela imprensa é o irrequieto Idi-Amin, de Uganda.. Creio até, num 'teste' de comparação, ele ultrapassou Adopho Hitler. Os termos mais pejorativos são aplicados ao governante africano que já foi, inclusive'taxado de antropófago.
Francamente temos que dar um desconto nestas assertivas pois, ao que .sabemos, o homem foi educado nas mais importantes universidade de Londres, freqüentando os mais destacados meios universitários, obrigado, portanto a, pelo menos, se portar como cavalheiro, dando exemplo aos seus milhares de súditos, que o fizeram seu líder, com os quais se mistura em dias festivos.
Agora mesmo, leio uma notícia que Idi Amin está bastante preocupado com a existência de um cágado recolhido no Jardim Zoológico da sua cidade. E que o animal deu para falar e ,segundo a imprensa. isto o apavora. Supersticioso, que é, pensa o chefe-africano, tratar-se de um prenuncio "de coisas desagradáveis prestes a acontecer ao seu povo. Não acredito que a notícia seja verdadeira.
Mas, este negócio de bicho falar não é novidade. Desde o principio do mundo casos idênticos são registrados. Certo ou errado, muita gente acredita á. em tais fenômenos e até ouve e interpreta a fala dos irracionais. Em contra-partida, muita gente não acredita. Porém, no que todos concordam ó que só os papagaios são capazes de falar.
A notícia do cágado falante de Uganda, me fez lembrar de dois. casos ocorridos ,há muito tempo, que confirmam a crendice popular e a incredulidade de outra parte ,em tais cases. Certa vez, nos idos de 30, surgiu a notícia de que nas imediações de Banco da Vitória, todas as noites, esvoaçava, uma gigantesca ave que mandava os moradores da região trabalharem. (Tratava-se de um JAPU) A insistência da notícia, foi o bastante para muita gente, residente em Ilhéus, organizar caravanas para verificar o fenômeno. A maioria se dirigia ao local a pé. Muita gente voltava confirmando a notícia, porém, outros declaravam nada ter assistido nem ouvido. O desfile se prolongou por algum tempo. Da mesma forma que surgiu, a ave desapareceu e com ela os romeiros de Banco da Vitória. O importante foi que na época não houve aumento de produção, fazendo crer que ninguém seguiu o conselho da misteriosa ave.
Em Belmonte, um senhor chamado Coutinho, pequeno negociante, estabelecido junto à cadeia pública, na Rua Sete, possuía um Sabiá-Laranjeira que falava. Repetia constantemente o nome da companheira do negociante. Ela. se chamava "Deja”. Fato verdadeiro e que até hoje é lembrado pela «velha-guarda» da cidade.
Certa vez, o saudoso jornalista Carlos Monteiro, numa de suas viagens a Salvador, a bordo de um navio da "Bahiana», participou de um grupe de viajantes que contava coisas excêntricas c casos raros. A certa altura o jornalista resolveu contar o caso do Sabiá-Laranjeira de Coutinho, com detalhes para confirmar a veracidade do fenômeno, ratificado por um belmontense presente. Mesmo assim a maioria demonstrou dúvida na existência da ave, através da frieza sentida pelo jornalista .
Mas, como sempre acontece, um dos viajantes quebrando a frieza de ambiente declarou o indefectível "isto não é nada” e atacou:
— Na minha cidade conheci um Curió que sabia de cor e recitava todos os discursos de Ruy Barbosa...
Nunca mais Carlos Monteiro contou o caso do Sabiá do Coutinho..
Jornal da Manhã Ilhéus/BA 14/09/1978
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Um “record” difícil de ser superado
RIO — “Eis aqui uma figura simpática e insinuante, além de boníssima. É uma das pessoas mais prestigiosas desta região..."
A figura simpática que o Teixeira saudava, naquele dia de festa em Pirangí, não passava de um personagem parecido com o lendário Quasimodo, do sensacional filme "Corcunda de Notre Dame". Mas o objetivo da efusiva e despropositada saudação foi alcançado. A despesa que fizemos – eu, Lelinho e o orador, foi paga, acrescida de mais uma "rodada".
Esta cena se passou na Pïrangi, por ocasião de um passeio; ferroviário, cuja principal atração era uma partida de futebol.
Era assim o saudoso companheiro e amigo Teixeira, o António Benvindo Teixeira, um dos fundadores do-"Diário da Tarde", que, há cinco anos, falecia aí na Capital do Cacau, onde viveu cerca.de 45 anos.
Estava ."eu em Salvador, justamente para assistir a tradicional Festa do Bonfim, quando, naquele Janeiro de 1973 ,o companheiro de longas datas, Juvenal Silva, num encontro ocasional, me deu a notícia do recente falecimento do colega, cujos laços de amizade datavam de 1928, justamente em Janeiro, na sua chegada de Salvador.
Meses antes, em Ilhéus, havia me encontrado com o colega e amigo notei a sua decadência física, minada, conforme suas palavras, por motivos familiares, mas, na verdade a situação chegara naquele ponto, pela teimosia do amigo em esquecer as agruras, ingerindo pequenas mas continuadas doses de "traçados". Sabia que os conselhos de nada iam valer, mesmo assim, confiado na amizade, os dei, naquele encontro lembrado.
Teixeira Já não era aquele dos idos de 20. 30 e 40 que conheci, cheio de entusiasmo, sempre pronto para um discurso ou um recitativo, Aquele que "nas festividades encontrava jeito de por falação. Era diferente do Teixeira"; que, nas chegadas do interior, de onde sempre trazia algum" para a folha do sábado, fazia "suspense", surgindo, pela Cel. Paiva ou Eustáquio Bastos, quando a turma não tirava os olhos da Paranaguá, finalmente naquele encontro me deixou a certeza que seus dias estavam chegando ao fim.
Mesmo assim a notícia do seu desaparecimento, transmitida pelo funcionário da Coletona Federal em Ilhéus, Juvenal Silva, ali na Praça da Sé, em Salvador, me deixou desolado. era mais um velho companheiro que deixava este mundo, indo para onde já estavam Lelinho, Roques Sousa Pinto, Aristotelino e, para onde iriam Francisco Dórea, Eusinio Lavigne, Edmundo Araújo e Moura, todos da primeira arrancada do tradicional jornal da Rua Paranaguá.
Mas hoje, esta coluna presta uma homenagem póstuma ao Teixeira pela passagem do quinto aniversário do seu falecimento.
O velho amigo, certa vez realizou. uma façanha, creio, difícil, se não impossível de ser igualada. O fato ocorreu em Banco do Pedro, por ocasião do "aniversário do seu chefe, Ciriaco Marinho de Sá, um verdadeiro "gentleman" sempre disposto a dispensar um tratamento distinto ao seu próximo e. por este motivo, bastante relacionado em toda a região..
Festejava o destacado chefe político seu cinquentenário e o acontecimento era motivo de manifestações das mais variadas classes da área servida pela State.
Como não podia deixar de ser. lá estava nosso amigo Teixeira, que fez a primeira saudação ao aniversariante, logo respondida. Em seguida, antes dü almoço, foram chegando as embaixadas para felicitar o chefe de Banco do Pedro.
A certa altura, Teixeira foi escolhido para agradecer as homenagens, mas também era convidado para representar algumas dslegaçôes, animado com as sucessivas doses, o nosso amigo realizou uma façanha inédita. Saudava o homenageado ao mesmo tempo em que agradecia a manifestação dos convidados.
Naquele dia o saudoso companhciro fez nada menos do que 16 discursos. Um. verdadeiro "recorde"' e um caso inédito em festas natalícias.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 26/01/1979
A figura simpática que o Teixeira saudava, naquele dia de festa em Pirangí, não passava de um personagem parecido com o lendário Quasimodo, do sensacional filme "Corcunda de Notre Dame". Mas o objetivo da efusiva e despropositada saudação foi alcançado. A despesa que fizemos – eu, Lelinho e o orador, foi paga, acrescida de mais uma "rodada".
Esta cena se passou na Pïrangi, por ocasião de um passeio; ferroviário, cuja principal atração era uma partida de futebol.
Era assim o saudoso companheiro e amigo Teixeira, o António Benvindo Teixeira, um dos fundadores do-"Diário da Tarde", que, há cinco anos, falecia aí na Capital do Cacau, onde viveu cerca.de 45 anos.
Estava ."eu em Salvador, justamente para assistir a tradicional Festa do Bonfim, quando, naquele Janeiro de 1973 ,o companheiro de longas datas, Juvenal Silva, num encontro ocasional, me deu a notícia do recente falecimento do colega, cujos laços de amizade datavam de 1928, justamente em Janeiro, na sua chegada de Salvador.
Meses antes, em Ilhéus, havia me encontrado com o colega e amigo notei a sua decadência física, minada, conforme suas palavras, por motivos familiares, mas, na verdade a situação chegara naquele ponto, pela teimosia do amigo em esquecer as agruras, ingerindo pequenas mas continuadas doses de "traçados". Sabia que os conselhos de nada iam valer, mesmo assim, confiado na amizade, os dei, naquele encontro lembrado.
Teixeira Já não era aquele dos idos de 20. 30 e 40 que conheci, cheio de entusiasmo, sempre pronto para um discurso ou um recitativo, Aquele que "nas festividades encontrava jeito de por falação. Era diferente do Teixeira"; que, nas chegadas do interior, de onde sempre trazia algum" para a folha do sábado, fazia "suspense", surgindo, pela Cel. Paiva ou Eustáquio Bastos, quando a turma não tirava os olhos da Paranaguá, finalmente naquele encontro me deixou a certeza que seus dias estavam chegando ao fim.
Mesmo assim a notícia do seu desaparecimento, transmitida pelo funcionário da Coletona Federal em Ilhéus, Juvenal Silva, ali na Praça da Sé, em Salvador, me deixou desolado. era mais um velho companheiro que deixava este mundo, indo para onde já estavam Lelinho, Roques Sousa Pinto, Aristotelino e, para onde iriam Francisco Dórea, Eusinio Lavigne, Edmundo Araújo e Moura, todos da primeira arrancada do tradicional jornal da Rua Paranaguá.
Mas hoje, esta coluna presta uma homenagem póstuma ao Teixeira pela passagem do quinto aniversário do seu falecimento.
O velho amigo, certa vez realizou. uma façanha, creio, difícil, se não impossível de ser igualada. O fato ocorreu em Banco do Pedro, por ocasião do "aniversário do seu chefe, Ciriaco Marinho de Sá, um verdadeiro "gentleman" sempre disposto a dispensar um tratamento distinto ao seu próximo e. por este motivo, bastante relacionado em toda a região..
Festejava o destacado chefe político seu cinquentenário e o acontecimento era motivo de manifestações das mais variadas classes da área servida pela State.
Como não podia deixar de ser. lá estava nosso amigo Teixeira, que fez a primeira saudação ao aniversariante, logo respondida. Em seguida, antes dü almoço, foram chegando as embaixadas para felicitar o chefe de Banco do Pedro.
A certa altura, Teixeira foi escolhido para agradecer as homenagens, mas também era convidado para representar algumas dslegaçôes, animado com as sucessivas doses, o nosso amigo realizou uma façanha inédita. Saudava o homenageado ao mesmo tempo em que agradecia a manifestação dos convidados.
Naquele dia o saudoso companhciro fez nada menos do que 16 discursos. Um. verdadeiro "recorde"' e um caso inédito em festas natalícias.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 26/01/1979
Verdadeiros acertadores dos treze pontos
RíO — ''Uma francesa hospede do Üthon Hotel, provavelmente deslumbrada com seus dotes vocais nas interpretações de marchinhas carnavalescas, exagerou e pegou uma infecção na garganta, sendo obrigada a recorrer aos serviços de um médico. Com a ajuda de uma amiga cadoca descobrindo um médico que falasse francês, que a visitou e examinou, no hotel, a garganta, e receitou meia dúzia de antibióticos, cobrando 100 mil cuzeiros". Esta neta acabo de ler no Jornal rïo Brasil, na Colune Zózímo, de Zozimo do Amaral, uma das mais lidas e que reflete o movimento social da elite, segundo as más línguas, plenamente confirmadas pelas boas, o "papa" do colunismo, Ibrain Sued conseguiu ficar milionário.
O registro me fez lembrar o acontecido, há muitos anos, na minha Belmonte, na época bastante comentado nas altas rodas.
A cidade sulina na ocasião, era assistida clinico e praticamente, por doís médicos. Dr. Zanine Caldas, pai do famoso engenheiro e conhecido em todo o país José Zanine, introdutor, no Brasil, do sistema pratico de exibir, juntamente com a planta baixa, uma "Maquete", mostrando a miniatura do prédio a ser construído. O outro facultativo era o Dr. José Teixeira de Freitas, conhecido por Dr. Zczé. Este mais inclinado no atendimento das pessoas carentes, moradoras nos subúrbios, o que representava verdadeira "mão de , obra". já que as longas distâncias eram cobertas a pé. E a distancia que separava Ponta de Pedra Areia e a Preguiça, em termos de comparação era a mesma, em Ilhéus, entre a Ponta da Pedra e o Malhado.
Posteriormente os facultativos transferiram suas residências. Dr. Zanine veio para São Pauio e o Dr. Zezé para Salvador, onde segundo notícias faleceu vítima de insidiosa doença.
Certo dia desembarcou em Belmonte um novo médico, creio vindo da Capital baiana. Imediatamente se "entrosou" com os filhos da terra, acostumados a abraçar "gregos e troianos" que aparecessem, sem procurar da procedência, quanto mais exigir antecedentes. E quanta dor de cabeça motivou tal desinteresse...
Entrementes... No mesmo período adoece um velho fazendeiro conhecidíssimo pelo seu amor ao "vil metal", para ele não tanto vil assim, pois todo que conseguia chegar às suas .mãos, dificilmente voltava a circulação. No início a desculpa de tanto achego ao dinheiro era o de ter uma velhice mais tranqüila o que não estava acontecendo, pois continuava a "amealhar", ou melhor 'acolchoar' — o dinheiro era guardardo dentro do colchão —-tudo que ia arrecadando.
Estou falando do velho Eustáquio que residia na Praça João, onde hoje está instalada a filarmônica "15 de Setembro". Sua paixão.
Doente, insistia, na cura através de chás ou rezas por ser muito mais barato. Nem falasse com ele da necessidade de assistência médica. Aí o homem ficava mais doente. Naturalmente a coisa foi piorando com o enfraquecimento físico do velho avaro. Sentindo que estava na "ultima curva" Eustáquio resolveu atender seu confidente, Ceciliano Marques e receber a visita, de um médico. A urgência e o estado de saúde do doente fez com que se chamasse qualquer clinico. E o "qualquer" encontrado foi justamente o recém-chegado, cujo nome, se não me falha a memória era Dr. Berenguer, que chegado a casa do seu novo cliente teve urna impressão das piores.
O homem estava moribundo. Não havia mais nada a fazer. Para não perder a 'Viagem", um remédio paliativo enquanto aguardava o momento de assinar o óbito, que foi feito logo depois.
Ao apresentar a conta, alguém “soprou" o médico que podia se 'servir' já que o extinto era largamente abonado. Desconfiado com a informação o facultativo procurou se inteirar da situação daquele que, ao seu ver um pobretão. As informações eram sempre a mesma. O homem é riquíssimo.
O doutor então suspirou e, mesmo se diz hoje, “mandou brasa". A assistência clínica custou 5 contes de réis. Uma verdadeira fortuna.
Corno o médico que atendeu a francesa no Othon, acertou em cheio nos 13 pontos e desapareceu da cidade.
Rubens E Silva JORNAL -DA MANHÃ. - Ilhéus/BA 23/03/1981
O registro me fez lembrar o acontecido, há muitos anos, na minha Belmonte, na época bastante comentado nas altas rodas.
A cidade sulina na ocasião, era assistida clinico e praticamente, por doís médicos. Dr. Zanine Caldas, pai do famoso engenheiro e conhecido em todo o país José Zanine, introdutor, no Brasil, do sistema pratico de exibir, juntamente com a planta baixa, uma "Maquete", mostrando a miniatura do prédio a ser construído. O outro facultativo era o Dr. José Teixeira de Freitas, conhecido por Dr. Zczé. Este mais inclinado no atendimento das pessoas carentes, moradoras nos subúrbios, o que representava verdadeira "mão de , obra". já que as longas distâncias eram cobertas a pé. E a distancia que separava Ponta de Pedra Areia e a Preguiça, em termos de comparação era a mesma, em Ilhéus, entre a Ponta da Pedra e o Malhado.
Posteriormente os facultativos transferiram suas residências. Dr. Zanine veio para São Pauio e o Dr. Zezé para Salvador, onde segundo notícias faleceu vítima de insidiosa doença.
Certo dia desembarcou em Belmonte um novo médico, creio vindo da Capital baiana. Imediatamente se "entrosou" com os filhos da terra, acostumados a abraçar "gregos e troianos" que aparecessem, sem procurar da procedência, quanto mais exigir antecedentes. E quanta dor de cabeça motivou tal desinteresse...
Entrementes... No mesmo período adoece um velho fazendeiro conhecidíssimo pelo seu amor ao "vil metal", para ele não tanto vil assim, pois todo que conseguia chegar às suas .mãos, dificilmente voltava a circulação. No início a desculpa de tanto achego ao dinheiro era o de ter uma velhice mais tranqüila o que não estava acontecendo, pois continuava a "amealhar", ou melhor 'acolchoar' — o dinheiro era guardardo dentro do colchão —-tudo que ia arrecadando.
Estou falando do velho Eustáquio que residia na Praça João, onde hoje está instalada a filarmônica "15 de Setembro". Sua paixão.
Doente, insistia, na cura através de chás ou rezas por ser muito mais barato. Nem falasse com ele da necessidade de assistência médica. Aí o homem ficava mais doente. Naturalmente a coisa foi piorando com o enfraquecimento físico do velho avaro. Sentindo que estava na "ultima curva" Eustáquio resolveu atender seu confidente, Ceciliano Marques e receber a visita, de um médico. A urgência e o estado de saúde do doente fez com que se chamasse qualquer clinico. E o "qualquer" encontrado foi justamente o recém-chegado, cujo nome, se não me falha a memória era Dr. Berenguer, que chegado a casa do seu novo cliente teve urna impressão das piores.
O homem estava moribundo. Não havia mais nada a fazer. Para não perder a 'Viagem", um remédio paliativo enquanto aguardava o momento de assinar o óbito, que foi feito logo depois.
Ao apresentar a conta, alguém “soprou" o médico que podia se 'servir' já que o extinto era largamente abonado. Desconfiado com a informação o facultativo procurou se inteirar da situação daquele que, ao seu ver um pobretão. As informações eram sempre a mesma. O homem é riquíssimo.
O doutor então suspirou e, mesmo se diz hoje, “mandou brasa". A assistência clínica custou 5 contes de réis. Uma verdadeira fortuna.
Corno o médico que atendeu a francesa no Othon, acertou em cheio nos 13 pontos e desapareceu da cidade.
Rubens E Silva JORNAL -DA MANHÃ. - Ilhéus/BA 23/03/1981
WALDEMAR VIANA E SUAS SUBVENÇÕES
Na vasta região eleitoral, a 15ª Zona Eleitoral , está incluído o Conjunto Residencial de Realengo. Naturalmente muitos políticos montaram seu reduto político no setor que compreende alguns subúrbios tais como Marechal Hermes, Deodoro, Realengo, - um dos mais populosos do Rio, Padre Miguel e Bangu. Alguns destes políticos só aparecem em tempo de eleição e sempre amparados por cabos eleitorais residentes na localidade.
N a verdade os mais lídimos representantes de grande parte da Região Eleitoral foram Ubaldo de Oliveira e Valdemar Carvalho de Vianna, sendo que este 5 por morar no Conjunto Residencial de Padre Miguel, se tornou o autêntico defensor da localidade , onde deixou importantes obras das quais se destacam Hospital Olivério Kremer, podemos dizer feito "no peito" já que enfrentou uma série de dificuldades para conseguir a sua construção. Dificuldades estas iniciadas com a sua localização dada a negativa do Instituto dos Industriários de conceder uma área das suas vastos terrenos.
Waldemar Vianna já falecido, tinha um modo explosivo de alcançar seus objetivos, não se deixando desanimar diante de qualquer empecilho e que lhe valeu o prestigio entre todas as camadas do eleitorado.
Certa vez, por ocasião da feitura do orçamento anual da então Prefeitura do Distrito Federal, dotou os principais clubes de Realengo com subvenções. entre estes escavam o Centro Recreativo dos Industriários do Realengo (CRIR), o -Cruzeiros Futebol Clube e o Liberdade Independente Clubes Associados (LICA) este formado de funcionários da antiga autarquia dos Industriários).
Aprovado o orçamento, estas agremiações se juntaram para receberem as subvenções, encontrando uma série de dificuldades para conseguirem seu intento. As investidas sobre os setores financeiros da Capital Federai eram infrutíferas, e a. proporção que o ano ia se findando, o perigo do auxílio financeiro cair em "exercícios findos", ou seja a perda total da dotação.
resolvemos então procurar o vereador Valdemar Viana e levar ao seu conhecimento o que vinha ocorrendo- O edil não gostou de ser procurado tão tarde, ao mesmo tempo em que confirmava o a compromisso da parte do prefeito de pagar as suas dotações em face de uma “troca de favores", tão comuns entre legisladores e executivos
Imediatamente o vereador marcou uma entrevista com o prefeito "Embaixador Negrão de Lima, por sinal excepcional pessoa humana que caiu "no goto do carioca.
O encontro seria no outro dia. No local e hora aprazados estávamos todos reunidos e "marchamos" para o Palácio Guanabara. ao chegarmos à sede do Governo, o Prefeito Negrão de Lima estava de saída para gravar um programa radiofônico.
O Viana não se deu por vencido e mesmo na porta do palácio abordou o govemador que, com elegância e calma impressionantes ao ouvir o motivo da visita, disse não ser possível o pagamento das subvenções, pois o Estado não tinha a verba necessária.
Atônitos ouvimos o vereador responder:
Isto é uiïia desonestidade de Vossa Excelência, Deve se lembrar que votei uma proposição do vosso governo devido ao compromisso da pagar o auxilio para meus clubes.
Dizendo isto Viana deu as costas quase nos deixando sós, enquanto o embaixador tomava seu carro para cumprir a sua agenda.
Dias depois fomos chamados para receber o auxílio, ou melhor, 50% do auxílio.
A reação do político valera a pena
Rubens E Silva
N a verdade os mais lídimos representantes de grande parte da Região Eleitoral foram Ubaldo de Oliveira e Valdemar Carvalho de Vianna, sendo que este 5 por morar no Conjunto Residencial de Padre Miguel, se tornou o autêntico defensor da localidade , onde deixou importantes obras das quais se destacam Hospital Olivério Kremer, podemos dizer feito "no peito" já que enfrentou uma série de dificuldades para conseguir a sua construção. Dificuldades estas iniciadas com a sua localização dada a negativa do Instituto dos Industriários de conceder uma área das suas vastos terrenos.
Waldemar Vianna já falecido, tinha um modo explosivo de alcançar seus objetivos, não se deixando desanimar diante de qualquer empecilho e que lhe valeu o prestigio entre todas as camadas do eleitorado.
Certa vez, por ocasião da feitura do orçamento anual da então Prefeitura do Distrito Federal, dotou os principais clubes de Realengo com subvenções. entre estes escavam o Centro Recreativo dos Industriários do Realengo (CRIR), o -Cruzeiros Futebol Clube e o Liberdade Independente Clubes Associados (LICA) este formado de funcionários da antiga autarquia dos Industriários).
Aprovado o orçamento, estas agremiações se juntaram para receberem as subvenções, encontrando uma série de dificuldades para conseguirem seu intento. As investidas sobre os setores financeiros da Capital Federai eram infrutíferas, e a. proporção que o ano ia se findando, o perigo do auxílio financeiro cair em "exercícios findos", ou seja a perda total da dotação.
resolvemos então procurar o vereador Valdemar Viana e levar ao seu conhecimento o que vinha ocorrendo- O edil não gostou de ser procurado tão tarde, ao mesmo tempo em que confirmava o a compromisso da parte do prefeito de pagar as suas dotações em face de uma “troca de favores", tão comuns entre legisladores e executivos
Imediatamente o vereador marcou uma entrevista com o prefeito "Embaixador Negrão de Lima, por sinal excepcional pessoa humana que caiu "no goto do carioca.
O encontro seria no outro dia. No local e hora aprazados estávamos todos reunidos e "marchamos" para o Palácio Guanabara. ao chegarmos à sede do Governo, o Prefeito Negrão de Lima estava de saída para gravar um programa radiofônico.
O Viana não se deu por vencido e mesmo na porta do palácio abordou o govemador que, com elegância e calma impressionantes ao ouvir o motivo da visita, disse não ser possível o pagamento das subvenções, pois o Estado não tinha a verba necessária.
Atônitos ouvimos o vereador responder:
Isto é uiïia desonestidade de Vossa Excelência, Deve se lembrar que votei uma proposição do vosso governo devido ao compromisso da pagar o auxilio para meus clubes.
Dizendo isto Viana deu as costas quase nos deixando sós, enquanto o embaixador tomava seu carro para cumprir a sua agenda.
Dias depois fomos chamados para receber o auxílio, ou melhor, 50% do auxílio.
A reação do político valera a pena
Rubens E Silva
domingo, 12 de outubro de 2008
Um país que virou “Terra do já teve”
Rubens E. Silva 24/02/1981
RIO — Quase todo belmontense conhece duas frases que, quando pronunciadas, há nuitos anos, refletiam a realidade da vida e a transformação da cidade sulina: "Belmonte é um Pais" e "Belmonte é a Terra do Já Teve".
"Belmonte é um País" foi dita na segunda década deste século por destacada figura dos meios jurídicos belmontense, pelo primeiro promotor público, quando a localidade foi elevada a categoria de Comarca, se desmembrando da jurisdição de Porto Seguro em 1898 causando verdadeiro desgosto aos canavieirenses que passaram a Termo quando esperava voltar a cabeça de Comarca, o que aconteceu anos depois para o desespero dos be!montenses.
Dr, Pericles Vieira de Melo — este o nome do Promotor — tinha suas razões ao anunciar sua sentença, ante urn grupo que todas as tardes ia jogar Gamão em frente da casa comercial de Pedro Serra, na Praça 2 de Julho, ponto de reunião da intelectualidade local. Na época a cidade possuía, nas devidas proporções, tudo de uma Metrópole, inclusive Academia de Letras formada de destacadas figuras da sociedade e da política do Estado representadas, na sua câmara alta pelo senador Wenceslau Gomes de Oliveira. Exïstiam varias publicações lideradas pelo "Lábaro", dos Monteiros e o "Imparcial" de José Joaquim de 'Magalhães. Inúmeras casas comerciais com destaque nas compradoras de cacau, em grande número. Duas boas filarmônicas, das quais uma ainda sobrevive, com extrema .dificuídade a "Lyra Popular". Um Tiro de Guerra — o 595 — dos mais destacados do Estado. Corridas de Cavalo. Corpo Cênico. Organizações carnavalescas. Escolas primárias de níveis elevadíssimos. Tudo em. aiividade permanenjte incentivado peias facções políticas e o espirito bairrista, explorado inteligentemente por seus lideres.
Mas a proporção em que o rio Jequitinhonha foi devorando a cidade a estrutura sócio-recreativa foi desaparecendo, agravando tal situação com o desaparecimento de destacadas figuras, por transferência de domícilio ou pelo "ponto fina!" da caminhada. Uma vasta área que margeava o rio foi levada de roldão. Ruas como o Boquete, Ponte, Quartéis, Deodoro, Cajueiro, Gameleiio, desapareceram acompanhando o cemitério velho localizado no ponto mais visado pelas águas, que invadiam as .''"barcaças" do sistemático Maia e de Olegario Matos.
Nessas alturas o Governo Federal resolveu tomar unia providência mandando a "expedição" Cândido Graffe construir um cais de amparo a cidade que impediu o desaparecimento da cidade, principalmente devido a construção de um espigão na altura do Freire, inexplicaveímente demolido depois de alguns anos.
Aí é que entra a segunda frase e o seu autor foi o saudoso português Benjamin Andrade, radicado em Belmonte e dono cie um estabelecimento comercial. Bemjamin participava das atividades literárias e esportivas locais e certa vez em frente a Coletoria Federal, numa discussão com Otávio Melo sobre a cidade, terminou o "papo" com o dito que ficaria gravado na história belmontense: "Belmonte é a Terra do já teve".
De fato tudo que foi relatado no inicio da crônica era coisa do passado. Ninguém sabia como tinham acabado os jornais, os corpos cênicos, a Academia de Leiras, o Tiro de Guerra 595, as corridas de cavalo, os Clubes Carnavalescos "Filhos do Sol" e "Cavalheiros da Minerva", nem tão pouco a sua remanescente “as Brasileiras". As retretas natalinas das bandas e os tumu'tuosos encontros que acatavam em pancadaria, o mesmo acontecendo nos jogos de futebol entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Finalmente Belmonte estava reduzido, em termos de recreação, ao Cinema com funções em dias alternados.
Até os tipos populares haviam desaparecido. Domingão, o filósofo que quando queria falar de um político local, trocava seu rome pelo um dos adversários que estava "de baixo". Cardoso um inveterado "pau d'a^ua" a chamar todos .de ladrões. Carlos Cego que andava por toda a cidade sem guia e tantos outros que faziam a história da cidade, como Cândido D'Agua o português que .revidava as anedotas sobre a inteligência do seu povo dizendo que burros eram nós que comprávamos a nossa água por ele vendida. ,
Tanto Dr. Pericles como Benjamin Andrade estavam certos nas suas sentenças.
RIO — Quase todo belmontense conhece duas frases que, quando pronunciadas, há nuitos anos, refletiam a realidade da vida e a transformação da cidade sulina: "Belmonte é um Pais" e "Belmonte é a Terra do Já Teve".
"Belmonte é um País" foi dita na segunda década deste século por destacada figura dos meios jurídicos belmontense, pelo primeiro promotor público, quando a localidade foi elevada a categoria de Comarca, se desmembrando da jurisdição de Porto Seguro em 1898 causando verdadeiro desgosto aos canavieirenses que passaram a Termo quando esperava voltar a cabeça de Comarca, o que aconteceu anos depois para o desespero dos be!montenses.
Dr, Pericles Vieira de Melo — este o nome do Promotor — tinha suas razões ao anunciar sua sentença, ante urn grupo que todas as tardes ia jogar Gamão em frente da casa comercial de Pedro Serra, na Praça 2 de Julho, ponto de reunião da intelectualidade local. Na época a cidade possuía, nas devidas proporções, tudo de uma Metrópole, inclusive Academia de Letras formada de destacadas figuras da sociedade e da política do Estado representadas, na sua câmara alta pelo senador Wenceslau Gomes de Oliveira. Exïstiam varias publicações lideradas pelo "Lábaro", dos Monteiros e o "Imparcial" de José Joaquim de 'Magalhães. Inúmeras casas comerciais com destaque nas compradoras de cacau, em grande número. Duas boas filarmônicas, das quais uma ainda sobrevive, com extrema .dificuídade a "Lyra Popular". Um Tiro de Guerra — o 595 — dos mais destacados do Estado. Corridas de Cavalo. Corpo Cênico. Organizações carnavalescas. Escolas primárias de níveis elevadíssimos. Tudo em. aiividade permanenjte incentivado peias facções políticas e o espirito bairrista, explorado inteligentemente por seus lideres.
Mas a proporção em que o rio Jequitinhonha foi devorando a cidade a estrutura sócio-recreativa foi desaparecendo, agravando tal situação com o desaparecimento de destacadas figuras, por transferência de domícilio ou pelo "ponto fina!" da caminhada. Uma vasta área que margeava o rio foi levada de roldão. Ruas como o Boquete, Ponte, Quartéis, Deodoro, Cajueiro, Gameleiio, desapareceram acompanhando o cemitério velho localizado no ponto mais visado pelas águas, que invadiam as .''"barcaças" do sistemático Maia e de Olegario Matos.
Nessas alturas o Governo Federal resolveu tomar unia providência mandando a "expedição" Cândido Graffe construir um cais de amparo a cidade que impediu o desaparecimento da cidade, principalmente devido a construção de um espigão na altura do Freire, inexplicaveímente demolido depois de alguns anos.
Aí é que entra a segunda frase e o seu autor foi o saudoso português Benjamin Andrade, radicado em Belmonte e dono cie um estabelecimento comercial. Bemjamin participava das atividades literárias e esportivas locais e certa vez em frente a Coletoria Federal, numa discussão com Otávio Melo sobre a cidade, terminou o "papo" com o dito que ficaria gravado na história belmontense: "Belmonte é a Terra do já teve".
De fato tudo que foi relatado no inicio da crônica era coisa do passado. Ninguém sabia como tinham acabado os jornais, os corpos cênicos, a Academia de Leiras, o Tiro de Guerra 595, as corridas de cavalo, os Clubes Carnavalescos "Filhos do Sol" e "Cavalheiros da Minerva", nem tão pouco a sua remanescente “as Brasileiras". As retretas natalinas das bandas e os tumu'tuosos encontros que acatavam em pancadaria, o mesmo acontecendo nos jogos de futebol entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Finalmente Belmonte estava reduzido, em termos de recreação, ao Cinema com funções em dias alternados.
Até os tipos populares haviam desaparecido. Domingão, o filósofo que quando queria falar de um político local, trocava seu rome pelo um dos adversários que estava "de baixo". Cardoso um inveterado "pau d'a^ua" a chamar todos .de ladrões. Carlos Cego que andava por toda a cidade sem guia e tantos outros que faziam a história da cidade, como Cândido D'Agua o português que .revidava as anedotas sobre a inteligência do seu povo dizendo que burros eram nós que comprávamos a nossa água por ele vendida. ,
Tanto Dr. Pericles como Benjamin Andrade estavam certos nas suas sentenças.
Tolentino e o castigo do céu
RIO — Em meados de 1927, como que prevendo a minha mudança para Ilhéus, numa espécie de despedida, fui passar uns dias no antigo distrito de Belmonte, hcje a emancipada Itapebí,. sul do Estado da Bahia, ficando hospedado com minha tia Augusta, bastante relacionada na cidade e, como disstração, passava horas no bazar do primo Petrônio, assistindo seu desembaraço em atender seus numerosos fregueses, sem o auxilío de empregado, ao meu ver necessário, tendo em vista o estabelecimento vender toda espécie d.e mercadoria — do seco e molhados aos produtos farmacêuticos, além do fazendas e perfumarias.
Era Junho e, como visitante fui convidado a participar das festes juninas na fazenda de Joaquim Bamba. Foram três dias animadíssimos com bastante "comes e bebes" e os participantes obrigados a uma maratona, onde as palavras dormir e descansar estavam em recesso.
Na época os remanescentes do caudilho Jucá de Vicente ainda ïnantinham o
prestigio,adquirido pelo.chefe durante alguns anos, quando tudo ou quase tudo era resolvido na "Estrela do Norte", defronte da localidade -Conheci na época, Sylvio Toste, Eliezer Marinho, Bolandeira, Edson Moura, Aprígio Melo, Elpídio Bitencout os Sousas, os Cardosos e o eterno blasfemador Lamarca. Lá já estavam os belmontenses
Bejamim Andrade, Louríval Sacramento, João Suzart e outros, com quem todas as tardes batia um "papo" no Rabo de Gata ás margens do Jequitionha, onde vez por outra, vinha a baila a morte de Tolentino, vítima da fúria dos elementos.
'Tolentino, como inveterado jogador, participava das rodas de jogo, conhecedor que era dos macetes da ronda, 21, cucamplé, 7 e meio, poquer além da popularíssima escopa, também conhecida por belo trazida a região pelos italianos que, no princípio do século "pousaram" em Belmonte, onde ainda residem inúmeros descendentes, sempre colaborando para o progresso de uma enorme região.
A trágica ocorrência se verificou em 1924. Tolentino no auge de :uma fase de azar. em que nada dava certo, ao sair de uma "cafuá" jurou não maispegar num baralho para jogar, exclamando transtornado: «Quero que um raio me parta no dia era que eu sentar numa mesa, de jogo.
Ninguém acreditou no juramento, Afinal não era aquela vez que um jogador fazia idêntica promessa e se "arrependia" na "primeira- oportunidade, Entretanto, contrariando os prognósticos, o velho viciado nas «52» mantinha o juramento, resistindo aos convites para tentar novamente a sorte, Tudc levava a crer que os viciados'haviam perdido definitivamente um parceiro .
Mas um dia Tolentino não "aguentou a paarada”. O tempo estava nublado ë tudo indicava uma tempestade. Os colegas do antigo viciado estavam reunidos nas imediações da casa de Humberto Cardoso, onde vez por outra iam se "divertir". Faltava mais um parceiro. Tolentino vai passando, e a um convite, com alguma exitação se prontificou a assistir a "brincadeira", enquanto chegava outro companheiro. A demora, de "aparecer alguém fez com que o. jurador,.;que até momento íntcncionava "peruar" o jcgo, se prontificasse a entrar, na :”patota”' se loalizando à cabeceira o!a 'mesa "e dando o primeiro"corte" no baralhio:
O tempo íoi piorando. -Trovoadas relâmpagos, comuns na região, pareciam não mais acabar. Muito ao coii trário, aumentavam de intensidade. O "cacife", como sempre, levava a parte do leão determinando o fim do encontro.
Alguém gritou — e todos aceitaram — que aquela seria a última rodada. Carta disstribuída.: A turma ia apertando. Uns pedindo cartas e outros desistindo. Chegou a vez de Tolentino. Um'forte trovão acompanhado, impediu a jogada de Tolentino que estava estático.
O companheiro de lado advertindo sobre a demora, lhe tocou no ombro e, para o espanto geral Tolentino estava fulminado. uma faísca elétrica, caída na cumeeira da casa varou o esteio," onde o jogador estava encostado e o eletrocutou como esemplo do juramento “quebrado”.
Um velho que assistia o relato sentenciou: ''Relampo só faz má se a gente sincosta nu pau quele apósa»..."
Rubens E. Silva Jornal da Manhã Ilhéus/BA 01 Mai 1980
Era Junho e, como visitante fui convidado a participar das festes juninas na fazenda de Joaquim Bamba. Foram três dias animadíssimos com bastante "comes e bebes" e os participantes obrigados a uma maratona, onde as palavras dormir e descansar estavam em recesso.
Na época os remanescentes do caudilho Jucá de Vicente ainda ïnantinham o
prestigio,adquirido pelo.chefe durante alguns anos, quando tudo ou quase tudo era resolvido na "Estrela do Norte", defronte da localidade -Conheci na época, Sylvio Toste, Eliezer Marinho, Bolandeira, Edson Moura, Aprígio Melo, Elpídio Bitencout os Sousas, os Cardosos e o eterno blasfemador Lamarca. Lá já estavam os belmontenses
Bejamim Andrade, Louríval Sacramento, João Suzart e outros, com quem todas as tardes batia um "papo" no Rabo de Gata ás margens do Jequitionha, onde vez por outra, vinha a baila a morte de Tolentino, vítima da fúria dos elementos.
'Tolentino, como inveterado jogador, participava das rodas de jogo, conhecedor que era dos macetes da ronda, 21, cucamplé, 7 e meio, poquer além da popularíssima escopa, também conhecida por belo trazida a região pelos italianos que, no princípio do século "pousaram" em Belmonte, onde ainda residem inúmeros descendentes, sempre colaborando para o progresso de uma enorme região.
A trágica ocorrência se verificou em 1924. Tolentino no auge de :uma fase de azar. em que nada dava certo, ao sair de uma "cafuá" jurou não maispegar num baralho para jogar, exclamando transtornado: «Quero que um raio me parta no dia era que eu sentar numa mesa, de jogo.
Ninguém acreditou no juramento, Afinal não era aquela vez que um jogador fazia idêntica promessa e se "arrependia" na "primeira- oportunidade, Entretanto, contrariando os prognósticos, o velho viciado nas «52» mantinha o juramento, resistindo aos convites para tentar novamente a sorte, Tudc levava a crer que os viciados'haviam perdido definitivamente um parceiro .
Mas um dia Tolentino não "aguentou a paarada”. O tempo estava nublado ë tudo indicava uma tempestade. Os colegas do antigo viciado estavam reunidos nas imediações da casa de Humberto Cardoso, onde vez por outra iam se "divertir". Faltava mais um parceiro. Tolentino vai passando, e a um convite, com alguma exitação se prontificou a assistir a "brincadeira", enquanto chegava outro companheiro. A demora, de "aparecer alguém fez com que o. jurador,.;que até momento íntcncionava "peruar" o jcgo, se prontificasse a entrar, na :”patota”' se loalizando à cabeceira o!a 'mesa "e dando o primeiro"corte" no baralhio:
O tempo íoi piorando. -Trovoadas relâmpagos, comuns na região, pareciam não mais acabar. Muito ao coii trário, aumentavam de intensidade. O "cacife", como sempre, levava a parte do leão determinando o fim do encontro.
Alguém gritou — e todos aceitaram — que aquela seria a última rodada. Carta disstribuída.: A turma ia apertando. Uns pedindo cartas e outros desistindo. Chegou a vez de Tolentino. Um'forte trovão acompanhado, impediu a jogada de Tolentino que estava estático.
O companheiro de lado advertindo sobre a demora, lhe tocou no ombro e, para o espanto geral Tolentino estava fulminado. uma faísca elétrica, caída na cumeeira da casa varou o esteio," onde o jogador estava encostado e o eletrocutou como esemplo do juramento “quebrado”.
Um velho que assistia o relato sentenciou: ''Relampo só faz má se a gente sincosta nu pau quele apósa»..."
Rubens E. Silva Jornal da Manhã Ilhéus/BA 01 Mai 1980
Reminiscências de Belmonte – “I”
RIO – Foi um dia maravilhoso aquele em Queimados, na Baixada Fluminense quando o assunto predominante foi Belmonte.
Pela manhã, com o genro Florisvaldo, resolvi visitar o velho amigo-irmão Symaco Américo da Costa, jornalista e memoro da Academia Brasileira de Trovas, hoje gozando de tranqüila aposentadoria, depois de 35 anos na organização “Associada”.
Da Costa, na intimidade, filho do saudoso Messias, mestre de bandas, conhecido na Bahia e norte, de Minas, nos idos de 20 e 30, é canavieirense de nascimento mas belmontense de fato, criado que foi nessa, terra onde passou a fase da irresponsabilidade, ou seja a juventude, participando, com" certa reserva das molequeiras dos seus companheiros da Lyra e Tiro 595. Com saudade e certa emoção relembramos àqueles bons tempos.
mal ,cheguei a casa do conterrâneo, fui recebido com uma saraivada de perguntas sobre .Belmonte atual e seu. propalado desenvolvimento com o dinamismo ,do jovem Luiz Guimarães, o prefeito de 1977, descendente de tradicional família de políticos cujo tronco foi o senador estadual Wenceslau Gomes de Oliveira, pai do saudoso Hamilton Gomes de Oliveira, que a revolução "de 30 encontrou como intendente da cidade, Queria saber se a cidade estava amparada com o cais construído pelo Godofredo Bandeira, obra que evitou o seu arrasamento,
deviido ter Horacio Farias ter determinado a destruição da barragem da curva do Freire,no período anterior ao -biênio 1938/1939 Depois passamos em revista as figuras de destaque .do nosso tempo,.das.,.quais ainda existem poucos. Lembramos de Vitorino Anastácio, os Brasões, Mário Andrade, os Conceições, Jersulino Lopes os Melos (Felismino s Poassü) Mário Andrade, Sebastião Pinho, os Matos, Artur Lobão, os Magnavitas, Raul Monteira, Trajano Reis, Benjamim Andrade, José Vencedor, os Peixotos, Tiago Valverde, Frei Belém, os Vianas, Pedro Serra, os Storinos, Amando Rocha, Lafayete Ataydes, os Paternostros, os Ba hias, Melquiades Nascimento, os Barros, Raul Barbosa, Aristóteles Duarte , José Vencedor, Porfíria, tia Xica, Permínio Santos, os Carneiros, os Marselis, Braz Gifoni, Januário Paiva, Alfredo Matos. Hermelino de Assis, mestre Arcelino, os Saturninos (Costa e Santos), João Cebola, Heitor Camacho, os Ramos (José e Joaquim),"os Bandeiras José Vente, os Salumes (Miguel e Jorge), Artur Vieira Grossa, Orlando e Carlos Cruz e tantos outros que na sua maioria'serviram de exemplo para a formação da nossa geração, lapidada, pelos nossos professores, de que tratamos na próxima crônica..
Lembramos que a vida da cidade girava em torno de duas facções políticas divididas entre as filarmônicas existentes: Lyra Popular e "15 de Setembro, Até os clubes de futebol eram divididos entre os partidos políticos com exceção dos dois fundados pelo professor Lúcio, a Associação Atlética e o Floriano, uma espécie de coluna do meio, cujos, torcedores, conforme seus adversários eram da “15” ou da Lyra
Os clubes recreativos tais como Ternos de Reis. Blocos formados de gente dos dois partidos, obrigados que eram obrigados a percorrer toda a cidade, mas havia exceções.
A rivalidade entre s garotada de Biela e Ponta de Areia proporcionaram verdadeiras batalhas que terminaram tragicamente com a morte de um ,garoto da turma da Preguiça, que traumatizou a população e obrigou a autoridade policial tomar enérgica providência para eliminar a rivalidade.
Lembramos de Jose Mãozinha e Maciel Santana que se bandearam da Lyra para. a "15”. Um verdadeiro escândalo e os dois músicos ficaram marcados pelos seus adversários.
Mas convenhamos- que tal rivalidade tinha seu lado positivo, principalmente entre as filarmônicas. Os debates musicais em frente' a igreja de: N. S. do Carmo, eram sensacionais e só terminavam com a intervenção das autoridades, muitas vezes depois de mais de 24.horas quando, por exemplo, repetir uma partitura, podia transformar a festa em verdadeira guerra entre os adeptos das "bandas"
Os coretos verdadeiras obras de arte, eram a atração nas praças 13 de maio (Lyra) e 2 de Julho (“15”).
A política partidária continuará a ser assunto para a próxima “Coisas Velhas e Novas”.
Rubens E. Silva
Pela manhã, com o genro Florisvaldo, resolvi visitar o velho amigo-irmão Symaco Américo da Costa, jornalista e memoro da Academia Brasileira de Trovas, hoje gozando de tranqüila aposentadoria, depois de 35 anos na organização “Associada”.
Da Costa, na intimidade, filho do saudoso Messias, mestre de bandas, conhecido na Bahia e norte, de Minas, nos idos de 20 e 30, é canavieirense de nascimento mas belmontense de fato, criado que foi nessa, terra onde passou a fase da irresponsabilidade, ou seja a juventude, participando, com" certa reserva das molequeiras dos seus companheiros da Lyra e Tiro 595. Com saudade e certa emoção relembramos àqueles bons tempos.
mal ,cheguei a casa do conterrâneo, fui recebido com uma saraivada de perguntas sobre .Belmonte atual e seu. propalado desenvolvimento com o dinamismo ,do jovem Luiz Guimarães, o prefeito de 1977, descendente de tradicional família de políticos cujo tronco foi o senador estadual Wenceslau Gomes de Oliveira, pai do saudoso Hamilton Gomes de Oliveira, que a revolução "de 30 encontrou como intendente da cidade, Queria saber se a cidade estava amparada com o cais construído pelo Godofredo Bandeira, obra que evitou o seu arrasamento,
deviido ter Horacio Farias ter determinado a destruição da barragem da curva do Freire,no período anterior ao -biênio 1938/1939 Depois passamos em revista as figuras de destaque .do nosso tempo,.das.,.quais ainda existem poucos. Lembramos de Vitorino Anastácio, os Brasões, Mário Andrade, os Conceições, Jersulino Lopes os Melos (Felismino s Poassü) Mário Andrade, Sebastião Pinho, os Matos, Artur Lobão, os Magnavitas, Raul Monteira, Trajano Reis, Benjamim Andrade, José Vencedor, os Peixotos, Tiago Valverde, Frei Belém, os Vianas, Pedro Serra, os Storinos, Amando Rocha, Lafayete Ataydes, os Paternostros, os Ba hias, Melquiades Nascimento, os Barros, Raul Barbosa, Aristóteles Duarte , José Vencedor, Porfíria, tia Xica, Permínio Santos, os Carneiros, os Marselis, Braz Gifoni, Januário Paiva, Alfredo Matos. Hermelino de Assis, mestre Arcelino, os Saturninos (Costa e Santos), João Cebola, Heitor Camacho, os Ramos (José e Joaquim),"os Bandeiras José Vente, os Salumes (Miguel e Jorge), Artur Vieira Grossa, Orlando e Carlos Cruz e tantos outros que na sua maioria'serviram de exemplo para a formação da nossa geração, lapidada, pelos nossos professores, de que tratamos na próxima crônica..
Lembramos que a vida da cidade girava em torno de duas facções políticas divididas entre as filarmônicas existentes: Lyra Popular e "15 de Setembro, Até os clubes de futebol eram divididos entre os partidos políticos com exceção dos dois fundados pelo professor Lúcio, a Associação Atlética e o Floriano, uma espécie de coluna do meio, cujos, torcedores, conforme seus adversários eram da “15” ou da Lyra
Os clubes recreativos tais como Ternos de Reis. Blocos formados de gente dos dois partidos, obrigados que eram obrigados a percorrer toda a cidade, mas havia exceções.
A rivalidade entre s garotada de Biela e Ponta de Areia proporcionaram verdadeiras batalhas que terminaram tragicamente com a morte de um ,garoto da turma da Preguiça, que traumatizou a população e obrigou a autoridade policial tomar enérgica providência para eliminar a rivalidade.
Lembramos de Jose Mãozinha e Maciel Santana que se bandearam da Lyra para. a "15”. Um verdadeiro escândalo e os dois músicos ficaram marcados pelos seus adversários.
Mas convenhamos- que tal rivalidade tinha seu lado positivo, principalmente entre as filarmônicas. Os debates musicais em frente' a igreja de: N. S. do Carmo, eram sensacionais e só terminavam com a intervenção das autoridades, muitas vezes depois de mais de 24.horas quando, por exemplo, repetir uma partitura, podia transformar a festa em verdadeira guerra entre os adeptos das "bandas"
Os coretos verdadeiras obras de arte, eram a atração nas praças 13 de maio (Lyra) e 2 de Julho (“15”).
A política partidária continuará a ser assunto para a próxima “Coisas Velhas e Novas”.
Rubens E. Silva
Assinar:
Postagens (Atom)
