RIO -— Respostas rápidas- a perguntas muitas vezes cretinas, frases à guisa de sentença, são coisas creio, que todo o mundo gosta
A presença de espírito dede gente modesta, que responde sem,, pestanejar, uma piada "em cima da bucha," pegando o interlocutor de surpresa., é, da fato um "barato" constantemente;. comento o assunto, recorrendo a apontamentos espelhados por minha estante, a estante mais desorganizada do mundo'
No setor dos'esportes ,dentre outros, já me referi ao saudoso técnico .bahiano, , fulminado em pleno Estádio da Fonte Neva.. Certa vez justificando uma derrota que não "estava nos seus planos, saiu com esta:
.—.Foi o azar da sorte.
Neném Prancha, também falecido recentemente, tinha uma série,de ''máximas' das quais esta de grande sabedoria:
. — Se Macumba vencesse jogos, campeonatos bahianos terminavam empatados, Gentil Cardoso também ficou famoso quando pediü que o Fluminense lhe "desse" Ademir que ele lhe daria o campeonato. Ë deu mesmo." Foi ele quem inventou a "zebra" para Justificar derrotas em jogos -fáceis
Mas hoje, quero falar de uma ocorrência verificada há anos- em Ilhéus, cujo personagem principal é um destes, pernósticos, metido "a sabichão, com pinta de intelectual, sofisticado e que deixava ótima impressão se a conversa fosse rápida.
Chamava-se Chagas e com Carlos Rogacïano, certa vez montou um bar ali nas imediações da Praça Firmino Amaral bem em frente a Pensão Vasco. Chamava o "Escondidinho" e sua freguesia se devia ao Rogaciano, .um garçom muito benquisto e de largo, circulo de amizades. Era uma espécie de corredor no qual o freguês tinha que ser rápido no seu aperitivo.
Certo dia, ou melhor certa noite a luzz-, deu tremendo "prego". Foi geral, mas quando a luz voltou só beneficiou o lado contrário ao "Escondidinho". Um freguês intrigado pergunta ao Chagas: ''Como é. Cadê a sua Luz? Porque ela. não veio deste lado?
E o Chagas, respondeu grave e circunspectamente:
─ É questão de frase.
Aí tem o arquivo pronto para ser arquivado. Rubens
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 07/01/1978
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Caetano Alcobaça
Rio —- Em todas as cidades, creio, tem seu tipo ou tipos populares. Pessoas de boa.ou má índole que se destacam por esta ou aquela ou mesmo pelo seu modo de viver.
Em Belmonte nós tínhamos Cardoso. o inveterado "Pau d'Agua" para quem todo mundo era "ladrão". Havia o Domingão, tipo metido a bobalhão e sempre pronto para um resposta filosófica a qualquer pergunta .O Carlos Cego que andava toda a cidade e conhecia todo o inundo.
Em Ilhéus além do conheridissimo Garcia, um urubu domesticado que morava na Praça Seabra, havia Capacidade Elevada, popular homem de recados, Víroli pronto a participar de qualquer competição esportiva e tantos outros espalhados pela cidade, distribuindo alegria e momentos de lazer à população.
Mas uma das pessoas mais preentes que já rassara em Ilhéus, sem dúvida, foi o estivador Caetano Alcobaça. Participava, de modo decisivo, em todos os momentos, podemos dizer, de gravidade, que ocorriam na cidade. Era uma presença atuante, capaz de sacrifícios.
Caetano Alcobaça, estivador e pessoa benquista não se furtava em prestar a sua colaboração desinteressada, na solução dos problemas .por mais difíceis qiie eles se apresentavam.
Foi essim no naufrágio do Itacaré onde com uma turma de companheiros, concorreu para o salvamento de várias pessoas Também no incêndio do Unhão, lá estava Caetano enfrentando as interpéries da situação difícil sendo um dos primeiros a invadir a casa vizinha onde uma pobre senhora clamava por socorro. Também no desastre do trem ca State notou-se a presença desinteressada do velho estivador que, apezar de residir no Alto de São Sebastião, apareceu nas bandas do Malhado, colaborando intensamente para salvar o maquinista. No incêndio criminoso dí um circo, perto do areal da Estrada já estava o nosso estivador lutando bravamente Janto a equipe de salvamento.
Esta crónica tem por finalidade, as pessoas do velho e prestimoso estivador Caetano Azevedo, o conhecido Alcobaça, uma homenagem a aqueles, que, não são poucos, nos momentos mais difíceis procuram dar a sua mão amiga em prol dos aflitos.
Neste mondo, cada vez mais cheio egoístas,"torna-se preciso lembrar de pessoas isentas de personalismos como incentivo as gerações que surgem.
Creio que esta crîonica vai trazer muitas recordações a velhos amigos de passadas décadas.
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 06/01/1978
Em Belmonte nós tínhamos Cardoso. o inveterado "Pau d'Agua" para quem todo mundo era "ladrão". Havia o Domingão, tipo metido a bobalhão e sempre pronto para um resposta filosófica a qualquer pergunta .O Carlos Cego que andava toda a cidade e conhecia todo o inundo.
Em Ilhéus além do conheridissimo Garcia, um urubu domesticado que morava na Praça Seabra, havia Capacidade Elevada, popular homem de recados, Víroli pronto a participar de qualquer competição esportiva e tantos outros espalhados pela cidade, distribuindo alegria e momentos de lazer à população.
Mas uma das pessoas mais preentes que já rassara em Ilhéus, sem dúvida, foi o estivador Caetano Alcobaça. Participava, de modo decisivo, em todos os momentos, podemos dizer, de gravidade, que ocorriam na cidade. Era uma presença atuante, capaz de sacrifícios.
Caetano Alcobaça, estivador e pessoa benquista não se furtava em prestar a sua colaboração desinteressada, na solução dos problemas .por mais difíceis qiie eles se apresentavam.
Foi essim no naufrágio do Itacaré onde com uma turma de companheiros, concorreu para o salvamento de várias pessoas Também no incêndio do Unhão, lá estava Caetano enfrentando as interpéries da situação difícil sendo um dos primeiros a invadir a casa vizinha onde uma pobre senhora clamava por socorro. Também no desastre do trem ca State notou-se a presença desinteressada do velho estivador que, apezar de residir no Alto de São Sebastião, apareceu nas bandas do Malhado, colaborando intensamente para salvar o maquinista. No incêndio criminoso dí um circo, perto do areal da Estrada já estava o nosso estivador lutando bravamente Janto a equipe de salvamento.
Esta crónica tem por finalidade, as pessoas do velho e prestimoso estivador Caetano Azevedo, o conhecido Alcobaça, uma homenagem a aqueles, que, não são poucos, nos momentos mais difíceis procuram dar a sua mão amiga em prol dos aflitos.
Neste mondo, cada vez mais cheio egoístas,"torna-se preciso lembrar de pessoas isentas de personalismos como incentivo as gerações que surgem.
Creio que esta crîonica vai trazer muitas recordações a velhos amigos de passadas décadas.
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 06/01/1978
Valorizando o operário
RIO — O homem até que não estava assim maltrapilho porém, um pouco complexado. Procurava uma casa ali na Rua Coronel Paiva,
Mirando bem os números até que chegou na casa melhor opareaíada. Um: verdadeírü palacete nas imediações da Travessa das Devotas, por trás do Cine-Teatro Ilhéus,
Timidamente bateu no portão e ao ser atendido pelo dono da casa perguntou:
— E' aqui que está" precisando de um Oficiai Pedreiro?
O atendente, sizudo, mirou o pedreiro de alto a baixo e secamente respondeu: Não senhor.
Intrigado, pois recebera a informação de que era ali mesmo que estava precisando do seu serviço, o oficial retirou-se e foi a procura do seu informante para se certificar do possível equívoco. Porém, o seu companheiro confirmou que era mesmo naquela casa que estava precisando de um pedreiro .Além da confirmação o colega foi logo dizendo:
— Você deveria ir com uma roupinha melhor, pois o homem é sistemático e- não aceita gente mal vestida para lhes prestar serviço. Troque de roupa e volte lá. Depois cobre pelo serviço o que quiser.
Orientado desta fornia, o oficial de pedreiro ,se "enfatiou" com a sua "roupa da missa” e voltou à casa da rua Cel. Paiva, repetindo a mesma frase:
— E' aqui se está precisando de um Oficial Pedreiro?
A resposta foi positiva. O trabalho foi iniciado e ao seu término foi pedido o preço. O operário cobrou alto e o proprietário pagou normalmente, sem uma advertência:
-— Operário não deve andar maltrapilho .Deve se valorizar. Espero precisar novamente dos seus serviços.
Era assim o Júlio Brito. Não tolerava trabalhador mal vestido e de uma franqueza sem nrmtcs.
- Sobre o Dr. Júlio Brito: Frequentava assiduamente o Cine-Teatro Ilhéus. Chegava cedo e sentava-se, na cadeira nº. l da l0 fila. Caso chegasse e encontrasse alguém sentado na citada cadeira, voltava para casa sem assistir o filme.
Quando faleceu, Armindo Martins, em sua homenagem, isolou, com, uma corrente, a cadeira rrº. l", da 10ª.. fila, Ninguém mais a ocupou.
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 01/01/1978
Mirando bem os números até que chegou na casa melhor opareaíada. Um: verdadeírü palacete nas imediações da Travessa das Devotas, por trás do Cine-Teatro Ilhéus,
Timidamente bateu no portão e ao ser atendido pelo dono da casa perguntou:
— E' aqui que está" precisando de um Oficiai Pedreiro?
O atendente, sizudo, mirou o pedreiro de alto a baixo e secamente respondeu: Não senhor.
Intrigado, pois recebera a informação de que era ali mesmo que estava precisando do seu serviço, o oficial retirou-se e foi a procura do seu informante para se certificar do possível equívoco. Porém, o seu companheiro confirmou que era mesmo naquela casa que estava precisando de um pedreiro .Além da confirmação o colega foi logo dizendo:
— Você deveria ir com uma roupinha melhor, pois o homem é sistemático e- não aceita gente mal vestida para lhes prestar serviço. Troque de roupa e volte lá. Depois cobre pelo serviço o que quiser.
Orientado desta fornia, o oficial de pedreiro ,se "enfatiou" com a sua "roupa da missa” e voltou à casa da rua Cel. Paiva, repetindo a mesma frase:
— E' aqui se está precisando de um Oficial Pedreiro?
A resposta foi positiva. O trabalho foi iniciado e ao seu término foi pedido o preço. O operário cobrou alto e o proprietário pagou normalmente, sem uma advertência:
-— Operário não deve andar maltrapilho .Deve se valorizar. Espero precisar novamente dos seus serviços.
Era assim o Júlio Brito. Não tolerava trabalhador mal vestido e de uma franqueza sem nrmtcs.
- Sobre o Dr. Júlio Brito: Frequentava assiduamente o Cine-Teatro Ilhéus. Chegava cedo e sentava-se, na cadeira nº. l da l0 fila. Caso chegasse e encontrasse alguém sentado na citada cadeira, voltava para casa sem assistir o filme.
Quando faleceu, Armindo Martins, em sua homenagem, isolou, com, uma corrente, a cadeira rrº. l", da 10ª.. fila, Ninguém mais a ocupou.
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 01/01/1978
Os bons tempos dos Tenentes Delegados
RIO — Há dias tomei conhecimento da trágica morte de Arsênio de Souza, velho conhecido, dos bons tempos em que, invariavelmente, as delegacias policiais do interior baiano eram ocupadas por tenentes da Policia Militar. Pessoa equilibrada e de uma educação aprimorada, o nosso tenente Arsênio fazia parte de uma turma de tenentes espalhada pelo Sul baiano da qual participava, dentre outros os tenentes Salomão Rheu, Alfredo Coelho e Isaías Reis. todos com passagem pela Delegacia de Ilhéus, prestando segurança e defendendo a integridade física dos componentes da população.
Pelo que soube a morte do estimado, policial foi consequência do seu cavalheirismo. Notando que uma senhora em estado interessante, estava mal acomodada no coletivo em que viajava, cedeu seu lugar a passageira, sendo atingido pelo desastre, já que o impacto foi atlngí-lo justamente na vaga pertencente, momentos antes, a passageira. Isto é o que todos nós chamamos de destino. Porém para mim, o antigo delegado foi vítima da delicadeza que sempre o acompanhou.
O Salomão Rhem também é da estirpe do seu companheiro morto. Trata-se de elemento que sempre se manteve equilibrado, não se deixando trair pelos excessos tão naturais em autoridades policiais, dada a sua formação. De Alfredo Coelho e Izaías Reis, notava-se uma diferença sobre os dois primeiros, devidos algumas intervenções quando no cumprimento do dever, mas eram exaltações passageiras e, de modo geral, os quatro podiam ser enquadrados no time daqueles que costumamos chamar de «boas praças».
O então Alfredo Coelho que estava como delegado especial em Belmon te com a função de defender as autoridades constituídas presididas pelo Washington Luís, em 1930, quando da vitória da Revolução de Outubro daquele ano, consta que foi o primeiro a usar o tradicional lenço vermelho do movimento getulisla. Em Canavieiras era voz corrente que o Almerindo Rheu foi ajudado por um sargento da policia, na sua ascenção na policia militar e que só depois de “ajudar" Salomão, deu "uma mãozïnha” ao sargento que apesar de ter alguma influência na tropa, continuou, por muito tempo a «marcar passo».
O meu contato maior foi justamente como tenente Izaïas Reis que, soube depois, pedira baixa da policia, num ato Impensado e muito trabalho, depois, para conseguir a reintegração.
Acompanhei algumas diligências policiais, como .repórter, dirigidas pessoalmente pelo Tenente Izaías, sendo a mais emocionante a do “Crime dos Carillos”- um dos mais trágicos Ocorridos na década de 30- O modo humano como o delegado orientava seus subcrdinados para remover suas vitimas, ao meu ver, resultou na recuperação das quatro pessoas da família de vendedor ambulante Ezequiel deixadas pelas bandidos, como mortras. O transporte das vít;mas em caminhão efetivamente de não fosse bem orientardo resultaria, sem dúvida, em suas mortes.
Certa vez, com um grupo de amigos, fui a uma macumba no Iguape. O camdoblé se anunciava, animadíssimo, com muita comida «adendezada» e bastante bebida, pois ia haver uma matança. A função seria num amplo quintal e lá chegando tudo estava preparado para o grande momento, à meia noite. As panelas com caruru e vatapá exalavam o tratí;cional cheiro do dendê. Os tabuleiros com acaçá, abará e acarajé aguçavam nosso apetite, Quase na hora aprazada para começar a festançaj chega a policia, tendo a frente o tenente Isaías que deu voz de prisão a todos.
Ao me ver pergunta que estava fezendo e ouvindo a resposta de que estava fazendo reportagem, ele mandou que eu ficasse ao seu lado, o mesmo fazendo dois dos meus companheiros: Carlos Rogaciano e Osvaldo Mota.
De outra feita, fui solicitar ao Tenente Izaias que soltasse Turiba um biribano gazeteiro que jogava no meu time «Guarani», pois naquele dia .o clube jogaria, e o ponta esquerda havia sido preso no Alto da Conquista, como participante de um «sururu». Para dramatizar a situação disse que o detido estava na cadeia há mais de 24 horas, sem culpa formada. Izaias reagiu dizendo que não tinha nada com 24 horas.
Como não deu solução procurei o Deputado federal e chefe político Artur Lavigne, que mandou um cartão ao delegado, pedindo que me atendesse . O delegado lendo o cartão cxclamou: Estes políticos...
E, mandou Manoel Alves, comandante do destacamento soltar Turibio.
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 06/07/1979
Pelo que soube a morte do estimado, policial foi consequência do seu cavalheirismo. Notando que uma senhora em estado interessante, estava mal acomodada no coletivo em que viajava, cedeu seu lugar a passageira, sendo atingido pelo desastre, já que o impacto foi atlngí-lo justamente na vaga pertencente, momentos antes, a passageira. Isto é o que todos nós chamamos de destino. Porém para mim, o antigo delegado foi vítima da delicadeza que sempre o acompanhou.
O Salomão Rhem também é da estirpe do seu companheiro morto. Trata-se de elemento que sempre se manteve equilibrado, não se deixando trair pelos excessos tão naturais em autoridades policiais, dada a sua formação. De Alfredo Coelho e Izaías Reis, notava-se uma diferença sobre os dois primeiros, devidos algumas intervenções quando no cumprimento do dever, mas eram exaltações passageiras e, de modo geral, os quatro podiam ser enquadrados no time daqueles que costumamos chamar de «boas praças».
O então Alfredo Coelho que estava como delegado especial em Belmon te com a função de defender as autoridades constituídas presididas pelo Washington Luís, em 1930, quando da vitória da Revolução de Outubro daquele ano, consta que foi o primeiro a usar o tradicional lenço vermelho do movimento getulisla. Em Canavieiras era voz corrente que o Almerindo Rheu foi ajudado por um sargento da policia, na sua ascenção na policia militar e que só depois de “ajudar" Salomão, deu "uma mãozïnha” ao sargento que apesar de ter alguma influência na tropa, continuou, por muito tempo a «marcar passo».
O meu contato maior foi justamente como tenente Izaïas Reis que, soube depois, pedira baixa da policia, num ato Impensado e muito trabalho, depois, para conseguir a reintegração.
Acompanhei algumas diligências policiais, como .repórter, dirigidas pessoalmente pelo Tenente Izaías, sendo a mais emocionante a do “Crime dos Carillos”- um dos mais trágicos Ocorridos na década de 30- O modo humano como o delegado orientava seus subcrdinados para remover suas vitimas, ao meu ver, resultou na recuperação das quatro pessoas da família de vendedor ambulante Ezequiel deixadas pelas bandidos, como mortras. O transporte das vít;mas em caminhão efetivamente de não fosse bem orientardo resultaria, sem dúvida, em suas mortes.
Certa vez, com um grupo de amigos, fui a uma macumba no Iguape. O camdoblé se anunciava, animadíssimo, com muita comida «adendezada» e bastante bebida, pois ia haver uma matança. A função seria num amplo quintal e lá chegando tudo estava preparado para o grande momento, à meia noite. As panelas com caruru e vatapá exalavam o tratí;cional cheiro do dendê. Os tabuleiros com acaçá, abará e acarajé aguçavam nosso apetite, Quase na hora aprazada para começar a festançaj chega a policia, tendo a frente o tenente Isaías que deu voz de prisão a todos.
Ao me ver pergunta que estava fezendo e ouvindo a resposta de que estava fazendo reportagem, ele mandou que eu ficasse ao seu lado, o mesmo fazendo dois dos meus companheiros: Carlos Rogaciano e Osvaldo Mota.
De outra feita, fui solicitar ao Tenente Izaias que soltasse Turiba um biribano gazeteiro que jogava no meu time «Guarani», pois naquele dia .o clube jogaria, e o ponta esquerda havia sido preso no Alto da Conquista, como participante de um «sururu». Para dramatizar a situação disse que o detido estava na cadeia há mais de 24 horas, sem culpa formada. Izaias reagiu dizendo que não tinha nada com 24 horas.
Como não deu solução procurei o Deputado federal e chefe político Artur Lavigne, que mandou um cartão ao delegado, pedindo que me atendesse . O delegado lendo o cartão cxclamou: Estes políticos...
E, mandou Manoel Alves, comandante do destacamento soltar Turibio.
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 06/07/1979
Filosofia de canoeiro
RIO — Constantemente estou contando coisas da minha velha Belmonte, terra onde nasci, que. vem resistindo com estoicismo, as investidas do caudaloso Jequitinhonha, que todos os anos avança impiedosamcnte sobre a cidade, guardada pela Virgem do Carmo,
São casos.verídicos com sabor de anedota, que os bclmontenses dizem orgulhosamente, que só podem acontecer na sua cidade.
Coisas como daquele conhecido advogado que, para não emprestar seu piano, reformou a casa e estreitou a porta onde estava localizado o precioso instrumento, para que o mesmo não pudesse sair.
.Lá também certa vez prepararam um "mocó de fogo" para um soldado cuja especialidade era acabar com brigas "metendo" o "comblé" em todo o mundo. Mandaram avisar no quartel que havia um "sururu" na zona e o vaíentão sem procurar saber dos pormenores da briga, foi à frente dos comnanheiros e no meio do caminho foi recebido com uma saraivada de cacete que o deixou.maluco ,a ponto de desaparecer da cidade.
Tínhamos também o maquinista de lanchas que, "ao" ser agredido, corria em casa e vestia sua farda de tenente da Guarda Nacional e mandava prender seus agressores.
Porém o caso que passo a.contar ë o que aconteceu com o Cel. Melo Poassú, fazendeiro, chefe de tradicional família e filantrópico ao estremo.
Certa vez o Cel. precisava, com urgência dar uma olhada na sua fazenda mais próxima da cidade. Não tinha empregada à mão nara fazer a rápida viagem e foi obrigado a procurar um canoeiro qualquer nas bandas do "bouquete", ou seja o nosso cais do porto E se dirigindo a um remador, pediu que' lhe transportasse para a sua fazenda.
O canoeiro, por qualquer motivo declarou que não poderia fazer a viagem,, surgindo daí uma pequena discussão que não agradou ao velho Melo Poassú, que já nervoso foi incisivo.
— Tem que me levar de qualquer forma, pois tenho o dinheiro para pagar. Filosoficamente o remador respondeu:
— Então coronel ponha um motínho de dinheiro na proa e -outro na popa da canoa e pode viajar.
Com a sábia sentença, o "fim do papo".
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 05/01/1978
São casos.verídicos com sabor de anedota, que os bclmontenses dizem orgulhosamente, que só podem acontecer na sua cidade.
Coisas como daquele conhecido advogado que, para não emprestar seu piano, reformou a casa e estreitou a porta onde estava localizado o precioso instrumento, para que o mesmo não pudesse sair.
.Lá também certa vez prepararam um "mocó de fogo" para um soldado cuja especialidade era acabar com brigas "metendo" o "comblé" em todo o mundo. Mandaram avisar no quartel que havia um "sururu" na zona e o vaíentão sem procurar saber dos pormenores da briga, foi à frente dos comnanheiros e no meio do caminho foi recebido com uma saraivada de cacete que o deixou.maluco ,a ponto de desaparecer da cidade.
Tínhamos também o maquinista de lanchas que, "ao" ser agredido, corria em casa e vestia sua farda de tenente da Guarda Nacional e mandava prender seus agressores.
Porém o caso que passo a.contar ë o que aconteceu com o Cel. Melo Poassú, fazendeiro, chefe de tradicional família e filantrópico ao estremo.
Certa vez o Cel. precisava, com urgência dar uma olhada na sua fazenda mais próxima da cidade. Não tinha empregada à mão nara fazer a rápida viagem e foi obrigado a procurar um canoeiro qualquer nas bandas do "bouquete", ou seja o nosso cais do porto E se dirigindo a um remador, pediu que' lhe transportasse para a sua fazenda.
O canoeiro, por qualquer motivo declarou que não poderia fazer a viagem,, surgindo daí uma pequena discussão que não agradou ao velho Melo Poassú, que já nervoso foi incisivo.
— Tem que me levar de qualquer forma, pois tenho o dinheiro para pagar. Filosoficamente o remador respondeu:
— Então coronel ponha um motínho de dinheiro na proa e -outro na popa da canoa e pode viajar.
Com a sábia sentença, o "fim do papo".
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 05/01/1978
domingo, 9 de novembro de 2008
Melquizedeck e um Almoço Inesquecível
RIO (Especial para TABU) — Não foi e nem podia ser um almoço "black-tie" pois não havia caviar ou mesmo o afamado faisão dourado. Não estavam presentes os afarnadissimos vinhos franceses de safras remotas, nem as "champanhotas1' corriam generosa¬mente. Nada de mesas corn finíssimas toa¬lhas chinesa?, bordadas a fios de ouro, ilumi¬nadas com candelabros, e de lugares marca¬dos.
O que houve mesmo foi uma suculenta fei¬joada de sabor e aroma inesquecíveis, ser¬vida peíos participantes que descontraída e avidamente, retiravam os ingredientes, nas panelas espalhadas numa enorme mesa e sa¬boreada em conjunto, com cervejas ou refri¬gerantes, "estupidamente geladas", conforme a dieta de cada um.
Estou faiando do "opíparo" (termo em desu¬so) oferecido pela canavieirense "doente" Terezinha Rocha, íilha do saudoso Miguel Ro¬cha participante ativo dos eventos sociais de Canavieiras antiga, ao jornalista-poeta e sra. Symaco Costa, do qual participei com a pa¬troa, por uma defeiência especial da homenageante, levando de "quebra" minha filha Iady e esposo(Florisvaldo).
() apartamento da Terezinha em Padre Miguel, foi pequeno, não só pelo número de presentes mas pela exuberante alegria de¬monstrada pela promotora do encontro, tornando um dia maravilhoso em que o assun¬to foi Canavieiras,
Foi um desfile de recordações em que, a par das noticias, novas e velhas, foram lembra¬das pessoas componentes das famílias Cas¬tro, Melo, Rocha, Tedesco, Grancheux, Bar¬reto, Souza, Nonato, Nunes, Campos, Cajuei¬ro, Flores, Costa e principalmente Perrueho, que vem divulgando a tradicional cidade su¬lina através de TABU, jornal que com seus 12 anos de existência vem acompanhando o desenvolvimento tecnológico gráfico, apre¬sentando um jornal bem impresso, modeinamente paginado e com vasto noticiário, abordando assuntos de interesse geral.
Durante o encontio foi elogiada a adminis¬tração Almir Melo, que vem realizando efi¬ciente trabalho de modernização na cidade, sem se descuidar do interior, refoimando prédios oficiais e pavimentando artérias pu¬blicas, fazendo notar a presença oficial em todos os recantos. Veio è baila a demolição da tradicional pede por onde passarem a "25 de Maio". "Clube Caixeira! Afranio Peixoto" e "Clube Litero Social", comentada com a rneuna tristeza do desaparecimento do Pão de Açúcar, constituído de alvas dunas dea-reia, palco de animadas serenatas das saudo¬sas noites enluaradas. Duas outias notícias foram rrotivo de comentários: A "introdu¬ção" de tóxicos na cidade por parte de fi¬lhos de destacadas famílias locais e o desfile oficia! de "topless", com a participação de moças locais e da região. Tais eventos causaram a admiração do jornalista-poeta que
exclamou;
— Mas,,, existe isso mesmo em Canavieiras? É sinal que a minha terra esta se civilizan¬do...
A "patronesse" do almoço, que constantemente vai à cidade natal, também trouxe no¬ticias da Capelinha, Birindiba, Viana, Brejo e, como não podia deixar de ser, da Atalaia dos grandes pïc-nics, terminando com a ul¬tima cheia do Rio Pardo que deixou varias ruas alagadas a ponto de precisar o uso de canoas para transporte de grande numero de pessoas que se dirigia ao trabalho cotiaiano.
Lembramos, no decorrer do "papo", da fi¬gura impar do dr. Edmundo Castro, personagem de inacreditável façanha, difícil de ser imitada. Canavieirenses nato, conseguiu ser prefeito de Belmonte e, depois, foi elei¬to para o mesmo posto em sua terra, Cana¬vieiras.
Para nós — eu e Symaco — caboclos da mesma aldeia, conhecedores da rivalidade existente entre os munícipes das cidades vizinhas, chegamos à conclusão de que, se o registro fosse feito peio saudoso Melquizedeck, muita gente diria displicentemente:
— História de Melquizedeck...
TABU – Canavieiras-Ba – 2.a Quinzena Junho/80
Rubens Esteves da Silva
O que houve mesmo foi uma suculenta fei¬joada de sabor e aroma inesquecíveis, ser¬vida peíos participantes que descontraída e avidamente, retiravam os ingredientes, nas panelas espalhadas numa enorme mesa e sa¬boreada em conjunto, com cervejas ou refri¬gerantes, "estupidamente geladas", conforme a dieta de cada um.
Estou faiando do "opíparo" (termo em desu¬so) oferecido pela canavieirense "doente" Terezinha Rocha, íilha do saudoso Miguel Ro¬cha participante ativo dos eventos sociais de Canavieiras antiga, ao jornalista-poeta e sra. Symaco Costa, do qual participei com a pa¬troa, por uma defeiência especial da homenageante, levando de "quebra" minha filha Iady e esposo(Florisvaldo).
() apartamento da Terezinha em Padre Miguel, foi pequeno, não só pelo número de presentes mas pela exuberante alegria de¬monstrada pela promotora do encontro, tornando um dia maravilhoso em que o assun¬to foi Canavieiras,
Foi um desfile de recordações em que, a par das noticias, novas e velhas, foram lembra¬das pessoas componentes das famílias Cas¬tro, Melo, Rocha, Tedesco, Grancheux, Bar¬reto, Souza, Nonato, Nunes, Campos, Cajuei¬ro, Flores, Costa e principalmente Perrueho, que vem divulgando a tradicional cidade su¬lina através de TABU, jornal que com seus 12 anos de existência vem acompanhando o desenvolvimento tecnológico gráfico, apre¬sentando um jornal bem impresso, modeinamente paginado e com vasto noticiário, abordando assuntos de interesse geral.
Durante o encontio foi elogiada a adminis¬tração Almir Melo, que vem realizando efi¬ciente trabalho de modernização na cidade, sem se descuidar do interior, refoimando prédios oficiais e pavimentando artérias pu¬blicas, fazendo notar a presença oficial em todos os recantos. Veio è baila a demolição da tradicional pede por onde passarem a "25 de Maio". "Clube Caixeira! Afranio Peixoto" e "Clube Litero Social", comentada com a rneuna tristeza do desaparecimento do Pão de Açúcar, constituído de alvas dunas dea-reia, palco de animadas serenatas das saudo¬sas noites enluaradas. Duas outias notícias foram rrotivo de comentários: A "introdu¬ção" de tóxicos na cidade por parte de fi¬lhos de destacadas famílias locais e o desfile oficia! de "topless", com a participação de moças locais e da região. Tais eventos causaram a admiração do jornalista-poeta que
exclamou;
— Mas,,, existe isso mesmo em Canavieiras? É sinal que a minha terra esta se civilizan¬do...
A "patronesse" do almoço, que constantemente vai à cidade natal, também trouxe no¬ticias da Capelinha, Birindiba, Viana, Brejo e, como não podia deixar de ser, da Atalaia dos grandes pïc-nics, terminando com a ul¬tima cheia do Rio Pardo que deixou varias ruas alagadas a ponto de precisar o uso de canoas para transporte de grande numero de pessoas que se dirigia ao trabalho cotiaiano.
Lembramos, no decorrer do "papo", da fi¬gura impar do dr. Edmundo Castro, personagem de inacreditável façanha, difícil de ser imitada. Canavieirenses nato, conseguiu ser prefeito de Belmonte e, depois, foi elei¬to para o mesmo posto em sua terra, Cana¬vieiras.
Para nós — eu e Symaco — caboclos da mesma aldeia, conhecedores da rivalidade existente entre os munícipes das cidades vizinhas, chegamos à conclusão de que, se o registro fosse feito peio saudoso Melquizedeck, muita gente diria displicentemente:
— História de Melquizedeck...
TABU – Canavieiras-Ba – 2.a Quinzena Junho/80
Rubens Esteves da Silva
domingo, 2 de novembro de 2008
Mário Pessoa e o tabelião contrariado
RIO — O progresso de Ilhéus se deve a ação dos seus administradores e por destacados líderes de empresas privadas, dirigidas por fazendeiros e comerciantes bem sucedidos que participavam de campanhas políticas e eventos sociais, desde o tempo em que imperava a lei do mais forte e o prestígio de qualquer um era avaliado pelo numero de capangas, capaz de garantir o sucesso dos "caxíxis". Tal época foi eliminada graças a ação violenta do capitão Sobrinho que, munido de carta branca, promoveu verdadeira "caçada" aos hoje chamados de "segurança'' acoitados pelos poderosos da época e, dada a ação da política, tiveram que se imunizar na região sul do estado ou 'mesmo no norte de Minas.
Dentro o que muitos fizeram para Ilhéus e a região,'os "Mangabeiras" e os ''Pessoas" estão em primeiro plano. Os "Pessoas" com todos os defeitos, sob o comando do seu chefe, o senador estadual Antônio da Silva Pessoa, muito fizeram pelo desenvolvimento e progresso ilheense, por quase duas décadas' de comando da política loca!, encerrando em 1930 pela vitória da Revolução do saudoso Getúlio Vargas ocasião em que Durval Oliviera "cedeu" lugar ao Dr. Eusínio Lavigne. Oliveira havia substituído o Dr, Mário Pessoa da Costa e Silva administrador no período de 927 a 928.
Antes da volta de Dr, Mário, dirigiu a prefeitura ilheense, por 8 meses apenas, o Dr. Raymundo Amaral Pacheco, destituído quando em viagem a São Paulo A mudança foi devido ao fracassado "assalto" do Palácio do Catete pelos seguidores de Plínio Salgado em 1938, ocasião em que na intorventoria baiana o cel. Fernandes Dantas, deu lugar ao professor Landulfo Alves.
Na segunda gestão do Dr. Mário Pessoa se verificou um surto de progresso no município, destacando-se a construção do Estádio da Fonte da Cruz que, por triste íronia marcou o início da decadência do nosso futebol após uma época de ouro assinalada por sensacionais vitórias das quais a sua exibição, pela primeira; vez à luz dos refletores na Capital do Estado, depois de cansativa viagem a bordo de pachorrentos navios da "Bahiana". Para esta fase negativa concorreu a instituição do futebol profissional que Ilhéus até hoje não conseguiu se adaptar.
Quando Intendente, Mário Pessoa foi obrigado a seguir a política da época, mas sua volta em 1938 se, amoldou a "nova ordem", adotando a política de apaziguamento iniciada por, Eusínio Lavigne, até certo ponto responsável pela volta dos "Pessoas" ao poder.
Entretanto,-se o modo de agir do prefeito agradava aos munícipes, o mesmo não acontecia com os seus correligionários, acostumados ao velho e.superado tempo dá perseguição aos que estavam "debaixo", por isto mesmo, perdendo a força" perante seus eleitores que, diga-se de passagem, não'valiam quase nada devido as tradicionais eleições de "bico de pena" — coisa.do passado.
Não foram poucos os problemas 'enfrentados pelo Prefeito devido tal situação, o que demandava muita habilidade para contornar os conseqüentes atritos e ameaças de abandono das suas hostes políticas.
Entretanto o maior- atrito ocorrido com o chefe do executivo da Capital do Cacau foi, sem dúvida o verificado com destacada figura do partido um chefe de Cartório "oriundo" do Norte, de onde veio transportando apenas pequena trouxa — pelo menos era o que se dizia "boca pequena" — o que foi 'amplamente "bafejado" pelo velho senador. O motivo não chegou ao conhecimento público mas a discussão do Dr. Mário Pessoa, ameaçou a abandonar tudo e voltar a sua terra nordestina, encerrando o encontro desta maneira:
— Assim Mário não é mais possível. Tenho que ir embora desta terra...
O Prefeito que não gostava de ouvir ameaças mas exibindo uma certa linha dado o respeito que mantinha sobre o correligionário e, até certo ponto, protegido de seu pai, respondeu com ironia:
. —; Vá mesmo: -Mas, por favor leve de volta apenas que o .senhor trouxe quando chegou à esta cidade.
A resposta pôs água na fervura e o dono do cartório não cumpriu a sua ameaça.
Rubens E Silva Jornal da Manhã Ilhéus/BA 28/12/1980
Dentro o que muitos fizeram para Ilhéus e a região,'os "Mangabeiras" e os ''Pessoas" estão em primeiro plano. Os "Pessoas" com todos os defeitos, sob o comando do seu chefe, o senador estadual Antônio da Silva Pessoa, muito fizeram pelo desenvolvimento e progresso ilheense, por quase duas décadas' de comando da política loca!, encerrando em 1930 pela vitória da Revolução do saudoso Getúlio Vargas ocasião em que Durval Oliviera "cedeu" lugar ao Dr. Eusínio Lavigne. Oliveira havia substituído o Dr, Mário Pessoa da Costa e Silva administrador no período de 927 a 928.
Antes da volta de Dr, Mário, dirigiu a prefeitura ilheense, por 8 meses apenas, o Dr. Raymundo Amaral Pacheco, destituído quando em viagem a São Paulo A mudança foi devido ao fracassado "assalto" do Palácio do Catete pelos seguidores de Plínio Salgado em 1938, ocasião em que na intorventoria baiana o cel. Fernandes Dantas, deu lugar ao professor Landulfo Alves.
Na segunda gestão do Dr. Mário Pessoa se verificou um surto de progresso no município, destacando-se a construção do Estádio da Fonte da Cruz que, por triste íronia marcou o início da decadência do nosso futebol após uma época de ouro assinalada por sensacionais vitórias das quais a sua exibição, pela primeira; vez à luz dos refletores na Capital do Estado, depois de cansativa viagem a bordo de pachorrentos navios da "Bahiana". Para esta fase negativa concorreu a instituição do futebol profissional que Ilhéus até hoje não conseguiu se adaptar.
Quando Intendente, Mário Pessoa foi obrigado a seguir a política da época, mas sua volta em 1938 se, amoldou a "nova ordem", adotando a política de apaziguamento iniciada por, Eusínio Lavigne, até certo ponto responsável pela volta dos "Pessoas" ao poder.
Entretanto,-se o modo de agir do prefeito agradava aos munícipes, o mesmo não acontecia com os seus correligionários, acostumados ao velho e.superado tempo dá perseguição aos que estavam "debaixo", por isto mesmo, perdendo a força" perante seus eleitores que, diga-se de passagem, não'valiam quase nada devido as tradicionais eleições de "bico de pena" — coisa.do passado.
Não foram poucos os problemas 'enfrentados pelo Prefeito devido tal situação, o que demandava muita habilidade para contornar os conseqüentes atritos e ameaças de abandono das suas hostes políticas.
Entretanto o maior- atrito ocorrido com o chefe do executivo da Capital do Cacau foi, sem dúvida o verificado com destacada figura do partido um chefe de Cartório "oriundo" do Norte, de onde veio transportando apenas pequena trouxa — pelo menos era o que se dizia "boca pequena" — o que foi 'amplamente "bafejado" pelo velho senador. O motivo não chegou ao conhecimento público mas a discussão do Dr. Mário Pessoa, ameaçou a abandonar tudo e voltar a sua terra nordestina, encerrando o encontro desta maneira:
— Assim Mário não é mais possível. Tenho que ir embora desta terra...
O Prefeito que não gostava de ouvir ameaças mas exibindo uma certa linha dado o respeito que mantinha sobre o correligionário e, até certo ponto, protegido de seu pai, respondeu com ironia:
. —; Vá mesmo: -Mas, por favor leve de volta apenas que o .senhor trouxe quando chegou à esta cidade.
A resposta pôs água na fervura e o dono do cartório não cumpriu a sua ameaça.
Rubens E Silva Jornal da Manhã Ilhéus/BA 28/12/1980
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