Fui um dos primeiros locatários 'do Conjunto Residencial do ex-IAPI, de Realengo, graças a concessão dada pelo engenheiro Plínio Catanhede, presidente da autarquia a quem recorri dias depois de encerrá-la a inscrição para os futuros moradores do então primeiro conjunto residencial de trabalhadores. O fato se verificou em princípios de 1943 tendo como justificativa minha família composta, na época de 9 pessoas, residentes em Ilhéus, aguardando a ordem de embarque, o que aconteceu em agosto do mesmo ano, no auge da segunda Guerra Mundial.
A escolha da casa foi feita graças aos companheiros da falecida Gráfica Heitor Ribeiro, alguns dos quais já inscritos, pondo fim a intensa luta na procura de um "canto" para alojar minha turma ansiosa para se transferir de Ilhéus, pondo fim aos 10 meses de espera.
Pousado em Realengo passei a participar ativamente dos movimentos sócio-recreativos da localidade fundando, com outros companheiros, o primeiro clube loca! — Centro Recreativo Industriários de Realengo — transformado em centro reivindicatório da comunidade, do qual fui presidente por 3 vezes. ,
O Conjunto foi construído peio ..ex-Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários por iniciativa do saudoso presidente Getulio Vargas tendo como base casa própria para os trabalhadores. Entretanto depois de habitado, ou seja um ano após a legislação foi alterada peia Portaria ;CNT-96, adotando uma espécie de e uso fruto para os dependentes do locatário com direito aos benefícios previdenciários. A viúva até a sua morte e os filhos inválidos ou menores de 18 anos (homens) e 21 (mulheres). A modificação não agradou, porém quando Getulio Vargas retornou ao poder substituindo o presidente Dutra, nova alteração da lei para pior gerando protestos de todos os moradores de conjuntos residenciais, obrigando o governo assegurar aos antigos locatários os direitos anteriormente adquiridos. Isto em 1953. Presidia o
ex-IAPI o Sr. Afonso Cezar e a campanha praticamente pelo Conselho de Locatários de Realengo, sob a minha presidência e com a participação dos locatários e entidades representativas de Irajá, Coelho Neto, Bonsucesso, Pilares, Padre Miguel, Del Castilho e Cascadura.
Tudo praticamente tranqüilo quando veio a Revolução de 1964. Acreditávamos que os conjuntos residenciais não fossem incomodados. Mesmo porque já estávamos residindo num imóvel construído há quase 25 anos com o dinheiro arrecadado através das contribuições dos trabalhadores e com o atenuante de que nenhum órgão oficial, pelo menos até aquela época, financiava construção edificada há mais de 5 anos. infelizmente estávamos completamente enganados. A revolução unificou os institutos, criando o Instituto Nacional de Previdência Social e, como um passe de mágica entregou todo o acervo imobiliário ao recém criado ao Banco Nacional de Habitação e este passou a explorar àqueles que com suas contribuições formaram o patrimônio dos falecidos IAPs impondo aos antigos locatários uma cruel e injusta correção monetária defendida pela sua primeira presidente a ex-deputada Sandra Cavalcante, hoje confessando-se arrependida de ter apoiado e defendido a nova ordem financeira. ;
Desejando amenizar a situação dos, locatários alguns deputados elaboraram uma ei isentando da correção os locatários dos conjuntos residenciais a qual foi vetada pelo então presidente Castelo Branco. Na ocasião diversos grupos ligados as extintas autarquias que estavam encarregados de vender os imóveis aos seus ocupantes desapareceram, dando tempo ao congresso examinar o veto presidencial enquanto apressavam o processamento das vendas dos apartamentos localizados em áreas mais valorizadas da cidade, resultando em que os abonados compradores de apartamentos construídos em Copacabana, Botafogo e Tijuca hoje estão livres da correção enquanto os trabalhadores locatários em imóveis nos subúrbios acima citados estão sofrendo o impacto das constantes majorações determinarias pelo BNH, ratificadas por um meritíssimo que numa ação solicitando eqüidade no tratamento dado aos ricaços achou justo que os trabalhadores argúem com as constantes elevações dos alugueis em beneficio dos privilegiados locatários da zona sul do Rio. Sabem por quanto está um imóvel comprado em 1966 por Cr$ 3700,00? Apenas por Cr$ 40 mil sem contar com as prestações mensais pagas.
Rubens E Silva, Jornal da Manhã Ilhéus/BA 28/01/1981
domingo, 24 de maio de 2009
A Eficiência da Polícia Vienense
RIO — Em duas crônicas, publiquei ha meses, nesta coluna, um detalhado relato da conterrânea Telma Flores, de sua excursão a Europa e África, levando a "tiracolo" sua sobrinha e nossa conhecida Gilca a "Pintora Precoce", filha de Lecy Medeiros Flores, também pintora como pintores são os seus pequeninos irmãos Gilson e Gilmar, per sinal todos laureados.
A minuciosa descrição feita pela itinerante, começou na Europa com o pouso em Madrid, seguindo depois para Escorial, Vaie dos Los Caídos, Toledo, Casablanca, Marrocos, Nice, Atenas,- Londres, Mônaco, Viena, Portugal e fechando o circuito nova passagem em Madrid para o regresso ao Brasil. Telma caprichou no relatório, expondo seus dotes de verdadeira repórter. Como "apêndice" igualmente atendendo meu apelo, Gilca-"pintou" sua excursão, expressando uma alegria digna de nota, pelos 28 dias da viagem, durante os quais, destacou os salões de pinturas, as floridas ruas de Nice e apoteótica benção que recebeu, como milhares de fiéis, do Papa João Paulo II quando o sumo pontífice se preparava para a inesquecível visita ao Brasil e terminava a sua caria a satisfação pelo "banho" de cultura recebido durante a viagem maravilhosa.
Entretanto nem Telma e nem Gilca relataram uma "passagem" da viagem ocorrida em Viena e que jamais sairá de suas lembranças. Creio que silêncio em torno do assunto tenha sido o receio de criticas por parte das pessoas de atenção. Porém o fato veio ao conhecimento público através de um apreciadíssimo debate radiofônico de grande audiência. Vamos ao caso:
Nos três dias em que a delegação "estacionou" em Viena, todos se movimentaram a vontade, não dando "bola" ao mau tempo reinante e responsável pelas barrentas águas do tradicional Danúbio Azul cantado, como os bosques, em lindas c inesquecíveis valsas imortalizadas por sucessivas gerações. As ricas bibliotecas, os belos edifícios e os famosos palácios como o Schonbrunn, foram "esmiuçados" avidamente da mesma forma como foram "caçados" os "recuerdos". Tudo era visto como um sonho das mil e uma noites, principalmente pela Gilca que no auge do encantamento.perdeu sua bolsa-sacola, só dando pelo desaparecimento horas depois quando deu o alarme, deixando os companheiros em polvorosa e se “virando" para encontrar a pasta onde estavam dentre outros objetos uma medalha do Papa João Paulo, adquirida na tradicional Praça do Vaticano e uma máquina fotográfica. Numa rápida procura infrutífera tudo voltou a se normalizar, pois o mais importante eram os passeios. Deixaram em segundo plano a sugestão de comunicar o fato a polícia, lembrada por um companheiro. Este, tal como um "espírito dê porco" — bendito "espírito de porco" — não se conformava com a falta de interesse da Telma, pois tinha certeza que a autoridade resolveria a parada., Tanto fez o insistente que a conterrânea, mais para atendê-lo, na hora do regresse deu um "salto" no comissariado registrando a ocorrência.
Livre do assedio do colega, nossa conterrânea recuperou ia tranquilidade, mesmo não tendo dúvidas da impossibilidade de reaver a bolsa da Gilca.
Mas uma surpresa estava reservada para a família Flores. Decorridos 6 meses, a Embaixada Brasileira recebeu um "informe" de Viena, dando conta de que a decantada bolsa havia sido encontrada — fora esquecida num coletivo da cidade — e estava a caminho para ser entregue a sua verdadeira dona. A alegria foi contagiante e a repercussão atingiu os meios radiofônicos.
Todos apenas aguardavam a chegada do "objeto perdido". Na entrega Gilca e Telma avidamente conferiram os ”achados" cujo montante, ninguém lembrava a não ser a medalha do Papa e a máquina fotográfica. Os cem dólares como foi avisado, Chegaram depois através do Banco do Brasil.
Além, dos rasgados elogios ao "espírito do porco" ficou comprovada a eficiência e honestidade das autoridades austríacas, enquanto fica no ar. uma pergunta do radialista:
— Se a bolsa fosse perdida no Brasil?
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 07/01/1981
A minuciosa descrição feita pela itinerante, começou na Europa com o pouso em Madrid, seguindo depois para Escorial, Vaie dos Los Caídos, Toledo, Casablanca, Marrocos, Nice, Atenas,- Londres, Mônaco, Viena, Portugal e fechando o circuito nova passagem em Madrid para o regresso ao Brasil. Telma caprichou no relatório, expondo seus dotes de verdadeira repórter. Como "apêndice" igualmente atendendo meu apelo, Gilca-"pintou" sua excursão, expressando uma alegria digna de nota, pelos 28 dias da viagem, durante os quais, destacou os salões de pinturas, as floridas ruas de Nice e apoteótica benção que recebeu, como milhares de fiéis, do Papa João Paulo II quando o sumo pontífice se preparava para a inesquecível visita ao Brasil e terminava a sua caria a satisfação pelo "banho" de cultura recebido durante a viagem maravilhosa.
Entretanto nem Telma e nem Gilca relataram uma "passagem" da viagem ocorrida em Viena e que jamais sairá de suas lembranças. Creio que silêncio em torno do assunto tenha sido o receio de criticas por parte das pessoas de atenção. Porém o fato veio ao conhecimento público através de um apreciadíssimo debate radiofônico de grande audiência. Vamos ao caso:
Nos três dias em que a delegação "estacionou" em Viena, todos se movimentaram a vontade, não dando "bola" ao mau tempo reinante e responsável pelas barrentas águas do tradicional Danúbio Azul cantado, como os bosques, em lindas c inesquecíveis valsas imortalizadas por sucessivas gerações. As ricas bibliotecas, os belos edifícios e os famosos palácios como o Schonbrunn, foram "esmiuçados" avidamente da mesma forma como foram "caçados" os "recuerdos". Tudo era visto como um sonho das mil e uma noites, principalmente pela Gilca que no auge do encantamento.perdeu sua bolsa-sacola, só dando pelo desaparecimento horas depois quando deu o alarme, deixando os companheiros em polvorosa e se “virando" para encontrar a pasta onde estavam dentre outros objetos uma medalha do Papa João Paulo, adquirida na tradicional Praça do Vaticano e uma máquina fotográfica. Numa rápida procura infrutífera tudo voltou a se normalizar, pois o mais importante eram os passeios. Deixaram em segundo plano a sugestão de comunicar o fato a polícia, lembrada por um companheiro. Este, tal como um "espírito dê porco" — bendito "espírito de porco" — não se conformava com a falta de interesse da Telma, pois tinha certeza que a autoridade resolveria a parada., Tanto fez o insistente que a conterrânea, mais para atendê-lo, na hora do regresse deu um "salto" no comissariado registrando a ocorrência.
Livre do assedio do colega, nossa conterrânea recuperou ia tranquilidade, mesmo não tendo dúvidas da impossibilidade de reaver a bolsa da Gilca.
Mas uma surpresa estava reservada para a família Flores. Decorridos 6 meses, a Embaixada Brasileira recebeu um "informe" de Viena, dando conta de que a decantada bolsa havia sido encontrada — fora esquecida num coletivo da cidade — e estava a caminho para ser entregue a sua verdadeira dona. A alegria foi contagiante e a repercussão atingiu os meios radiofônicos.
Todos apenas aguardavam a chegada do "objeto perdido". Na entrega Gilca e Telma avidamente conferiram os ”achados" cujo montante, ninguém lembrava a não ser a medalha do Papa e a máquina fotográfica. Os cem dólares como foi avisado, Chegaram depois através do Banco do Brasil.
Além, dos rasgados elogios ao "espírito do porco" ficou comprovada a eficiência e honestidade das autoridades austríacas, enquanto fica no ar. uma pergunta do radialista:
— Se a bolsa fosse perdida no Brasil?
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 07/01/1981
A falta de apoio ao futebol.
RIO •— Está sendo disputado o Caimpeonato Nacional de Futebol, supervisionado pela Confederação Brasileira de Desportos, dentre dezenas de clubes e selecionados de todo o país, está a representação de Itabuna, substituindo Feira de Santana, alijada por Espírito Santo, numa batalha onde o fator política foi, podemos, dizer, decisivo.
Quem, como o cronista participou da fase áurea do futebol ilheense, com certa amargura vê, afastada da extraordinária competição nacional a entidade da outrora Princesa de Sul que, de há muito vem perdendo, neste setor, para a sua tradicicnal competidora, devido a falta de incentivo e principalmente por parte de empresários e homens de negócio os quais demonstram-se incapazes de verifcarem quanto estão perdendo com as visitas períódicas de entidades participantes, acompanhadas de torcedores.
Também a admininstração municipal, que devia incentivar e trabalhar pela participação de um conjunto no campeonato.
se esquece quanto Ilhéus ganharia, não só de divisas, mas de projeção, tendo um seu representante disputando Jogos por todo Brasil, a exemplo do que aconteceu com Londrina em 1977 que, depois de uma repescagcm, chegou as finais, causando repercursão em todo o País.
O declínio do futebol ilheense vem de muito temp e, não fosse a boa vontade de uma plêiade de desportistas, o ganizando torneios e competições internas, o futebol teria desaparecido completamente, justamente depois da cidade “possuir o melhor e mais completo Estádio do Norte e Nordeste do Brasil", conforme o JM, ao mesmo tempo em que reclama contra as partidas realizadas em dias alternados, sem a presença do público.
Segundo se sabe, o declínio do futebol ilheense, vem desde a implantação do profissionalismo. É uma desculpa que não aceitamos, uma vez que outras cidades, ou municípios, com arrecadações inferiores a da Capital do Cacau, vêm participando dos campeonatos nacionais, contando com o decisivo apoio da municipalidade que representa, com resultados positivos, projetando suas comunidades, proporcionando divisas com as visitas dos adversários, um dos cbjetivos da CBD.
Tenho absoluta certeza de que o declínio de poderio esportivo de Ilhéus tem como causa principal o desaparecimento da rivalidade entrc Ilhéus e Itabuna, responsável pelo desenvolvimento do esporte nas duas grandes cidades produtoras de cacau. Era uma rivalidade até certo ponto agressiva mas geradora de incentivos para o aprimoramento daquilo que as comunidades se propunham apresentar, efetivamcníe o lado positivo dos confrontos.
Naquele tempo, quem aceitaria ver Itabuna ou Ilhéus participarem de uma competição como o Campeonato Nacional, sem a companhia de um dos dois?
Coisa impossível. Mas os tempos são outros.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 04/05/1978
Quem, como o cronista participou da fase áurea do futebol ilheense, com certa amargura vê, afastada da extraordinária competição nacional a entidade da outrora Princesa de Sul que, de há muito vem perdendo, neste setor, para a sua tradicicnal competidora, devido a falta de incentivo e principalmente por parte de empresários e homens de negócio os quais demonstram-se incapazes de verifcarem quanto estão perdendo com as visitas períódicas de entidades participantes, acompanhadas de torcedores.
Também a admininstração municipal, que devia incentivar e trabalhar pela participação de um conjunto no campeonato.
se esquece quanto Ilhéus ganharia, não só de divisas, mas de projeção, tendo um seu representante disputando Jogos por todo Brasil, a exemplo do que aconteceu com Londrina em 1977 que, depois de uma repescagcm, chegou as finais, causando repercursão em todo o País.
O declínio do futebol ilheense vem de muito temp e, não fosse a boa vontade de uma plêiade de desportistas, o ganizando torneios e competições internas, o futebol teria desaparecido completamente, justamente depois da cidade “possuir o melhor e mais completo Estádio do Norte e Nordeste do Brasil", conforme o JM, ao mesmo tempo em que reclama contra as partidas realizadas em dias alternados, sem a presença do público.
Segundo se sabe, o declínio do futebol ilheense, vem desde a implantação do profissionalismo. É uma desculpa que não aceitamos, uma vez que outras cidades, ou municípios, com arrecadações inferiores a da Capital do Cacau, vêm participando dos campeonatos nacionais, contando com o decisivo apoio da municipalidade que representa, com resultados positivos, projetando suas comunidades, proporcionando divisas com as visitas dos adversários, um dos cbjetivos da CBD.
Tenho absoluta certeza de que o declínio de poderio esportivo de Ilhéus tem como causa principal o desaparecimento da rivalidade entrc Ilhéus e Itabuna, responsável pelo desenvolvimento do esporte nas duas grandes cidades produtoras de cacau. Era uma rivalidade até certo ponto agressiva mas geradora de incentivos para o aprimoramento daquilo que as comunidades se propunham apresentar, efetivamcníe o lado positivo dos confrontos.
Naquele tempo, quem aceitaria ver Itabuna ou Ilhéus participarem de uma competição como o Campeonato Nacional, sem a companhia de um dos dois?
Coisa impossível. Mas os tempos são outros.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 04/05/1978
A filha do tenente Miguel Rocha.
RIO — Naquele domingo ainda, quando estava de saída para dar um expediente na minha Associação dos Inativos, ouço insistentes toques na "cigarra", que anunciavam a presença de visitas. Me dirigi à porta. Lá estava, visivelmente anciosa, uma senhora dizendo-se interessada de conhecer-me pessoalmente. Havia lido no ''Tabu", um bem impresso quinzenário de Canavieiras, transcrito do JORNAL DA MANHÃ, uma crônica, que lhes dava certeza absoluta ter o cronista conhecido seu pai, o tenente Miguel Rocha, destacada figura da cidade sulina, nos idos de 1920 a 1940.
A crônica era "Zé Vencedor e os Quatro Ovos" e se referia a uma fracassada excursão de um combinado belmontense a rival cidade vizinha, cujo vesultado foi uma verdadeira "lavagem", nos visitantes, pelo escore de 4x0.
Terezinha, o nome da visitante curiosa, falava "pelos cotovelos". Dizia-se assinante do "Tabu" e destacava, com euforia, as qualidades do seu saudosó pai, com rasgados elogios, fazendo com que ficasse, até certo ponto, oprimído, por não ter o prazer de conhecer o tenente Miguel Rocha.
Da família, cheguei a conclusão que só conhecia o tio e o primo da Terezinha. O primeiro, maestro Isidro Rocha, excelente pistonista e melhor regente musical. O segundo o exímio clarinetista Adalberto Rocha, funcionário do INPS lotado na ag~encia de Salvador. Como o pai, uma "boa praça".
Quando falo do regente Isidro Rocha, lembro da sua afinadissima filarmônica Lira de São Pedro, de Boca do Córrego, então distrito de Belmonte. Certa vez, convidada para participar das festividades em louvor à Nossa Senhora do Carmo, o maestro desembarcou em Belmonte alta madrugada, açordando a cidade com um vibrante dobrado de autoria do maestro Messias da Costa. A execução daquela partitura, por uma afinadissima banda, numa silenciosa cidade banhada por uma lua cheia no explendor de sua luminosidade, dificilmente sai da lembrança de qualquer pessoa, principalmente daqueles apreciadores da sublime arte de Mozart e Beetoven.
Ao declarar não ter conhecido pessoalmente o velho tenente Miguel ,senti que a Terezinha ficou decepcionada. Não era para menos. A visitante tinha absoluta certeza de que, como assíduo visitante da sua terra, deveria conhecer seu pai cujo nome constantemente está saindo nas colunas do "Tabu", mas assíduo da coluna "Antigamente", de notícias compiladas de jornais antigos, editados na cidade sulina.
Ante o interesse da visitante, funcionária da Prefeitura do Rio de Janeiro, colega de uma filha, resolvi não decepcioná-la, dando um "jeito" na sua curiosidade, prometendo-lhe apresentá-la a um amigo que, fatalmente havia conhecido seu pai.
A pessoa escolhida era o amigo irmão Symaco da Costa, o canavieirense mais belmontense que conheço, hoje gozando uma tranquila aposentadoria, de pois de um "batente" de mais de 35 anos. Reside em Queimados, neste Estado. Marquei o dia do encontro sem avisá-lo e cedo partimos para sua casa, acompanhados da minha esposa, filha e genro.
Chegando a Rua S. Humberto, a comitiva foi recebida, corno sempre, festivamente pelo antigo titular do Registro Civil de Canavieiras, o trovador Symaco da Costa. Depois de desencadear o portão, sempre fechado por motivos óbvios, a apresentação de Terezinha, até aquele momento estranha para o anfitrião.
Daí em-diante a filha do tenente Miguel assumiu as ações, juntamente com o dono da casa, enquanto Izabel, a patroa, preparava o almoço. Creio que canavieirense ficou amplamente realizada, pois a sua cidade dos tempos de seus país, foi "revirada" desde a Birindiba ao Caís do Porto.
Na volta Terezinha se mostrava satisfeita e até eufórica, pois o velho Symaco conheceu o Sr. Rocha, que participava, realmente, de todos os eventos sociais de Canavieiras. Era um eficíente colaborador das atividades da pacata e histórica cidade da região cacaueira, que teve a primasia de plantar o primeiro cacaueiro no Estado da Bahia, em 1746, na Fazenda Cubículo, às margens do Rio Pardo.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA
A crônica era "Zé Vencedor e os Quatro Ovos" e se referia a uma fracassada excursão de um combinado belmontense a rival cidade vizinha, cujo vesultado foi uma verdadeira "lavagem", nos visitantes, pelo escore de 4x0.
Terezinha, o nome da visitante curiosa, falava "pelos cotovelos". Dizia-se assinante do "Tabu" e destacava, com euforia, as qualidades do seu saudosó pai, com rasgados elogios, fazendo com que ficasse, até certo ponto, oprimído, por não ter o prazer de conhecer o tenente Miguel Rocha.
Da família, cheguei a conclusão que só conhecia o tio e o primo da Terezinha. O primeiro, maestro Isidro Rocha, excelente pistonista e melhor regente musical. O segundo o exímio clarinetista Adalberto Rocha, funcionário do INPS lotado na ag~encia de Salvador. Como o pai, uma "boa praça".
Quando falo do regente Isidro Rocha, lembro da sua afinadissima filarmônica Lira de São Pedro, de Boca do Córrego, então distrito de Belmonte. Certa vez, convidada para participar das festividades em louvor à Nossa Senhora do Carmo, o maestro desembarcou em Belmonte alta madrugada, açordando a cidade com um vibrante dobrado de autoria do maestro Messias da Costa. A execução daquela partitura, por uma afinadissima banda, numa silenciosa cidade banhada por uma lua cheia no explendor de sua luminosidade, dificilmente sai da lembrança de qualquer pessoa, principalmente daqueles apreciadores da sublime arte de Mozart e Beetoven.
Ao declarar não ter conhecido pessoalmente o velho tenente Miguel ,senti que a Terezinha ficou decepcionada. Não era para menos. A visitante tinha absoluta certeza de que, como assíduo visitante da sua terra, deveria conhecer seu pai cujo nome constantemente está saindo nas colunas do "Tabu", mas assíduo da coluna "Antigamente", de notícias compiladas de jornais antigos, editados na cidade sulina.
Ante o interesse da visitante, funcionária da Prefeitura do Rio de Janeiro, colega de uma filha, resolvi não decepcioná-la, dando um "jeito" na sua curiosidade, prometendo-lhe apresentá-la a um amigo que, fatalmente havia conhecido seu pai.
A pessoa escolhida era o amigo irmão Symaco da Costa, o canavieirense mais belmontense que conheço, hoje gozando uma tranquila aposentadoria, de pois de um "batente" de mais de 35 anos. Reside em Queimados, neste Estado. Marquei o dia do encontro sem avisá-lo e cedo partimos para sua casa, acompanhados da minha esposa, filha e genro.
Chegando a Rua S. Humberto, a comitiva foi recebida, corno sempre, festivamente pelo antigo titular do Registro Civil de Canavieiras, o trovador Symaco da Costa. Depois de desencadear o portão, sempre fechado por motivos óbvios, a apresentação de Terezinha, até aquele momento estranha para o anfitrião.
Daí em-diante a filha do tenente Miguel assumiu as ações, juntamente com o dono da casa, enquanto Izabel, a patroa, preparava o almoço. Creio que canavieirense ficou amplamente realizada, pois a sua cidade dos tempos de seus país, foi "revirada" desde a Birindiba ao Caís do Porto.
Na volta Terezinha se mostrava satisfeita e até eufórica, pois o velho Symaco conheceu o Sr. Rocha, que participava, realmente, de todos os eventos sociais de Canavieiras. Era um eficíente colaborador das atividades da pacata e histórica cidade da região cacaueira, que teve a primasia de plantar o primeiro cacaueiro no Estado da Bahia, em 1746, na Fazenda Cubículo, às margens do Rio Pardo.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA
A decadência de um conjunto padrão
RIO – Fui um dos primeiros locatários do conjunto Residencial do IAPI de Realengo, inaugurado em março de 1943, quando presidia a autarquia dos industriários, o engenheiro Plínio Catanhede que, na época, por exceção, me proporcionou a oportunidade de adquirir uma das casas do conjunto.
A nova cidade tinha administração própria, com seus responsáveis residindo na localidade para atender os moradores, assistidos por um médico e um serviço assistencial digno de nota.
Ruas largas com áreas ajardinadas, bem tratadas por funcionários responsáveis, o complexo era mostrado aos visitantes como uma das obras mais importantes do governo Getúlio Vargas, espécie de trabalho pioneiro para servir de base para novos conjuntos. Havia uma equipe para a conservação das casas, já que era proibido aos moradores executarem qualquer alteração nos imóveis, função exclusiva do administrador que, por sinal, era rigoroso cumpridor das ordens determinadas pela alta direção do ex-IAPI. Goniglo, o nome do administrador que não transigia e até se excedia no cumprimento das ordens.
Ás 1500 unidades, residenciais, na maioria casas baixas, eram visitadas religiosamente pelo médico Dr. Cláudio Mesquita, cuja franqueza era criticada acremente pelos moradores que não estavam acostumados com determinações higiênicas postas em prática pelo facultativo e, graças a sua firmeza, foi possível debelar um princípio de epidemia...
A supervisora do Conjunto era uma alta funcionária do Ministério do Trabalho, que era responsável pela assistência social aos moradores, mantendo um serviço eficiente de atendimento, com distribuição de remédios, alimentação e até vestuário, aos mais carentes. Também proporcionava festas sociais dedicadas aos filhos dos moradores, Zenith Miranda, seu nome.
Complementando o quadro existia um Conselho de Locatários, composto de 15 moradores, com contato direto com os setores administrativos da autarquia para levar as reivindicações da localidade. A escolha dos membros deste Conselho era por votação direta em eleições livres.
Apesar das deficiências devido a falta de comércio e a precariedade de meios de transportes, pois a condução era feita através de trens da Estrada de Ferro Central do Brasil, o Conjunto ia bem, pois os problemas surgidos eram solucionados pela administração.
Posteriormente o Conjunto foi ampliado com a construção de apartamentos durante o governo Gaspar Dutra, aproveitando vastas áreas até perto de Bangu. Mas em 1953 a localidade foi declinando com a modificação da Portaria que criou o setor imobiliário do instituto.
Primeiro foi desativado o eficiente atendimento médico dirigido pelo. Dr. Cláudio Mesquita, que sozinho prestava mais serviços à população que o recém criado Posto do SAMDU depois desativado. A saída de Goniglo determinou o abandono da localidade que também perdeu seu serviço social de tanta utilidade. Posteriormente o Conselho de Locatários deixou de existir, em face da unificação dos institutos de previdência.
Ante a situação, grande número de locatários começou abusar, "avançando" nas áreas ajardinadas para complementar seus quintais. Alguns mais ousados se apoderaram de vastas áreas, construindo garagens nas ruas, fazendo proliferar oficinas de serralheiros e locais de consertos de automóveis, sem nenhuma intervenção da Coordenadoria do Patrimônio que entregou de "mão beijada" vasto acervo adquirido pelas contribuições trabalhadores e, como castigo, determinando que as casas construídas em 1940, venham tendo crescente valorização sentida com os constantes aumentos das prestações em face da maldita correção monetária.
O Conjunto está decadente, porém se transformou numa fonte de renda para o Banco Nacional de Habitação que, no nosso caso, entrou com a "cara e a coragem".
Mas num mandado de segurança contra a cobrança da correção monetária nas nossas casas, um juiz achou justa a cobrança enquanto votava a eliminação para os imóveis do Instituto cons...(linha incompleta)
Rubens E Silva, Jornal da Manhã Ilhéus/BA 10/01/1980
A nova cidade tinha administração própria, com seus responsáveis residindo na localidade para atender os moradores, assistidos por um médico e um serviço assistencial digno de nota.
Ruas largas com áreas ajardinadas, bem tratadas por funcionários responsáveis, o complexo era mostrado aos visitantes como uma das obras mais importantes do governo Getúlio Vargas, espécie de trabalho pioneiro para servir de base para novos conjuntos. Havia uma equipe para a conservação das casas, já que era proibido aos moradores executarem qualquer alteração nos imóveis, função exclusiva do administrador que, por sinal, era rigoroso cumpridor das ordens determinadas pela alta direção do ex-IAPI. Goniglo, o nome do administrador que não transigia e até se excedia no cumprimento das ordens.
Ás 1500 unidades, residenciais, na maioria casas baixas, eram visitadas religiosamente pelo médico Dr. Cláudio Mesquita, cuja franqueza era criticada acremente pelos moradores que não estavam acostumados com determinações higiênicas postas em prática pelo facultativo e, graças a sua firmeza, foi possível debelar um princípio de epidemia...
A supervisora do Conjunto era uma alta funcionária do Ministério do Trabalho, que era responsável pela assistência social aos moradores, mantendo um serviço eficiente de atendimento, com distribuição de remédios, alimentação e até vestuário, aos mais carentes. Também proporcionava festas sociais dedicadas aos filhos dos moradores, Zenith Miranda, seu nome.
Complementando o quadro existia um Conselho de Locatários, composto de 15 moradores, com contato direto com os setores administrativos da autarquia para levar as reivindicações da localidade. A escolha dos membros deste Conselho era por votação direta em eleições livres.
Apesar das deficiências devido a falta de comércio e a precariedade de meios de transportes, pois a condução era feita através de trens da Estrada de Ferro Central do Brasil, o Conjunto ia bem, pois os problemas surgidos eram solucionados pela administração.
Posteriormente o Conjunto foi ampliado com a construção de apartamentos durante o governo Gaspar Dutra, aproveitando vastas áreas até perto de Bangu. Mas em 1953 a localidade foi declinando com a modificação da Portaria que criou o setor imobiliário do instituto.
Primeiro foi desativado o eficiente atendimento médico dirigido pelo. Dr. Cláudio Mesquita, que sozinho prestava mais serviços à população que o recém criado Posto do SAMDU depois desativado. A saída de Goniglo determinou o abandono da localidade que também perdeu seu serviço social de tanta utilidade. Posteriormente o Conselho de Locatários deixou de existir, em face da unificação dos institutos de previdência.
Ante a situação, grande número de locatários começou abusar, "avançando" nas áreas ajardinadas para complementar seus quintais. Alguns mais ousados se apoderaram de vastas áreas, construindo garagens nas ruas, fazendo proliferar oficinas de serralheiros e locais de consertos de automóveis, sem nenhuma intervenção da Coordenadoria do Patrimônio que entregou de "mão beijada" vasto acervo adquirido pelas contribuições trabalhadores e, como castigo, determinando que as casas construídas em 1940, venham tendo crescente valorização sentida com os constantes aumentos das prestações em face da maldita correção monetária.
O Conjunto está decadente, porém se transformou numa fonte de renda para o Banco Nacional de Habitação que, no nosso caso, entrou com a "cara e a coragem".
Mas num mandado de segurança contra a cobrança da correção monetária nas nossas casas, um juiz achou justa a cobrança enquanto votava a eliminação para os imóveis do Instituto cons...(linha incompleta)
Rubens E Silva, Jornal da Manhã Ilhéus/BA 10/01/1980
A fortuna enterrada de Adão.
Era voz corrente em Belmonte-BA.. que aquele velho e pacato magarefe, residente ali em "Todo o Pau", era possuidor de rasoável e sólida fortuna, Afinal, ele possuía uma vasta roça, situada nas imediações da “Barrinha" com muitas árvores frutíferas cujos frutos-eram vendidos por “um bom preço” e o acesso dificultado por cachorros ferozes que a qualquer sinal atacavam os invasores, na maioria menores de idade.
Estou falando de Adão, tradicional personagem da cidade, em torno do qual existia uma lenda de que sua fortuna enterrada no quintal, também cheio de frutíferas, vendidas a "peso de ouro". A lenda tinha foros de verdade, pois naquele tempo não existiam casas bancárias e os fazendeiros não acreditavam nas firmas exportadoras, achando mais seguro guardar seus haveres em casa, em local de difícil acesso. Além de tudo o agricultor era tido um avarento da cidade, arredio da sociedade e incapaz de auxiliar qualquer pessoa, nem mesmo participava das campanhas financeiras da igreja, coisa alíás condenada por todos.
Morto Adão, aumentava a suspeita de que havia dinheiro enterrado no casarão, não mais existente, em “Todo o Pau”
Certo dia. nos idos de 1920, já no final da década, fui abordado por um irmão do jornalista Carlos Monteiro, na ocasião chefiando a Tipografia Democrata, onde era um dos empregados, Ele, depois de contar um sonho e confiar que Adão lhe ter avisado 'onde' estava a sua fortuna, perguntou se "topava", desenterrar o pequeno baú onde estava o dinheiro. Com a minha aceitação, declarou que o local era num cajueiro perto da cozinha do casarão e tudo deveria ser feito no maior sigilo, sob pena de fracassar a empreitada, marcada logo para o outro dia, uma sexta-teira à meia-noite.
Depois de um rápido reconhecimento do local para saber a melhor maneira de transpor o quintal, a hora e no local laprazados, estávamos preparados para “apoderar” do dinheiro do velho sovina.
Transposto o quintal e, na noite, por sinal bastante escura, começamos a cavar em redor do cajueiro apenas Iluminado sob a luz de pequena vela, A tarefa que esperávamos fácil, foi se tornando e penosa, pois a proporção que o tempo passava, uma espécie de nervosismo nos atacara, uma vez que um tal sinal convencionada para marcar o local exato onde estava a fortuna, não aparecia de jeito nenhum.
Já passava de uma hora da madrugada de sábado, quando não resistindo a escavação, o cajueiro adernou. quase por ocasionando e por milagre não atingiu a casa. Estava fracassada a missão e, em consequência querida Batemos em retirada. Pela manhã a cidade acordou com a notícia de que haviam retirado o dinheiro da Adão, uma verdadeira fortuna. O boato espalhado vinha" até com detalhes, pois houve gente até que encontrou uma moeda de prata deixada no Local pelos felizardos.
Decepcionados e até envergonhados, eu e o companheiro sonhador, ou melhor o receptor da mensagem milionária do endinheirado fazendeiro, não tivemos outra saída senão continuar o sigilo absoluto que, creio, sómente quebrado com esta crônica.
Tenho absoluta, certeza de.que, ainda hoje existem remaneseente areía n-heiro foi desenterrado, eom a felicidade dos iluminados .executores da :eseavaçã0 com eerta reserva.-
Para mím, infelizmente, o trabalho daquela escura noite de sexta-feira, foi negativo, em todos os sentidos, pois ao chegar em casa pela madrugada fui recepcionado pela saudosa Amor, minha mãe, dentro dos moldes da daquela época, muito “carinnhosamente”, o que não impediu que mantivesse o sigilo combinado.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 03/01/1979
Estou falando de Adão, tradicional personagem da cidade, em torno do qual existia uma lenda de que sua fortuna enterrada no quintal, também cheio de frutíferas, vendidas a "peso de ouro". A lenda tinha foros de verdade, pois naquele tempo não existiam casas bancárias e os fazendeiros não acreditavam nas firmas exportadoras, achando mais seguro guardar seus haveres em casa, em local de difícil acesso. Além de tudo o agricultor era tido um avarento da cidade, arredio da sociedade e incapaz de auxiliar qualquer pessoa, nem mesmo participava das campanhas financeiras da igreja, coisa alíás condenada por todos.
Morto Adão, aumentava a suspeita de que havia dinheiro enterrado no casarão, não mais existente, em “Todo o Pau”
Certo dia. nos idos de 1920, já no final da década, fui abordado por um irmão do jornalista Carlos Monteiro, na ocasião chefiando a Tipografia Democrata, onde era um dos empregados, Ele, depois de contar um sonho e confiar que Adão lhe ter avisado 'onde' estava a sua fortuna, perguntou se "topava", desenterrar o pequeno baú onde estava o dinheiro. Com a minha aceitação, declarou que o local era num cajueiro perto da cozinha do casarão e tudo deveria ser feito no maior sigilo, sob pena de fracassar a empreitada, marcada logo para o outro dia, uma sexta-teira à meia-noite.
Depois de um rápido reconhecimento do local para saber a melhor maneira de transpor o quintal, a hora e no local laprazados, estávamos preparados para “apoderar” do dinheiro do velho sovina.
Transposto o quintal e, na noite, por sinal bastante escura, começamos a cavar em redor do cajueiro apenas Iluminado sob a luz de pequena vela, A tarefa que esperávamos fácil, foi se tornando e penosa, pois a proporção que o tempo passava, uma espécie de nervosismo nos atacara, uma vez que um tal sinal convencionada para marcar o local exato onde estava a fortuna, não aparecia de jeito nenhum.
Já passava de uma hora da madrugada de sábado, quando não resistindo a escavação, o cajueiro adernou. quase por ocasionando e por milagre não atingiu a casa. Estava fracassada a missão e, em consequência querida Batemos em retirada. Pela manhã a cidade acordou com a notícia de que haviam retirado o dinheiro da Adão, uma verdadeira fortuna. O boato espalhado vinha" até com detalhes, pois houve gente até que encontrou uma moeda de prata deixada no Local pelos felizardos.
Decepcionados e até envergonhados, eu e o companheiro sonhador, ou melhor o receptor da mensagem milionária do endinheirado fazendeiro, não tivemos outra saída senão continuar o sigilo absoluto que, creio, sómente quebrado com esta crônica.
Tenho absoluta, certeza de.que, ainda hoje existem remaneseente areía n-heiro foi desenterrado, eom a felicidade dos iluminados .executores da :eseavaçã0 com eerta reserva.-
Para mím, infelizmente, o trabalho daquela escura noite de sexta-feira, foi negativo, em todos os sentidos, pois ao chegar em casa pela madrugada fui recepcionado pela saudosa Amor, minha mãe, dentro dos moldes da daquela época, muito “carinnhosamente”, o que não impediu que mantivesse o sigilo combinado.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 03/01/1979
A casa do bom médico.
Pode ser "que hoje apareçam contestações, porém a coisa começou da seguinte maneira:
¬ Em princípio de 1938, com o falecimento do Cel. Misael, ou seja, Manoel Misael da Silva Tavares, surgiu a notícia de que seus herdeiros iriam solicitar a casa, de propriedade do espólio, onde residia há muitos anos, o Dr. João Soares Lopes, o Dr.'Lopes' da Pobreza, ou ainda o Bom Médico.
Cidade se revoltou com a notícia. Todas as camadas da mais baixa a mais alta receberam, o anúncio com certa indignação, ainda mais que o motivo da solicitação, una ie dêespécie de despejo branco, era a falta de pagamento de aluguéis.
Como sempre acontece em tais situações, se descobre qque o Dr. Lopes era assistente do Cel. Misael que, como pagamento desses serviços, não cobrava os aluguéis do imóvel situado à praça perto do Palacete Misael Tavares, hoje sede da Maçonaria.
Diante das notícias da tomada da casa, que nunca foram desmentidas, uma comissão composta de representantes do comércio e indústria, além de agricultores, tendo a frente o Sr. Henrique Lucas, resolveu lançar uma campanha para oferecer uma casa ao Dr. Lopes. Seria uma camanha popular, que deveria abranger todas as camadas. Partindo desta decisão, as listas foram distribuídas.
A campanha foi uma das mais emocionantes com gente humilde fazendo questão de colaborar como retribuição àquele que quase sempre, recebia como pagamento dos serviços que prestava com um “Deus lhe pague”
Um ano depois da campanha, num dia 23 de Junho, data do aniversário do humanitário, a população entregava ao seu verdadeiro dono a CASA DO BOM MÉDICO, situada na altura da Fonte da Cruz, na Avenida que tem o seu nome.
Foi uma da maiores festas de congraçamento Já assistidas em Ilhéus. Era emocionante ver aquele bondoso médico alegre e chorando, querendo, mas não sabendo agradecer tão marcante homenagem.
Me informaram que a CASA DO BOM MÉDICO não mais pertence a Família Soares Lopes.
Uma pena.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/Ba 15/09/1977
¬ Em princípio de 1938, com o falecimento do Cel. Misael, ou seja, Manoel Misael da Silva Tavares, surgiu a notícia de que seus herdeiros iriam solicitar a casa, de propriedade do espólio, onde residia há muitos anos, o Dr. João Soares Lopes, o Dr.'Lopes' da Pobreza, ou ainda o Bom Médico.
Cidade se revoltou com a notícia. Todas as camadas da mais baixa a mais alta receberam, o anúncio com certa indignação, ainda mais que o motivo da solicitação, una ie dêespécie de despejo branco, era a falta de pagamento de aluguéis.
Como sempre acontece em tais situações, se descobre qque o Dr. Lopes era assistente do Cel. Misael que, como pagamento desses serviços, não cobrava os aluguéis do imóvel situado à praça perto do Palacete Misael Tavares, hoje sede da Maçonaria.
Diante das notícias da tomada da casa, que nunca foram desmentidas, uma comissão composta de representantes do comércio e indústria, além de agricultores, tendo a frente o Sr. Henrique Lucas, resolveu lançar uma campanha para oferecer uma casa ao Dr. Lopes. Seria uma camanha popular, que deveria abranger todas as camadas. Partindo desta decisão, as listas foram distribuídas.
A campanha foi uma das mais emocionantes com gente humilde fazendo questão de colaborar como retribuição àquele que quase sempre, recebia como pagamento dos serviços que prestava com um “Deus lhe pague”
Um ano depois da campanha, num dia 23 de Junho, data do aniversário do humanitário, a população entregava ao seu verdadeiro dono a CASA DO BOM MÉDICO, situada na altura da Fonte da Cruz, na Avenida que tem o seu nome.
Foi uma da maiores festas de congraçamento Já assistidas em Ilhéus. Era emocionante ver aquele bondoso médico alegre e chorando, querendo, mas não sabendo agradecer tão marcante homenagem.
Me informaram que a CASA DO BOM MÉDICO não mais pertence a Família Soares Lopes.
Uma pena.
Rubens E Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/Ba 15/09/1977
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