domingo, 16 de novembro de 2008

Exemplo de Amor ao Esporte

RIO —'"Enfocando" 'de D.-Corrêa,", num dos últimos números do JORNAL DA MANHÃ, registra o "exemplo de amor ao esporte" de um atleta que, depois; de disputar uma partida de futebol em Itabuna, se dirigiu para Ilhéus, de taxi, a tempo ue jogar meio tempo de um outro Jogo, no Estádio Mário Pessoa..



O gesto do jogador, apesar de hoje condenado pelas mentoras esportivas, é digno de registro dada a raridade de tais exenmplos, principalmente quando todo o Brasil assistiu, surpreendido e mesmo revoltado, dois dos nossos melhores jogadores, na Copa do Mundo de 1974, fazendo "corpo mole", durante uma partida, alegando que estavam se poupando, na espera de contratos milionários e que qualquer contusão, naquela altura, lhes seria prejudicial.



Lamentável, sob todos os aspectos, o gesto dos Jogadores, um reflexo degradante do nosso profissinaüsmo, felizmente adotado por uma minoria irresponsável.



A notícia me trás agradáveis recordações dos bons tempos do amadorismo mesmo mesclado com o "amadorismo marrom", quando o desprendimento e garra eram um constante em nossos'jogadores.

Quantas vezes assistimos um Neneu, Janúncio, Polibio e tantos outros, depois de unia 'derrota, abandonarem o campo em lágrimas e desaparecerem rio meio da torcida, ev;tando comentários até dos próprio companheiros.



Ëxemplo de capacidade física iguais ao resultado no "Enfocando" eram muitos, tais como atletas que depois de trabalharem toda, a. noite ou mesrrjo, em. trabalhos braçais durante, a manhãr. à tarde estavam a postos defendendo .as cores de.. seus clubes com uma disposição digna. de nota.



Dos jogadores que ..maís esbanjaram força física destaco o saudoso António Pinto. Atleta na expressão da palavra. Defendeu as cores do Satélite e do Flamengo e, na regata, remava., pelo, -State. Infelizmente a sua atuação mal orientada, se constituiu em presa fácil para a insidiosa doença que o vitimou relativamente cedo.



Em dias de regata' e jogos de futebol, António Pinto se desdobrava .pela manhã dísputavá páreos na enseada do Ünhão e a tarde participava das competições no Campo do Satélite ou no Estádio Mário Pessoa. onde atuou algumas vezes.:Caso faltasse algum jogador, também participava na preliminar, dobrando na principal sempre com. muita disposição. E, se à noite tivesse uma festinha lá estava ele exibindo' seus dotes de bailarino.



Hoje, com as decisões acauteladoras das autoridades máximas, dificilmente Pinto realizaria tal façanha e mesmo que o cronista adotasse o critério, de D. Corrêa, nãa publicando seu nome para ''evitar qualquer tipo de exploraçãq'', o nosso. herói acabaria sendo descoberto e fatalmente punido, para o seu próprio, .bem, eviando o desaparecimento prematuro de um bom atleta.

Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 03/03/1978

Anistia ─ assunto do momento.

O envio ao Congresso do projeto da Lei que concede anistia a - maioria dos cassados pela Revolução de Março, é o assunto predominante aos círculos políticos e sociais do País. Todos comentam a decisão do Presidente João Baptista de Figueiredo. Uns achando o 'projeto ótimo e outros fazendo restrições por não ter o Presidente proposto que a concessão fosse irrestrita.



O documento oficial, muitos políticos que estão afastados do País, há longos anos, retornarão ao solo pátrio. Dentre eles estão Miguel Arrais, Francisco Julião, Gregório Bezerra e, sem dúvida, o mais importante, Luis Carlos Prestes, secretário geral do ex-Partido Comunista do Brasil, campeão dos favorecidos pelas anistias, desde os idos de 22 e que em 1924 promoveu o levante de Batalhão Ferroviário de Santo Ângelo, Rio Grande do Sul, onde nasceu em 1898.



Conhecida em todo o mundo por ter sido chefe da Coluna Prestes que " percorreu grande parte do País, em que participaram ,entre outros, os tenentes Siqueira de Campo, Juarez Távora, Cordeiro de Farias e Newton Prado e que só não participou da epopéia f .dos "18 do Forte', dos quais sobrevive apenas Eduardo Gomes, por estar acamado, vítima de febre palúdíca. Também não acompanhou Getúlio na Revolução de 30, afastado do Exército, por convicções socialistas.



Contrapondo a Ação Nacional Integralista de Plínio Salgado, fundou a Aliança Nacional Libertadora, em 1936; depois de fracassada a Intentona Comunista de 1935? quando foi preso aqui no Rio de Janeiro.



Em conseqüência da reação dos aliados, na Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas, o anistiou nos primeiros meses de 1945, quando reorganizou o Partido Comunista Brasileiro e participou das eleições daquele ano, quando foi eleito senador pelo então Distrito Federal, além de vencer em vários estados da Federação os pleitos para deputado federal, onde seu partido dentre outros, elegeu o grande escritor e membro da Academia Brasileira de Letras. Jorge Amado, representante de São Paulo. Depois na gestão do Marechal Eurico Gaspar Dutra, foi cassado. juntamente cem seus companheiros parlamentares.



Em 1945, conheci pessoalmente Carlos Prestes tendo obtido na Rua Conde Lage. na Glória, seu quartel general, uma entrevista para o “Diário da Tarde" a pedido de Francisco da Silveira Dórea, seu diretor.

Antes da entrevista, cumprindo uma resolução do Conselho de Locatários do Conjunto Residencial do Realengo, do qual era presidente, promovi visita da líder comunista a Realengo, após sua saída da prisão.



Na época era obrigatório levar ao conhecimento do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários, qualquer movimento individual ou coletivo dos moradores, por intermédio do Conselho de Locatários, motivo porque depois da decisão do órgão representativo dos moradores ,de convidar Prestes para um debate público. entrei em contato ccm o presidente do ex-IAPI, Dr. Plínio Catanhede, para receber o "aval", conforme aconteceu, como também foi aceito dirigente máximo do Instituto o convite para presidir o ato publico realizado em frente ao coletivo da Rua Marechal Modestino.



Foi um grande debate em que Prestes respondeu a todas as perguntas sobre os mais variados temas.

Na ocasião ocorreu um fato curioso. Presidente do Conselho e da organização do debate constantemente estava em contato com meus companheiros" do Conselho que fiscalizavam a concentração. Nesta situação raramente ocupava meu lugar na mesa oficial.

A certa altura, depois de tomar uma providência, volto ao meu lugar. Porém ao subir no palco fui obstado por determinada pessoa que tentou impedir minha entrada. Não usei o clássico sabe com quem está falando apenas com estas palavras:

— Sabe que está falando com o responsável por esta concentração?

E calmamente tomei meu lugar entre o Dr. Plínio e Carlos Prestes.

Rubens E. Silva. Jornal da Manhã.Ilhéus/BA 12/07/1979

“A Sardinha em Lata”

— A "republica" era constituída de uma turma muito boa, que a par da sua contagiante alegria, não só se excedia- Ficava instalada na rua Cel. Paiva, bem juntinho onde morava remanescentes de tradicionai família que vivia baseada nos "louros alcançados" pelo seu velho chefe, destacado elemento da primeira fase da república e teve seu nome gravado naquela rua. Seu chefe era Everaído Farias o popüiaríssinio ''Peixinho, líder comerciário e seus participantes Rubino Lopes, Libério Menezes, Marcolino Corrêa, Dr. Cachorro, Alvinho e mais uns dois que davam para superar, em muito ,a capacidade- fisica da casa. Havia também uma espécie de governanta, a Nana Lopes, irmã do irriquieto jornalísta Joaquim (Quinquim) Lopes cuja principal preocupação era madrugar na Tarifa do Peixe a cata de um pescado.



Era um- turma alegre que promovia e participava de todos os eventos sociais da cidade, principalmente o Carnaval dando um colorido e uma movimentação que começava nas noites de sábado (na énoca o comércio funcionava integralmente aos sábados) encerrando ao raiar da qnarta-feira de cinzas.



Nas estas do Dia do Caixeiro era a "Sardinha em Lata" que dava o toque festivo do tradicional acontecimento socio-esportivo, sob a orientação máxima do "Peixinho", lídimo representane da classe.



A programação se iniciava cedo com maratona pela cidade, seguindo com o Torneio Caixeiral e encerrando com o baile dos commerciários.



A lembrança da "Republica Sardinha em Lata", e consequentemente esta crônica, me veio com a recente notícia da morte de um dos seus componentes: o velho amigo Lib´rrio Menezes..



São poucos meus escritos em torno de necrológicos . Sou mesmo avesso a este tipo de crônica, porém, por dever ou obrigação, aliado a laços de amizade conquistados através de uma convivência íntima e sincera, tenho de me reportar sobre os que se foram, como no caso



Todos .da ''Sardinha" eram amigos. Primeiro foi "Peixinho', depois Alvinho que surpreendentemente se suicidou. Marcolino da Cruzeiro do Sul, talvez traumatizado com o seu afastamento da empresa após muitos anos, faleceu prematuramente. Por fim Liberio- Todos bons amigos de muitos anos.



Não tenho notícias do Rubino nem do Dr. Cachorro, apelido dado ao Aderico, não só por ser prático de farmácia, como pela sua aparência com o "melhor amigo do homem”.



A todos os ''republicanos", amigos das disputas de bebidas nos bares da Praça Firmino Amaral, em dados ou em bilhar, muita paz.



Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 18/01/1978

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Apenas questão de frase.

RIO -— Respostas rápidas- a perguntas muitas vezes cretinas, frases à guisa de sentença, são coisas creio, que todo o mundo gosta

A presença de espírito dede gente modesta, que responde sem,, pestanejar, uma piada "em cima da bucha," pegando o interlocutor de surpresa., é, da fato um "barato" constantemente;. comento o assunto, recorrendo a apontamentos espelhados por minha estante, a estante mais desorganizada do mundo'

No setor dos'esportes ,dentre outros, já me referi ao saudoso técnico .bahiano, , fulminado em pleno Estádio da Fonte Neva.. Certa vez justificando uma derrota que não "estava nos seus planos, saiu com esta:

.—.Foi o azar da sorte.

Neném Prancha, também falecido recentemente, tinha uma série,de ''máximas' das quais esta de grande sabedoria:

. — Se Macumba vencesse jogos, campeonatos bahianos terminavam empatados, Gentil Cardoso também ficou famoso quando pediü que o Fluminense lhe "desse" Ademir que ele lhe daria o campeonato. Ë deu mesmo." Foi ele quem inventou a "zebra" para Justificar derrotas em jogos -fáceis

Mas hoje, quero falar de uma ocorrência verificada há anos- em Ilhéus, cujo personagem principal é um destes, pernósticos, metido "a sabichão, com pinta de intelectual, sofisticado e que deixava ótima impressão se a conversa fosse rápida.

Chamava-se Chagas e com Carlos Rogacïano, certa vez montou um bar ali nas imediações da Praça Firmino Amaral bem em frente a Pensão Vasco. Chamava o "Escondidinho" e sua freguesia se devia ao Rogaciano, .um garçom muito benquisto e de largo, circulo de amizades. Era uma espécie de corredor no qual o freguês tinha que ser rápido no seu aperitivo.

Certo dia, ou melhor certa noite a luzz-, deu tremendo "prego". Foi geral, mas quando a luz voltou só beneficiou o lado contrário ao "Escondidinho". Um freguês intrigado pergunta ao Chagas: ''Como é. Cadê a sua Luz? Porque ela. não veio deste lado?

E o Chagas, respondeu grave e circunspectamente:



─ É questão de frase.



Aí tem o arquivo pronto para ser arquivado. Rubens

Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 07/01/1978

Caetano Alcobaça

Rio —- Em todas as cidades, creio, tem seu tipo ou tipos populares. Pessoas de boa.ou má índole que se destacam por esta ou aquela ou mesmo pelo seu modo de viver.

Em Belmonte nós tínhamos Cardoso. o inveterado "Pau d'Agua" para quem todo mundo era "ladrão". Havia o Domingão, tipo metido a bobalhão e sempre pronto para um resposta filosófica a qualquer pergunta .O Carlos Cego que andava toda a cidade e conhecia todo o inundo.

Em Ilhéus além do conheridissimo Garcia, um urubu domesticado que morava na Praça Seabra, havia Capacidade Elevada, popular homem de recados, Víroli pronto a participar de qualquer competição esportiva e tantos outros espalhados pela cidade, distribuindo alegria e momentos de lazer à população.

Mas uma das pessoas mais preentes que já rassara em Ilhéus, sem dúvida, foi o estivador Caetano Alcobaça. Participava, de modo decisivo, em todos os momentos, podemos dizer, de gravidade, que ocorriam na cidade. Era uma presença atuante, capaz de sacrifícios.

Caetano Alcobaça, estivador e pessoa benquista não se furtava em prestar a sua colaboração desinteressada, na solução dos problemas .por mais difíceis qiie eles se apresentavam.

Foi essim no naufrágio do Itacaré onde com uma turma de companheiros, concorreu para o salvamento de várias pessoas Também no incêndio do Unhão, lá estava Caetano enfrentando as interpéries da situação difícil sendo um dos primeiros a invadir a casa vizinha onde uma pobre senhora clamava por socorro. Também no desastre do trem ca State notou-se a presença desinteressada do velho estivador que, apezar de residir no Alto de São Sebastião, apareceu nas bandas do Malhado, colaborando intensamente para salvar o maquinista. No incêndio criminoso dí um circo, perto do areal da Estrada já estava o nosso estivador lutando bravamente Janto a equipe de salvamento.

Esta crónica tem por finalidade, as pessoas do velho e prestimoso estivador Caetano Azevedo, o conhecido Alcobaça, uma homenagem a aqueles, que, não são poucos, nos momentos mais difíceis procuram dar a sua mão amiga em prol dos aflitos.

Neste mondo, cada vez mais cheio egoístas,"torna-se preciso lembrar de pessoas isentas de personalismos como incentivo as gerações que surgem.

Creio que esta crîonica vai trazer muitas recordações a velhos amigos de passadas décadas.



Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 06/01/1978

Valorizando o operário

RIO — O homem até que não estava assim maltrapilho porém, um pouco complexado. Procurava uma casa ali na Rua Coronel Paiva,

Mirando bem os números até que chegou na casa melhor opareaíada. Um: verdadeírü palacete nas imediações da Travessa das Devotas, por trás do Cine-Teatro Ilhéus,

Timidamente bateu no portão e ao ser atendido pelo dono da casa perguntou:

— E' aqui que está" precisando de um Oficiai Pedreiro?

O atendente, sizudo, mirou o pedreiro de alto a baixo e secamente respondeu: Não senhor.

Intrigado, pois recebera a informação de que era ali mesmo que estava precisando do seu serviço, o oficial retirou-se e foi a procura do seu informante para se certificar do possível equívoco. Porém, o seu companheiro confirmou que era mesmo naquela casa que estava precisando de um pedreiro .Além da confirmação o colega foi logo dizendo:

— Você deveria ir com uma roupinha melhor, pois o homem é sistemático e- não aceita gente mal vestida para lhes prestar serviço. Troque de roupa e volte lá. Depois cobre pelo serviço o que quiser.

Orientado desta fornia, o oficial de pedreiro ,se "enfatiou" com a sua "roupa da missa” e voltou à casa da rua Cel. Paiva, repetindo a mesma frase:

— E' aqui se está precisando de um Oficial Pedreiro?

A resposta foi positiva. O trabalho foi iniciado e ao seu término foi pedido o preço. O operário cobrou alto e o proprietário pagou normalmente, sem uma advertência:

-— Operário não deve andar maltrapilho .Deve se valorizar. Espero precisar novamente dos seus serviços.

Era assim o Júlio Brito. Não tolerava trabalhador mal vestido e de uma franqueza sem nrmtcs.

- Sobre o Dr. Júlio Brito: Frequentava assiduamente o Cine-Teatro Ilhéus. Chegava cedo e sentava-se, na cadeira nº. l da l0 fila. Caso chegasse e encontrasse alguém sentado na citada cadeira, voltava para casa sem assistir o filme.

Quando faleceu, Armindo Martins, em sua homenagem, isolou, com, uma corrente, a cadeira rrº. l", da 10ª.. fila, Ninguém mais a ocupou.

Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 01/01/1978

Os bons tempos dos Tenentes Delegados

RIO — Há dias tomei conhecimento da trágica morte de Arsênio de Souza, velho conhecido, dos bons tempos em que, invariavelmente, as delegacias policiais do interior baiano eram ocupadas por tenentes da Policia Militar. Pessoa equilibrada e de uma educação aprimorada, o nosso tenente Arsênio fazia parte de uma turma de tenentes espalhada pelo Sul baiano da qual participava, dentre outros os tenentes Salomão Rheu, Alfredo Coelho e Isaías Reis. todos com passagem pela Delegacia de Ilhéus, prestando segurança e defendendo a integridade física dos componentes da população.



Pelo que soube a morte do estimado, policial foi consequência do seu cavalheirismo. Notando que uma senhora em estado interessante, estava mal acomodada no coletivo em que viajava, cedeu seu lugar a passageira, sendo atingido pelo desastre, já que o impacto foi atlngí-lo justamente na vaga pertencente, momentos antes, a passageira. Isto é o que todos nós chamamos de destino. Porém para mim, o antigo delegado foi vítima da delicadeza que sempre o acompanhou.



O Salomão Rhem também é da estirpe do seu companheiro morto. Trata-se de elemento que sempre se manteve equilibrado, não se deixando trair pelos excessos tão naturais em autoridades policiais, dada a sua formação. De Alfredo Coelho e Izaías Reis, notava-se uma diferença sobre os dois primeiros, devidos algumas intervenções quando no cumprimento do dever, mas eram exaltações passageiras e, de modo geral, os quatro podiam ser enquadrados no time daqueles que costumamos chamar de «boas praças».



O então Alfredo Coelho que estava como delegado especial em Belmon te com a função de defender as autoridades constituídas presididas pelo Washington Luís, em 1930, quando da vitória da Revolução de Outubro daquele ano, consta que foi o primeiro a usar o tradicional lenço vermelho do movimento getulisla. Em Canavieiras era voz corrente que o Almerindo Rheu foi ajudado por um sargento da policia, na sua ascenção na policia militar e que só depois de “ajudar" Salomão, deu "uma mãozïnha” ao sargento que apesar de ter alguma influência na tropa, continuou, por muito tempo a «marcar passo».



O meu contato maior foi justamente como tenente Izaïas Reis que, soube depois, pedira baixa da policia, num ato Impensado e muito trabalho, depois, para conseguir a reintegração.

Acompanhei algumas diligências policiais, como .repórter, dirigidas pessoalmente pelo Tenente Izaías, sendo a mais emocionante a do “Crime dos Carillos”- um dos mais trágicos Ocorridos na década de 30- O modo humano como o delegado orientava seus subcrdinados para remover suas vitimas, ao meu ver, resultou na recuperação das quatro pessoas da família de vendedor ambulante Ezequiel deixadas pelas bandidos, como mortras. O transporte das vít;mas em caminhão efetivamente de não fosse bem orientardo resultaria, sem dúvida, em suas mortes.



Certa vez, com um grupo de amigos, fui a uma macumba no Iguape. O camdoblé se anunciava, animadíssimo, com muita comida «adendezada» e bastante bebida, pois ia haver uma matança. A função seria num amplo quintal e lá chegando tudo estava preparado para o grande momento, à meia noite. As panelas com caruru e vatapá exalavam o tratí;cional cheiro do dendê. Os tabuleiros com acaçá, abará e acarajé aguçavam nosso apetite, Quase na hora aprazada para começar a festançaj chega a policia, tendo a frente o tenente Isaías que deu voz de prisão a todos.



Ao me ver pergunta que estava fezendo e ouvindo a resposta de que estava fazendo reportagem, ele mandou que eu ficasse ao seu lado, o mesmo fazendo dois dos meus companheiros: Carlos Rogaciano e Osvaldo Mota.



De outra feita, fui solicitar ao Tenente Izaias que soltasse Turiba um biribano gazeteiro que jogava no meu time «Guarani», pois naquele dia .o clube jogaria, e o ponta esquerda havia sido preso no Alto da Conquista, como participante de um «sururu». Para dramatizar a situação disse que o detido estava na cadeia há mais de 24 horas, sem culpa formada. Izaias reagiu dizendo que não tinha nada com 24 horas.



Como não deu solução procurei o Deputado federal e chefe político Artur Lavigne, que mandou um cartão ao delegado, pedindo que me atendesse . O delegado lendo o cartão cxclamou: Estes políticos...



E, mandou Manoel Alves, comandante do destacamento soltar Turibio.


Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 06/07/1979