RIO — Constantemente estou contando coisas da minha velha Belmonte, terra onde nasci, que. vem resistindo com estoicismo, as investidas do caudaloso Jequitinhonha, que todos os anos avança impiedosamcnte sobre a cidade, guardada pela Virgem do Carmo,
São casos.verídicos com sabor de anedota, que os bclmontenses dizem orgulhosamente, que só podem acontecer na sua cidade.
Coisas como daquele conhecido advogado que, para não emprestar seu piano, reformou a casa e estreitou a porta onde estava localizado o precioso instrumento, para que o mesmo não pudesse sair.
.Lá também certa vez prepararam um "mocó de fogo" para um soldado cuja especialidade era acabar com brigas "metendo" o "comblé" em todo o mundo. Mandaram avisar no quartel que havia um "sururu" na zona e o vaíentão sem procurar saber dos pormenores da briga, foi à frente dos comnanheiros e no meio do caminho foi recebido com uma saraivada de cacete que o deixou.maluco ,a ponto de desaparecer da cidade.
Tínhamos também o maquinista de lanchas que, "ao" ser agredido, corria em casa e vestia sua farda de tenente da Guarda Nacional e mandava prender seus agressores.
Porém o caso que passo a.contar ë o que aconteceu com o Cel. Melo Poassú, fazendeiro, chefe de tradicional família e filantrópico ao estremo.
Certa vez o Cel. precisava, com urgência dar uma olhada na sua fazenda mais próxima da cidade. Não tinha empregada à mão nara fazer a rápida viagem e foi obrigado a procurar um canoeiro qualquer nas bandas do "bouquete", ou seja o nosso cais do porto E se dirigindo a um remador, pediu que' lhe transportasse para a sua fazenda.
O canoeiro, por qualquer motivo declarou que não poderia fazer a viagem,, surgindo daí uma pequena discussão que não agradou ao velho Melo Poassú, que já nervoso foi incisivo.
— Tem que me levar de qualquer forma, pois tenho o dinheiro para pagar. Filosoficamente o remador respondeu:
— Então coronel ponha um motínho de dinheiro na proa e -outro na popa da canoa e pode viajar.
Com a sábia sentença, o "fim do papo".
Rubens E. Silva. Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 05/01/1978
terça-feira, 11 de novembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
Melquizedeck e um Almoço Inesquecível
RIO (Especial para TABU) — Não foi e nem podia ser um almoço "black-tie" pois não havia caviar ou mesmo o afamado faisão dourado. Não estavam presentes os afarnadissimos vinhos franceses de safras remotas, nem as "champanhotas1' corriam generosa¬mente. Nada de mesas corn finíssimas toa¬lhas chinesa?, bordadas a fios de ouro, ilumi¬nadas com candelabros, e de lugares marca¬dos.
O que houve mesmo foi uma suculenta fei¬joada de sabor e aroma inesquecíveis, ser¬vida peíos participantes que descontraída e avidamente, retiravam os ingredientes, nas panelas espalhadas numa enorme mesa e sa¬boreada em conjunto, com cervejas ou refri¬gerantes, "estupidamente geladas", conforme a dieta de cada um.
Estou faiando do "opíparo" (termo em desu¬so) oferecido pela canavieirense "doente" Terezinha Rocha, íilha do saudoso Miguel Ro¬cha participante ativo dos eventos sociais de Canavieiras antiga, ao jornalista-poeta e sra. Symaco Costa, do qual participei com a pa¬troa, por uma defeiência especial da homenageante, levando de "quebra" minha filha Iady e esposo(Florisvaldo).
() apartamento da Terezinha em Padre Miguel, foi pequeno, não só pelo número de presentes mas pela exuberante alegria de¬monstrada pela promotora do encontro, tornando um dia maravilhoso em que o assun¬to foi Canavieiras,
Foi um desfile de recordações em que, a par das noticias, novas e velhas, foram lembra¬das pessoas componentes das famílias Cas¬tro, Melo, Rocha, Tedesco, Grancheux, Bar¬reto, Souza, Nonato, Nunes, Campos, Cajuei¬ro, Flores, Costa e principalmente Perrueho, que vem divulgando a tradicional cidade su¬lina através de TABU, jornal que com seus 12 anos de existência vem acompanhando o desenvolvimento tecnológico gráfico, apre¬sentando um jornal bem impresso, modeinamente paginado e com vasto noticiário, abordando assuntos de interesse geral.
Durante o encontio foi elogiada a adminis¬tração Almir Melo, que vem realizando efi¬ciente trabalho de modernização na cidade, sem se descuidar do interior, refoimando prédios oficiais e pavimentando artérias pu¬blicas, fazendo notar a presença oficial em todos os recantos. Veio è baila a demolição da tradicional pede por onde passarem a "25 de Maio". "Clube Caixeira! Afranio Peixoto" e "Clube Litero Social", comentada com a rneuna tristeza do desaparecimento do Pão de Açúcar, constituído de alvas dunas dea-reia, palco de animadas serenatas das saudo¬sas noites enluaradas. Duas outias notícias foram rrotivo de comentários: A "introdu¬ção" de tóxicos na cidade por parte de fi¬lhos de destacadas famílias locais e o desfile oficia! de "topless", com a participação de moças locais e da região. Tais eventos causaram a admiração do jornalista-poeta que
exclamou;
— Mas,,, existe isso mesmo em Canavieiras? É sinal que a minha terra esta se civilizan¬do...
A "patronesse" do almoço, que constantemente vai à cidade natal, também trouxe no¬ticias da Capelinha, Birindiba, Viana, Brejo e, como não podia deixar de ser, da Atalaia dos grandes pïc-nics, terminando com a ul¬tima cheia do Rio Pardo que deixou varias ruas alagadas a ponto de precisar o uso de canoas para transporte de grande numero de pessoas que se dirigia ao trabalho cotiaiano.
Lembramos, no decorrer do "papo", da fi¬gura impar do dr. Edmundo Castro, personagem de inacreditável façanha, difícil de ser imitada. Canavieirenses nato, conseguiu ser prefeito de Belmonte e, depois, foi elei¬to para o mesmo posto em sua terra, Cana¬vieiras.
Para nós — eu e Symaco — caboclos da mesma aldeia, conhecedores da rivalidade existente entre os munícipes das cidades vizinhas, chegamos à conclusão de que, se o registro fosse feito peio saudoso Melquizedeck, muita gente diria displicentemente:
— História de Melquizedeck...
TABU – Canavieiras-Ba – 2.a Quinzena Junho/80
Rubens Esteves da Silva
O que houve mesmo foi uma suculenta fei¬joada de sabor e aroma inesquecíveis, ser¬vida peíos participantes que descontraída e avidamente, retiravam os ingredientes, nas panelas espalhadas numa enorme mesa e sa¬boreada em conjunto, com cervejas ou refri¬gerantes, "estupidamente geladas", conforme a dieta de cada um.
Estou faiando do "opíparo" (termo em desu¬so) oferecido pela canavieirense "doente" Terezinha Rocha, íilha do saudoso Miguel Ro¬cha participante ativo dos eventos sociais de Canavieiras antiga, ao jornalista-poeta e sra. Symaco Costa, do qual participei com a pa¬troa, por uma defeiência especial da homenageante, levando de "quebra" minha filha Iady e esposo(Florisvaldo).
() apartamento da Terezinha em Padre Miguel, foi pequeno, não só pelo número de presentes mas pela exuberante alegria de¬monstrada pela promotora do encontro, tornando um dia maravilhoso em que o assun¬to foi Canavieiras,
Foi um desfile de recordações em que, a par das noticias, novas e velhas, foram lembra¬das pessoas componentes das famílias Cas¬tro, Melo, Rocha, Tedesco, Grancheux, Bar¬reto, Souza, Nonato, Nunes, Campos, Cajuei¬ro, Flores, Costa e principalmente Perrueho, que vem divulgando a tradicional cidade su¬lina através de TABU, jornal que com seus 12 anos de existência vem acompanhando o desenvolvimento tecnológico gráfico, apre¬sentando um jornal bem impresso, modeinamente paginado e com vasto noticiário, abordando assuntos de interesse geral.
Durante o encontio foi elogiada a adminis¬tração Almir Melo, que vem realizando efi¬ciente trabalho de modernização na cidade, sem se descuidar do interior, refoimando prédios oficiais e pavimentando artérias pu¬blicas, fazendo notar a presença oficial em todos os recantos. Veio è baila a demolição da tradicional pede por onde passarem a "25 de Maio". "Clube Caixeira! Afranio Peixoto" e "Clube Litero Social", comentada com a rneuna tristeza do desaparecimento do Pão de Açúcar, constituído de alvas dunas dea-reia, palco de animadas serenatas das saudo¬sas noites enluaradas. Duas outias notícias foram rrotivo de comentários: A "introdu¬ção" de tóxicos na cidade por parte de fi¬lhos de destacadas famílias locais e o desfile oficia! de "topless", com a participação de moças locais e da região. Tais eventos causaram a admiração do jornalista-poeta que
exclamou;
— Mas,,, existe isso mesmo em Canavieiras? É sinal que a minha terra esta se civilizan¬do...
A "patronesse" do almoço, que constantemente vai à cidade natal, também trouxe no¬ticias da Capelinha, Birindiba, Viana, Brejo e, como não podia deixar de ser, da Atalaia dos grandes pïc-nics, terminando com a ul¬tima cheia do Rio Pardo que deixou varias ruas alagadas a ponto de precisar o uso de canoas para transporte de grande numero de pessoas que se dirigia ao trabalho cotiaiano.
Lembramos, no decorrer do "papo", da fi¬gura impar do dr. Edmundo Castro, personagem de inacreditável façanha, difícil de ser imitada. Canavieirenses nato, conseguiu ser prefeito de Belmonte e, depois, foi elei¬to para o mesmo posto em sua terra, Cana¬vieiras.
Para nós — eu e Symaco — caboclos da mesma aldeia, conhecedores da rivalidade existente entre os munícipes das cidades vizinhas, chegamos à conclusão de que, se o registro fosse feito peio saudoso Melquizedeck, muita gente diria displicentemente:
— História de Melquizedeck...
TABU – Canavieiras-Ba – 2.a Quinzena Junho/80
Rubens Esteves da Silva
domingo, 2 de novembro de 2008
Mário Pessoa e o tabelião contrariado
RIO — O progresso de Ilhéus se deve a ação dos seus administradores e por destacados líderes de empresas privadas, dirigidas por fazendeiros e comerciantes bem sucedidos que participavam de campanhas políticas e eventos sociais, desde o tempo em que imperava a lei do mais forte e o prestígio de qualquer um era avaliado pelo numero de capangas, capaz de garantir o sucesso dos "caxíxis". Tal época foi eliminada graças a ação violenta do capitão Sobrinho que, munido de carta branca, promoveu verdadeira "caçada" aos hoje chamados de "segurança'' acoitados pelos poderosos da época e, dada a ação da política, tiveram que se imunizar na região sul do estado ou 'mesmo no norte de Minas.
Dentro o que muitos fizeram para Ilhéus e a região,'os "Mangabeiras" e os ''Pessoas" estão em primeiro plano. Os "Pessoas" com todos os defeitos, sob o comando do seu chefe, o senador estadual Antônio da Silva Pessoa, muito fizeram pelo desenvolvimento e progresso ilheense, por quase duas décadas' de comando da política loca!, encerrando em 1930 pela vitória da Revolução do saudoso Getúlio Vargas ocasião em que Durval Oliviera "cedeu" lugar ao Dr. Eusínio Lavigne. Oliveira havia substituído o Dr, Mário Pessoa da Costa e Silva administrador no período de 927 a 928.
Antes da volta de Dr, Mário, dirigiu a prefeitura ilheense, por 8 meses apenas, o Dr. Raymundo Amaral Pacheco, destituído quando em viagem a São Paulo A mudança foi devido ao fracassado "assalto" do Palácio do Catete pelos seguidores de Plínio Salgado em 1938, ocasião em que na intorventoria baiana o cel. Fernandes Dantas, deu lugar ao professor Landulfo Alves.
Na segunda gestão do Dr. Mário Pessoa se verificou um surto de progresso no município, destacando-se a construção do Estádio da Fonte da Cruz que, por triste íronia marcou o início da decadência do nosso futebol após uma época de ouro assinalada por sensacionais vitórias das quais a sua exibição, pela primeira; vez à luz dos refletores na Capital do Estado, depois de cansativa viagem a bordo de pachorrentos navios da "Bahiana". Para esta fase negativa concorreu a instituição do futebol profissional que Ilhéus até hoje não conseguiu se adaptar.
Quando Intendente, Mário Pessoa foi obrigado a seguir a política da época, mas sua volta em 1938 se, amoldou a "nova ordem", adotando a política de apaziguamento iniciada por, Eusínio Lavigne, até certo ponto responsável pela volta dos "Pessoas" ao poder.
Entretanto,-se o modo de agir do prefeito agradava aos munícipes, o mesmo não acontecia com os seus correligionários, acostumados ao velho e.superado tempo dá perseguição aos que estavam "debaixo", por isto mesmo, perdendo a força" perante seus eleitores que, diga-se de passagem, não'valiam quase nada devido as tradicionais eleições de "bico de pena" — coisa.do passado.
Não foram poucos os problemas 'enfrentados pelo Prefeito devido tal situação, o que demandava muita habilidade para contornar os conseqüentes atritos e ameaças de abandono das suas hostes políticas.
Entretanto o maior- atrito ocorrido com o chefe do executivo da Capital do Cacau foi, sem dúvida o verificado com destacada figura do partido um chefe de Cartório "oriundo" do Norte, de onde veio transportando apenas pequena trouxa — pelo menos era o que se dizia "boca pequena" — o que foi 'amplamente "bafejado" pelo velho senador. O motivo não chegou ao conhecimento público mas a discussão do Dr. Mário Pessoa, ameaçou a abandonar tudo e voltar a sua terra nordestina, encerrando o encontro desta maneira:
— Assim Mário não é mais possível. Tenho que ir embora desta terra...
O Prefeito que não gostava de ouvir ameaças mas exibindo uma certa linha dado o respeito que mantinha sobre o correligionário e, até certo ponto, protegido de seu pai, respondeu com ironia:
. —; Vá mesmo: -Mas, por favor leve de volta apenas que o .senhor trouxe quando chegou à esta cidade.
A resposta pôs água na fervura e o dono do cartório não cumpriu a sua ameaça.
Rubens E Silva Jornal da Manhã Ilhéus/BA 28/12/1980
Dentro o que muitos fizeram para Ilhéus e a região,'os "Mangabeiras" e os ''Pessoas" estão em primeiro plano. Os "Pessoas" com todos os defeitos, sob o comando do seu chefe, o senador estadual Antônio da Silva Pessoa, muito fizeram pelo desenvolvimento e progresso ilheense, por quase duas décadas' de comando da política loca!, encerrando em 1930 pela vitória da Revolução do saudoso Getúlio Vargas ocasião em que Durval Oliviera "cedeu" lugar ao Dr. Eusínio Lavigne. Oliveira havia substituído o Dr, Mário Pessoa da Costa e Silva administrador no período de 927 a 928.
Antes da volta de Dr, Mário, dirigiu a prefeitura ilheense, por 8 meses apenas, o Dr. Raymundo Amaral Pacheco, destituído quando em viagem a São Paulo A mudança foi devido ao fracassado "assalto" do Palácio do Catete pelos seguidores de Plínio Salgado em 1938, ocasião em que na intorventoria baiana o cel. Fernandes Dantas, deu lugar ao professor Landulfo Alves.
Na segunda gestão do Dr. Mário Pessoa se verificou um surto de progresso no município, destacando-se a construção do Estádio da Fonte da Cruz que, por triste íronia marcou o início da decadência do nosso futebol após uma época de ouro assinalada por sensacionais vitórias das quais a sua exibição, pela primeira; vez à luz dos refletores na Capital do Estado, depois de cansativa viagem a bordo de pachorrentos navios da "Bahiana". Para esta fase negativa concorreu a instituição do futebol profissional que Ilhéus até hoje não conseguiu se adaptar.
Quando Intendente, Mário Pessoa foi obrigado a seguir a política da época, mas sua volta em 1938 se, amoldou a "nova ordem", adotando a política de apaziguamento iniciada por, Eusínio Lavigne, até certo ponto responsável pela volta dos "Pessoas" ao poder.
Entretanto,-se o modo de agir do prefeito agradava aos munícipes, o mesmo não acontecia com os seus correligionários, acostumados ao velho e.superado tempo dá perseguição aos que estavam "debaixo", por isto mesmo, perdendo a força" perante seus eleitores que, diga-se de passagem, não'valiam quase nada devido as tradicionais eleições de "bico de pena" — coisa.do passado.
Não foram poucos os problemas 'enfrentados pelo Prefeito devido tal situação, o que demandava muita habilidade para contornar os conseqüentes atritos e ameaças de abandono das suas hostes políticas.
Entretanto o maior- atrito ocorrido com o chefe do executivo da Capital do Cacau foi, sem dúvida o verificado com destacada figura do partido um chefe de Cartório "oriundo" do Norte, de onde veio transportando apenas pequena trouxa — pelo menos era o que se dizia "boca pequena" — o que foi 'amplamente "bafejado" pelo velho senador. O motivo não chegou ao conhecimento público mas a discussão do Dr. Mário Pessoa, ameaçou a abandonar tudo e voltar a sua terra nordestina, encerrando o encontro desta maneira:
— Assim Mário não é mais possível. Tenho que ir embora desta terra...
O Prefeito que não gostava de ouvir ameaças mas exibindo uma certa linha dado o respeito que mantinha sobre o correligionário e, até certo ponto, protegido de seu pai, respondeu com ironia:
. —; Vá mesmo: -Mas, por favor leve de volta apenas que o .senhor trouxe quando chegou à esta cidade.
A resposta pôs água na fervura e o dono do cartório não cumpriu a sua ameaça.
Rubens E Silva Jornal da Manhã Ilhéus/BA 28/12/1980
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Lembrando a “State of Bahia Railway”
RIO — Desde a chamada crise do petróleo — verdadeiro "maná" para a Petrobrás que está faturando mais de 500 na comercialização — fontes autorizadas falam em reativar alguns dos ramais ferroviário, intempestivamente desativados pelo então Ministro da Viação general Juarez Távora que, no caso da nossa "State", segundo se propalou foi fechada em revide a derrota do ministro, nas suas suas pretensões de se eleger presidente da República, nos idos de 60.
A decisão deixou milhares de ferroviários em disponibilidade remunerada, determinando a transferência de uns poucos para regiões distantes de sua moradia, numa espécie de "desterro branco" a quem não tinha nada "com o peixe, ou seja a derrota do "vice-rei do norte em 3C”: Houve grita contra o ato que não alcançou a economia esperada e hoje está patenteado o grave erro da desativação.
No caso da Ilhéus a Conquista o ato do ministro Juarez Távora foi de uma infelicidade sem par, uma vez que a ferrovia dirigida por “Mister Hull”, vinha prestando inestimáveis serviços a uma das mais ricas regiões da América do Sul, como atestavam as estatísticas da "The State Of. Bahia South Wester Railway Company, fundada por iniciativa do cel. Bento Berilo de Oliveira e construída com capital inglês, na primeira década do século.
Conheci a State em 1.927 — alíás a primeira Estrada de Ferro que conhsci ao vivo —-quando me tornei assiduo frequentador de "gare" sob o comando de Paizinho. Zegato, Francisco ou Demola. Admirava o trabalho penosíssimo dos foguistss e a perícia dos guardas-freios e manooreiros.
Com íal vivência fiquei prsticsmsnte integrado na vida da nossa ferrovia onda havia uma espécie de ecumenismo ideológico surgido quando dos movimentes liderados por Luiz Carlos Prestes e Plínio Salgado, respsctivamente Aliança Libertadora e Acão Integraíista Brasileira, sendo que os "plinianos" eram muitas vezes rnais numerosos. No escritório, dentre outros, estavam os irmãos Pedro e Humbert Ribeiro, juntamente com João Batista de Souza e Crescenciano Santos. Espalhados na administração sa “State”, estavam José Cerqueira, Cândido Lobo, Cantídio, António de Aflitina, .Ernesto, Canso dos Batutas. Duca. Manoeliío, Esterrnito, Sodré. Nestor, Bode de Duca, Bitatis, Januncio o extraordinário rneia-esquerda da Seleção Ilheense e o "virtuose" do violão, popularmente conhecido como Major.
Certa vez estava com Adamstor Adamí — outro freguês da chegada do comboio — na plataforma quando urn rapaz modestamente vestido, nos pede para que o ajude a levar seu pai para o cemitério. Acompanhamos o rapaz e ao chegar onde estava o corpo verificamos que não tinha mais nlnguém para o enterro e o que era pior o cadáver ultrapassava a linha dos 150 quilos. Depois de alguns apelos apareceu um acompanhante.
Tivemos cus enfrentar a situação e "agarrar" o esquife que, ainda por cima, tinha as alças colocadas ao contrário, com os vincos para baixo
Esta ocorrência ficou bern marcada e, por muito tempo, quando encontrava Adamastor ou vice-versa, um leve sorriso nos fazia lembrar o- que passamos a chamar a "grance tragédia".
Voltando ao pessoa; da "Ilhéus a Conquista*', lembro de um personagem dos mais conhecidos da ferrovia dada e sua função que o obrigava a um permanente contato com os passageiros.
Estou faiando de "La Pernet':; o chefe de trem. De estatura média, parecia sernpre zangado. Fiel curnpndpr das suas obrigações e na conferência dos bilhetes, não deixava passar nada. Verdadeiro terror dos caronas.
Certa vez, piíhando" o colega Lelinho com o passe de Souza Pinto, o gerente de “Diário da Tarde” quis “prender” o documento dizendo que o passageiro estava errado, já que não era legal e certo Leiínho viajar com o "passe" do gerente do jorna!.
O saudoso co!egaT sob uma gargalhada dos passageiros apenss disse:
— Nada "Lapernet" se tudo aqui fosse direito esta Estrada há muito tempo já estaria em Conquista...
Rubens E Silva Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 07/12/1980
A decisão deixou milhares de ferroviários em disponibilidade remunerada, determinando a transferência de uns poucos para regiões distantes de sua moradia, numa espécie de "desterro branco" a quem não tinha nada "com o peixe, ou seja a derrota do "vice-rei do norte em 3C”: Houve grita contra o ato que não alcançou a economia esperada e hoje está patenteado o grave erro da desativação.
No caso da Ilhéus a Conquista o ato do ministro Juarez Távora foi de uma infelicidade sem par, uma vez que a ferrovia dirigida por “Mister Hull”, vinha prestando inestimáveis serviços a uma das mais ricas regiões da América do Sul, como atestavam as estatísticas da "The State Of. Bahia South Wester Railway Company, fundada por iniciativa do cel. Bento Berilo de Oliveira e construída com capital inglês, na primeira década do século.
Conheci a State em 1.927 — alíás a primeira Estrada de Ferro que conhsci ao vivo —-quando me tornei assiduo frequentador de "gare" sob o comando de Paizinho. Zegato, Francisco ou Demola. Admirava o trabalho penosíssimo dos foguistss e a perícia dos guardas-freios e manooreiros.
Com íal vivência fiquei prsticsmsnte integrado na vida da nossa ferrovia onda havia uma espécie de ecumenismo ideológico surgido quando dos movimentes liderados por Luiz Carlos Prestes e Plínio Salgado, respsctivamente Aliança Libertadora e Acão Integraíista Brasileira, sendo que os "plinianos" eram muitas vezes rnais numerosos. No escritório, dentre outros, estavam os irmãos Pedro e Humbert Ribeiro, juntamente com João Batista de Souza e Crescenciano Santos. Espalhados na administração sa “State”, estavam José Cerqueira, Cândido Lobo, Cantídio, António de Aflitina, .Ernesto, Canso dos Batutas. Duca. Manoeliío, Esterrnito, Sodré. Nestor, Bode de Duca, Bitatis, Januncio o extraordinário rneia-esquerda da Seleção Ilheense e o "virtuose" do violão, popularmente conhecido como Major.
Certa vez estava com Adamstor Adamí — outro freguês da chegada do comboio — na plataforma quando urn rapaz modestamente vestido, nos pede para que o ajude a levar seu pai para o cemitério. Acompanhamos o rapaz e ao chegar onde estava o corpo verificamos que não tinha mais nlnguém para o enterro e o que era pior o cadáver ultrapassava a linha dos 150 quilos. Depois de alguns apelos apareceu um acompanhante.
Tivemos cus enfrentar a situação e "agarrar" o esquife que, ainda por cima, tinha as alças colocadas ao contrário, com os vincos para baixo
Esta ocorrência ficou bern marcada e, por muito tempo, quando encontrava Adamastor ou vice-versa, um leve sorriso nos fazia lembrar o- que passamos a chamar a "grance tragédia".
Voltando ao pessoa; da "Ilhéus a Conquista*', lembro de um personagem dos mais conhecidos da ferrovia dada e sua função que o obrigava a um permanente contato com os passageiros.
Estou faiando de "La Pernet':; o chefe de trem. De estatura média, parecia sernpre zangado. Fiel curnpndpr das suas obrigações e na conferência dos bilhetes, não deixava passar nada. Verdadeiro terror dos caronas.
Certa vez, piíhando" o colega Lelinho com o passe de Souza Pinto, o gerente de “Diário da Tarde” quis “prender” o documento dizendo que o passageiro estava errado, já que não era legal e certo Leiínho viajar com o "passe" do gerente do jorna!.
O saudoso co!egaT sob uma gargalhada dos passageiros apenss disse:
— Nada "Lapernet" se tudo aqui fosse direito esta Estrada há muito tempo já estaria em Conquista...
Rubens E Silva Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 07/12/1980
Ilhéus na primeira década do “Diário da Tarde”
Está completando seu quadragésimo sexto aniversário o DIÁRIO DA TARDE, o "paladino dos eternos ideais de liberdade e defensor intransigente das causas ilheenses e dos interesses e aspirações da região cacaueira".
Fui seu primeiro funcionário que, com. o jornalista Carlos Monteiro um dos fundadores, saí de Belmonte para trabalhar no jornal, cujo primeiro número circulou no dia 10 de fevereiro de 1928, numa sexta-feira, com enorme expectativa e desusado interesse da parte da população.
Seus dirigentes e empresários desde o inicio daquele ano, desenvolveram intensa atividade e uma assistência intelectual e financeira das mais positivas, com uma certeza absoluta do êxito da iniciativa.
Efetivamente o DIÁRIO DA TARDE, que surgiu numa época de ouro da região cacaueira, vem atravessando os tempos com uma irrepreensível linha de independência e apoiado por todos .os setores, objetivo esperado e alcançado pelos seus iniciadores Carlos Monteiro, Eusínio Lavigne, Alcino Dórea e Francisco da Silveira Dórea que comandou a empresa por mais de- 45 anos, o que constitui um verdadeiro “record” na imprensa nordestina.
Na primeira década da existência do DIÁRIO, o jornal participou intensamente da vida da cidade, tanto no setor social, político como no esportivo. No setor político liderou a Revolução de 30 na região sul da Bahia, obrigando as autoridades de então lhes impor uma censura, motivando que diversas de suas edições saíssem com colunas em branco. Mas vitorioso o movimento um dos seus principais elementos, o Dr. Eusínio Lavigne foi escolhido Prefeito da Cidade, se constituindo um dos maiores dirigentes administrativos que Ilhéus já possuiu, responsável pela ampliação e desenvolvimento urbano.
Naquela época Ilhéus tinha uma vida. noturna intensa, com quatro cassinos funcionando. Os bares das praças do Vesúvio -e Firmino Amaral com um movimento enorme e os seus 3 cinemas funcionando diariamente com desusada assistência, o setor urbano era também muito movimentado.
As festividades que sempre, como ainda hoje, contavam com a colaboração do jornal, decorriam em plena animação, principalmente as religiosas, tais como as de Nª. Sª. das Vitórias, São Jorge e São Sebastião, que reuniam católicos de todos os setores da cidade.
O movimento esportivo com. a participação do Vitória, Satélite, Flamengo e Santa Cruz, era a paixão dos torcedores o que motivou a necessidade da construção do Estádio "Mário Pessoa", onde os campeonatos eram realizados em renhidas partidas.
Durante o Carnaval, os Pidões e Fiapos, sucessores dos Batutas e Bacuraus, além das escolas de Samba de Melé e Almir, faziam com que a população se concentrasse na Luiz Viana, com uma animação fora do comum.
As festas do Clube Social e da União Protetora e a participação do “Jazz Moraes", eram animadíssimas.
Noites de Reis com Aprígia e Domiense exibindo seus ternos bem organizados e as testas Antoninas nas casas de Mãe Tereza, Dª Clara e Rita, de Zé Luiz e Antonina Santana, terminavam com animados bailes que iam até altas madrugadas.
Também o São Cosme de Aflitina e São Crispim de Alzira de Aquilino reuniam destacados elementos dos mais variados setores sociais de Ilhéus que também não esqueciam de uma visita a Pai Pedro ou mesmo a Jubiabá quando aparecia na cidade.
O mais importante é que o DIÁRIO DA TARDE sempre foi distinguido por todos, da gente humilde aos destacados nomes da sociedade e da política que hoje, decerto, prestarão as mais sinceras e justas homenagens ao jornal que, passando pelas mais variadas fases econômicas da região, jamais deixou de cumprir o papel de "paladino dos eternos ideais de liberdade" a que se propôs.
Guanabara, Fevereiro de 1974.
Ilhéus, BA 06/02/1974
RUBENS E, SILVA
Fui seu primeiro funcionário que, com. o jornalista Carlos Monteiro um dos fundadores, saí de Belmonte para trabalhar no jornal, cujo primeiro número circulou no dia 10 de fevereiro de 1928, numa sexta-feira, com enorme expectativa e desusado interesse da parte da população.
Seus dirigentes e empresários desde o inicio daquele ano, desenvolveram intensa atividade e uma assistência intelectual e financeira das mais positivas, com uma certeza absoluta do êxito da iniciativa.
Efetivamente o DIÁRIO DA TARDE, que surgiu numa época de ouro da região cacaueira, vem atravessando os tempos com uma irrepreensível linha de independência e apoiado por todos .os setores, objetivo esperado e alcançado pelos seus iniciadores Carlos Monteiro, Eusínio Lavigne, Alcino Dórea e Francisco da Silveira Dórea que comandou a empresa por mais de- 45 anos, o que constitui um verdadeiro “record” na imprensa nordestina.
Na primeira década da existência do DIÁRIO, o jornal participou intensamente da vida da cidade, tanto no setor social, político como no esportivo. No setor político liderou a Revolução de 30 na região sul da Bahia, obrigando as autoridades de então lhes impor uma censura, motivando que diversas de suas edições saíssem com colunas em branco. Mas vitorioso o movimento um dos seus principais elementos, o Dr. Eusínio Lavigne foi escolhido Prefeito da Cidade, se constituindo um dos maiores dirigentes administrativos que Ilhéus já possuiu, responsável pela ampliação e desenvolvimento urbano.
Naquela época Ilhéus tinha uma vida. noturna intensa, com quatro cassinos funcionando. Os bares das praças do Vesúvio -e Firmino Amaral com um movimento enorme e os seus 3 cinemas funcionando diariamente com desusada assistência, o setor urbano era também muito movimentado.
As festividades que sempre, como ainda hoje, contavam com a colaboração do jornal, decorriam em plena animação, principalmente as religiosas, tais como as de Nª. Sª. das Vitórias, São Jorge e São Sebastião, que reuniam católicos de todos os setores da cidade.
O movimento esportivo com. a participação do Vitória, Satélite, Flamengo e Santa Cruz, era a paixão dos torcedores o que motivou a necessidade da construção do Estádio "Mário Pessoa", onde os campeonatos eram realizados em renhidas partidas.
Durante o Carnaval, os Pidões e Fiapos, sucessores dos Batutas e Bacuraus, além das escolas de Samba de Melé e Almir, faziam com que a população se concentrasse na Luiz Viana, com uma animação fora do comum.
As festas do Clube Social e da União Protetora e a participação do “Jazz Moraes", eram animadíssimas.
Noites de Reis com Aprígia e Domiense exibindo seus ternos bem organizados e as testas Antoninas nas casas de Mãe Tereza, Dª Clara e Rita, de Zé Luiz e Antonina Santana, terminavam com animados bailes que iam até altas madrugadas.
Também o São Cosme de Aflitina e São Crispim de Alzira de Aquilino reuniam destacados elementos dos mais variados setores sociais de Ilhéus que também não esqueciam de uma visita a Pai Pedro ou mesmo a Jubiabá quando aparecia na cidade.
O mais importante é que o DIÁRIO DA TARDE sempre foi distinguido por todos, da gente humilde aos destacados nomes da sociedade e da política que hoje, decerto, prestarão as mais sinceras e justas homenagens ao jornal que, passando pelas mais variadas fases econômicas da região, jamais deixou de cumprir o papel de "paladino dos eternos ideais de liberdade" a que se propôs.
Guanabara, Fevereiro de 1974.
Ilhéus, BA 06/02/1974
RUBENS E, SILVA
“Boca Rica” e as coisas da Central do Brasil.
RIO — Lá vem o trem da Centra. Chega na Estação intermediária praticamente lotado. Os passageiros que estão na plataforma não tomam conhecimento e ''forçam a barra", aumentando o número da usuários, parecendo ser impossível entrar mais gente. Pura ilusão, pois, na próxima Estação um trem avariado ocasiona nova invasão e um ex-bem acomodado viajante .amparado por um daqueles ferros de sustentação do teto. exclama: "trem da Central é igual a coração de mãe. sempre cabe mais um..."
Esta cena é uma constante nos transportes suburbanos da hoje Rede Ferroviária Federal (ex-Central do Brasil) principalmente nas primeiras horas do dia, ooasião em que os trabalhadores, vindos dos mais longínquos recantos do Grande Rio, se dirigem ao "batente"
Em dias de calor intenso a viagem fica insuportável e altera sobremodo o sistema nervoso dos passageiros e resulta nos tradicionais "Quebra-Quebra" de funestas .consequências, que poderia ser evitadas, se as intempestivas paradas das viagens, fossem devidamente explicadas. Hoje a direção da ferrovia apresenta um bom serviço de divulgação nas estações.
Em trânsito normal a viagem torna-se até divertida, fazendo até que os eternos mal-humorados consiga, algumas vezes, dar sinais de sua graça. quando das respostas (Intempestivas a qualquer intervenção jocosa .de um companheiro.
Há anos, conseguimos que daqui de Realengo, todas as manhãs, saísse uma composição com destino à cidade. Imediatamente o trem foi cognominado de "Boca Rica", o que era realmente para os moradores do populoso subúrbio. O "Boca Rica” se tornou conhecido por todo o Rio de Janeiro, pelas festas natalinas promovidas pelos seus usuários ,darante as quais o maquinista responsável — Bahiano — era homenageado .recebendo presentes dos viajantes que enfeitavam a composição. O verdadeiro "Trem da Alegria” durou' cerca de cinco anos e, apesar dos apelos .não mais voltou a circular. O interessante era que Bahiano, o maquinista nem conhecia a "Boa
A viagem em qualquer comboio ferroviário à qualquer coisa de divertida principalmente devido o convívio entre as mais variadas classes sociais que resultam em sólidas amizades, através de jogos de "sueca", debates políticos e discussões sobre futebol, corrida de cavalos e até palpites para o tradicional jogo-do-biclïo, o passa-tempo preferido pelos cariocas, ou melhor, pelos brasileiros.
Costumo ficar atento aos acontecimentos ocorridos nas viagens de coletivos, das quais colho assuntos para esta coluna que, em breve comemora cinco ancs (aí está incluído "Coisas do Passado") e hoje passo a relatar algumas cenas.
Estávamos em Junho, no rigor do inverno. O trem relativamente lotado e, a um canto, uma senhora "tiritava" de frio a ponto de estar encolhidíssima. Entra um senhor forte, amparado por um bom número de camisas escondidas por um aconchegante casaco de couro. Vendo a senhora pargunta. em tom de deboche se a mesma está com frio. Com a resposta afirmativa ele radiante se declara amante daquela temperatura. Gosto deste tempinho que a senhora não imagina, não sei como tem gente que reclama de frio.
A temperatura está amena. O trem estava cheio. Em um banco que cabiam uns sete estavam onze, quando em Cascadura, entra uma senhora "tamanho família". Um passageïro ïncomodamente sentado, oferece seu lugar a nova passageira que aceitando "aboleta" seus quase um metro no espaço de 20 centímetros que lhes foí oferecido.
Os pingentes são desabusados. Só viajam na porta do comboio. Dizem piadas a torto e a direito atingjndo aos transeuntes quando a composição passa perto de qualquer rua. Naquela dia de calor intenso uma turma de trabalhadores da via permanente, num trabalho ingrato de ajusta os dormentes com pedras britadas que fazia sair suor por todos os poros, Passando por perto, um pingente, grita:
—-Ei meu chapa, está encoatondo ouro aí?
Ninguém ouviu a resposta-reação dos trabalhadores. Foi bom assim.
Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 07/07/1980
Esta cena é uma constante nos transportes suburbanos da hoje Rede Ferroviária Federal (ex-Central do Brasil) principalmente nas primeiras horas do dia, ooasião em que os trabalhadores, vindos dos mais longínquos recantos do Grande Rio, se dirigem ao "batente"
Em dias de calor intenso a viagem fica insuportável e altera sobremodo o sistema nervoso dos passageiros e resulta nos tradicionais "Quebra-Quebra" de funestas .consequências, que poderia ser evitadas, se as intempestivas paradas das viagens, fossem devidamente explicadas. Hoje a direção da ferrovia apresenta um bom serviço de divulgação nas estações.
Em trânsito normal a viagem torna-se até divertida, fazendo até que os eternos mal-humorados consiga, algumas vezes, dar sinais de sua graça. quando das respostas (Intempestivas a qualquer intervenção jocosa .de um companheiro.
Há anos, conseguimos que daqui de Realengo, todas as manhãs, saísse uma composição com destino à cidade. Imediatamente o trem foi cognominado de "Boca Rica", o que era realmente para os moradores do populoso subúrbio. O "Boca Rica” se tornou conhecido por todo o Rio de Janeiro, pelas festas natalinas promovidas pelos seus usuários ,darante as quais o maquinista responsável — Bahiano — era homenageado .recebendo presentes dos viajantes que enfeitavam a composição. O verdadeiro "Trem da Alegria” durou' cerca de cinco anos e, apesar dos apelos .não mais voltou a circular. O interessante era que Bahiano, o maquinista nem conhecia a "Boa
A viagem em qualquer comboio ferroviário à qualquer coisa de divertida principalmente devido o convívio entre as mais variadas classes sociais que resultam em sólidas amizades, através de jogos de "sueca", debates políticos e discussões sobre futebol, corrida de cavalos e até palpites para o tradicional jogo-do-biclïo, o passa-tempo preferido pelos cariocas, ou melhor, pelos brasileiros.
Costumo ficar atento aos acontecimentos ocorridos nas viagens de coletivos, das quais colho assuntos para esta coluna que, em breve comemora cinco ancs (aí está incluído "Coisas do Passado") e hoje passo a relatar algumas cenas.
Estávamos em Junho, no rigor do inverno. O trem relativamente lotado e, a um canto, uma senhora "tiritava" de frio a ponto de estar encolhidíssima. Entra um senhor forte, amparado por um bom número de camisas escondidas por um aconchegante casaco de couro. Vendo a senhora pargunta. em tom de deboche se a mesma está com frio. Com a resposta afirmativa ele radiante se declara amante daquela temperatura. Gosto deste tempinho que a senhora não imagina, não sei como tem gente que reclama de frio.
A temperatura está amena. O trem estava cheio. Em um banco que cabiam uns sete estavam onze, quando em Cascadura, entra uma senhora "tamanho família". Um passageïro ïncomodamente sentado, oferece seu lugar a nova passageira que aceitando "aboleta" seus quase um metro no espaço de 20 centímetros que lhes foí oferecido.
Os pingentes são desabusados. Só viajam na porta do comboio. Dizem piadas a torto e a direito atingjndo aos transeuntes quando a composição passa perto de qualquer rua. Naquela dia de calor intenso uma turma de trabalhadores da via permanente, num trabalho ingrato de ajusta os dormentes com pedras britadas que fazia sair suor por todos os poros, Passando por perto, um pingente, grita:
—-Ei meu chapa, está encoatondo ouro aí?
Ninguém ouviu a resposta-reação dos trabalhadores. Foi bom assim.
Jornal da Manhã. Ilhéus/BA 07/07/1980
As festas de Cosme e Damião
RIO — Rubens Correia, ou melhor Rubens da Associação, o veterano estatístico da Associação Comercial de Ilhéus, que deve estar se aposentando, pelo tempo que exerce, na tradicional entidade da Praça J.J. Seabra, de vez em quando, através de "Coisas e Fatos de Ilhéus", tece considerações acerca de macumba e candomblé, demonstrando ser um assíduo freqüentador da casa do Pai Pedro, lá no Alto do Basílio, além de conhecedor profundo da história dos "Terreiros" da região cacaueira.
O velho amigo das noitadas de Ilhéus, para minha surpresa, nos escritos confessa que desde os idos de 30 "está por dentro" das coisas de Oxossi e Ogum, acompanhando a saudosa "Mãe Percília", do Pontal, substituída por "Mãe Conceição", sendo agora um "fam" incondicional de "Pai Pedro” no seu terreiro no Basilio, onde naturalmente recebe os fluidos do tradicional "bruxo", considerado atração turística da cidade.
Naquele tempo o candomblé era considerado contravenção e sua prática era perseguida pela polícia, que não dava tréguas aos "cambonos", muitas vezes presos com os seus seguidores e seus apetrechos.
Hoje a coisa mudou. As macumbas estão em todos os lugares. Os "pegys", que funcionavam nos longínquos recantos, estão funcionando nos centos urbanos e, muitas vezes, como acontece aqui no Rio, não respeita a Lei do Silencio, amparados que estão por diplomas gerais.
O pior é que a profissão está sendo exercida, em muitos casos, por impostores que apenas visam a exploração dos incautos, pondo "para trás" àqueles que praticam Umbanda com fins puramente humanitários, não visando lucros.
Numa última crônica o Rubens da Associação se refere a "Festa de Cosme e Damião" e depois de fazer um histórico dos dois "mabaços", popularmente conhecidos e festejados, noticia a festa que o, também companheiro das festinhas de aniversários, Chico Caraneba, ia proporcionar aos seus amigos, quando o tradicional caruru e o apimentado vatapá, iam "rolar" durante à noite.
A notícia me fez recordar festas dos “dois dois” nas décadas de 20 e 30, nas casas de Pai Pedro, Jorgina, e especialmente, a promovida por Aflitina, esposa do "Flamengo doente" ' António da “State”, no início da Avenida 2 de Julho, perto da subida do Alto de São Sebastião.
Apesar da preferência dos anfitriãos .pelos 'amarelinhos", no dia 27 de setembro não havia discriminação.
Todos eram recebidíssimos. Desde as primeiras horas da tarde, começava a romaria e a distribuição de bebidas com certa reserva. Sim, a coisa começava calmamente até a chegada do Dr. Lopes e do chefe político tradicional Álvaro Vieira, além de uns outros destacados elementos da cidade. Eles davam uma espécie de sinal verde para as comemorações, uma vez que a primeira mesa dos "comes e bebes" só era servida quando eles chegavam, não adiantando a indocilidade da rapaziada, tão natural em ocasiões desta natureza.
Anos depois soube porque o privilégio, que era quase exclusivo do Dr. Lopes. Respondendo a uma indagação que fiz, Dona Aflitina, uma excepcional mãe de seis filhos, declarou:
— O compadre Lopes é a única pessoa que pode "batizar" a toalha dos "meninos", em primeiro lugar.
Efetivamente, nas casas onde festejavam Cosme e Damião, os participantes limpavam as mãos numa toalha que a dona da casa trazia pendurada no cós da saia.
Nunca soube o porquê dessa tradição, respeitada por todos participantes das festas espalhadas por toda a cidade.
Aqui no Rio as comemorações, de modo geral, se resume na distribuição de "balas" e doces para a. criançada. São raras as casas —naturalmente . de baianos — que oferecem caruru, acarajé e vatapá, dentre outras comidas cosidas com azeite de dendê.
Jornal da Manhã Ilhéus/BA 18/10/1978
O velho amigo das noitadas de Ilhéus, para minha surpresa, nos escritos confessa que desde os idos de 30 "está por dentro" das coisas de Oxossi e Ogum, acompanhando a saudosa "Mãe Percília", do Pontal, substituída por "Mãe Conceição", sendo agora um "fam" incondicional de "Pai Pedro” no seu terreiro no Basilio, onde naturalmente recebe os fluidos do tradicional "bruxo", considerado atração turística da cidade.
Naquele tempo o candomblé era considerado contravenção e sua prática era perseguida pela polícia, que não dava tréguas aos "cambonos", muitas vezes presos com os seus seguidores e seus apetrechos.
Hoje a coisa mudou. As macumbas estão em todos os lugares. Os "pegys", que funcionavam nos longínquos recantos, estão funcionando nos centos urbanos e, muitas vezes, como acontece aqui no Rio, não respeita a Lei do Silencio, amparados que estão por diplomas gerais.
O pior é que a profissão está sendo exercida, em muitos casos, por impostores que apenas visam a exploração dos incautos, pondo "para trás" àqueles que praticam Umbanda com fins puramente humanitários, não visando lucros.
Numa última crônica o Rubens da Associação se refere a "Festa de Cosme e Damião" e depois de fazer um histórico dos dois "mabaços", popularmente conhecidos e festejados, noticia a festa que o, também companheiro das festinhas de aniversários, Chico Caraneba, ia proporcionar aos seus amigos, quando o tradicional caruru e o apimentado vatapá, iam "rolar" durante à noite.
A notícia me fez recordar festas dos “dois dois” nas décadas de 20 e 30, nas casas de Pai Pedro, Jorgina, e especialmente, a promovida por Aflitina, esposa do "Flamengo doente" ' António da “State”, no início da Avenida 2 de Julho, perto da subida do Alto de São Sebastião.
Apesar da preferência dos anfitriãos .pelos 'amarelinhos", no dia 27 de setembro não havia discriminação.
Todos eram recebidíssimos. Desde as primeiras horas da tarde, começava a romaria e a distribuição de bebidas com certa reserva. Sim, a coisa começava calmamente até a chegada do Dr. Lopes e do chefe político tradicional Álvaro Vieira, além de uns outros destacados elementos da cidade. Eles davam uma espécie de sinal verde para as comemorações, uma vez que a primeira mesa dos "comes e bebes" só era servida quando eles chegavam, não adiantando a indocilidade da rapaziada, tão natural em ocasiões desta natureza.
Anos depois soube porque o privilégio, que era quase exclusivo do Dr. Lopes. Respondendo a uma indagação que fiz, Dona Aflitina, uma excepcional mãe de seis filhos, declarou:
— O compadre Lopes é a única pessoa que pode "batizar" a toalha dos "meninos", em primeiro lugar.
Efetivamente, nas casas onde festejavam Cosme e Damião, os participantes limpavam as mãos numa toalha que a dona da casa trazia pendurada no cós da saia.
Nunca soube o porquê dessa tradição, respeitada por todos participantes das festas espalhadas por toda a cidade.
Aqui no Rio as comemorações, de modo geral, se resume na distribuição de "balas" e doces para a. criançada. São raras as casas —naturalmente . de baianos — que oferecem caruru, acarajé e vatapá, dentre outras comidas cosidas com azeite de dendê.
Jornal da Manhã Ilhéus/BA 18/10/1978
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